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Reportagem

Podem as poetas e poetisas do Sertão falar?

Um encontro com a poesia contemporânea de mulheres do Sertão do Pajeú

TEXTO JULYA VASCONCELOS 
ILUSTRAÇÕES KARINA FREITAS

02 de Outubro de 2020

Ilustração Karina Freitas

[conteúdo na íntegra em nosso App | ed. 238 | setembro de 2020]

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Uma mulher sobe ao palco de óculos escuros e boné. Acompanhando-a, dois músicos mascarados como figuras tradicionais do carnaval de Triunfo, cidade do alto Sertão do Pajeú de Pernambuco, tocam nos sintetizadores e teclados. Ela balança o corpo sob uma base eletrônica e diz os versos de uma canção que flerta com o rap, o repente, a música eletrônica e a embolada. O som carregado de poesia da triunfense Jéssica Caitano, nascida no quilombo do Alto da Boa Vista, vem conquistando cada vez mais espaço na cena musical contemporânea.

Poeta, rapper, coquista, percussionista, militante LGBTQ+ e declamadora, Jéssica encarna a ponta da lança de uma renovação instigante da ancestral poesia pajeuzeira pelas mãos, sobretudo, das suas mulheres poetas – ou , como a maioria delas prefere ser chamada: Jéssica, Isabelly, Francisca, Elenilda, Bia, Anaíra, Odília, Carla, Thaynnara, Monique, Mariana, Dayane, Erivoneide, Andreia, Izabela, Clarissa, Ana Luiza, Milene: a lista é longa e não termina aqui. Na realidade, nem começa aqui.

Começa em Severina Branca, Mocinha de Passira, Celeste Vidal, Clene Valadares, Luzia Batista, Dulce Lima, Rafaelzinha. Mulheres que abriram, na marra, espaço entre as violas e os versos dos homens. A poesia do Sertão, majoritariamente masculina e escanteada pelos centros urbanos e pelas instituições, sob a etiqueta subalternizante de “poesia popular”, vem se impondo através de um grupo bastante heterogêneo de mulheres, mas que se fortalecem mutuamente dentro dessa cena, unindo sem conflitos a tradição, as influências contemporâneas, a performance, a rima, a oralidade e a força de uma poesia amolada durante séculos.

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