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Curtas

Magiluth comemora 15 anos de carreira com apresentações

Grupo pernambucano de teatro é formado por Giordano Castro, Mário Sérgio Cabral, Pedro Wagner, Lucas Torres, Erivaldo Oliveira e Bruno Parmera

TEXTO Victor Augusto Tenório

01 de Outubro de 2019

Grupo Magiluth

Grupo Magiluth

Foto Pedro Escobar / Divulgação

Durante o mês de outubro, as caras, bocas e vozes do Grupo Magiluth serão vistas e ouvidas do litoral ao agreste do estado. O grupo pernambucano de teatro celebra 15 anos de carreira com 16 apresentações que ocorrem no Recife, em Caruaru e Surubim. A programação oferece ao público seis espetáculos e um ensaio aberto da peça Morte e vida Severina, clássico de João Cabral de Melo Neto, que se encontra em processo de montagem.

As apresentações pelo estado iniciam nesta quarta (2), no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro, com Aquilo que meu olhar guardou para você, e seguem até o dia 27 de outubro. No Recife, o público também pode conferir sessões de Dinamarca do dia 9 ao dia 12 e O canto de Gregório nos dias 23, 24, 26 e 27. Em Caruaru, o Magiluth integra a programação do Festival de Teatro do Agreste (Feteag) com Apenas o fim do mundo em sessão dupla no dia 19. Já em Surubim, faz parte da grade do Mostra Ouro Branco de Artes, onde apresenta Luiz Lua Gonzaga no dia 13.

Formado por Giordano Castro, Mário Sérgio Cabral, Pedro Wagner, Lucas Torres, Erivaldo Oliveira e Bruno Parmera, o Grupo Magiluth é uma das mais reconhecidas companhias de teatro do país e retornou ao estado impulsionada por bons ventos. Neste momento, disputa três dos principais prêmios cênicos do Brasil. Pela peça Apenas o Fim do Mundo, concorre à premiação da Shell, da Associação Paulista dos Críticos de Arte e ao prêmio Aplauso.

“Estamos concorrendo a esses prêmios em decorrência de uma temporada que aconteceu em São Paulo. Isso revela um problema para escoar a produção que acontece aqui, no teatro pernambucano. Acreditamos que há muita coisa boa na região, mas, infelizmente, por uma dificuldade de produção e de fazer com que as temporadas fora de Recife consigam realizar o número necessário de apresentações para participar desses prêmios, existe um obstáculo para que as produções daqui ganhem reconhecimento fora do estado”, comenta Giordano Castro.

Apesar disso, ele ressalta que o reconhecimento dos produtos culturais afetam o cenário artístico de todo o estado: “Acho que é como o cinema pernambucano, que quando se destaca fora do estado chama atenção para a produção feita dentro do estado. Ou seja, acho que são frutos não somente para nós, mas para o teatro como um todo feito dentro da cidade”.

O grupo chega em outubro com o nome na boca de quem circula pelo Recife. Em setembro, as sessões de Apenas o fim do mundo realizadas no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam) lotaram: "Estamos muito felizes com esse último trabalho. É um espetáculo de potência e beleza grande. (...) Mas, acho que casa também com uma maturidade e um momento artístico dos atores do grupo. Conseguir ter um público na cidade que acompanhe nossos trabalhos tem relação com nossa longevidade. Não é algo sazional, é uma continuidade de um trabalho que todo ano está na cidade, mantendo o público alerta", avalia Giordano.


Grupo Magiluth. Foto: Pedro Escobar / Divulgação

No próximo dia 13, o Magiluth ocupa a praça Dídimo Carneiro, em Surubim, com a peça Luiz Lua Gonzaga. Trata-se de uma importante utilização do espaço público para manifestações culturais gratuitas. Para o ator, ações como essa podem sensibilizar o público sobre os constantes ataques ao cenário artístico.

"Neste momento, é importantíssimo que as expressões artísticas quebrem as barreiras das estruturas que as colocam num lugar de distanciamento, principalmente das camadas mais populares. É importante que a gente saia dos teatros, que as artes plásticas saiam dos museus e que o cinema ganhe exibições fora das salas. É importante que a gente chegue às pessoas e elas vejam nosso trabalho. Eu acho que a gente não tem a obrigação de forçar que as pessoas vejam, mas é importante que as pessoas percebam que a gente está trabalhando, e é importante que elas saibam que a gente faz esse trabalho para comunicar. De fato, fazer com que vejam nossas apresentações, nosso discurso, e dialoguem com elas, discordem delas, entendam por que estão discordando ou confirmem alguns pensamentos. É importante dialogar, é importante agora se encontrar com as pessoas, fazer com que essa arte volte ao encontro do público, e o público perceba que aquilo faz falta e faz bem para eles, que os forma também", reflete Giordano Castro.

À Continente, o grupo falou ainda sobre seus próximos projetos. Neste momento, duas novas montagens estão engatilhadas: Morte e vida Severina, espetáculo de rua cujo ensaio será aberto ao público de Surubim no próximo dia 14, e outra sobre Miró da Muribeca, renomado poeta contemporâneo recifense. "A primeira etapa terminou, de levantamento de informações. Agora a gente começa a segunda, que é a criação. É um espetáculo que a gente tem vontade de fazer com a criação ao longo do próximo ano, e a estreia em 2021", adianta Giordano sobre o projeto.

VICTOR AUGUSTO é estudante de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco e estagiário da Revista Continente

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