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Curtas

Mutirão

Coletivo de arte cria obras sobre os direitos humanos, em encarte especial na edição de dezembro da revista Continente

TEXTO Manu Falcão

01 de Dezembro de 2018

Parte de um dos trabalhos que compõem o encarte do Mutirão

Parte de um dos trabalhos que compõem o encarte do Mutirão

Ilustração Raul Souza

[conteúdo na íntegra (degustação) | ed. 216 | dezembro de 2018]

Historicamente, quando aflora uma condição de opressão política, fomenta-se o ensejo de resposta pelas classes dissidentes que reverbere enquanto meio de resistência. Na última década, no Brasil, foram tecidas narrativas insólitas e autoritárias que culminaram em dois momentos-chave; a começar por 2016, quando se consolidou o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff. Esse foi o gatilho para um momento de efervescência artística que manifestava as inconstâncias do processo e reivindicava ruminações de seu tempo.

Assim nasceu, em 2016, o Mutirão: um coletivo recifense de artistas que aparatam os espaços da cidade com lambe-lambes e distribuem jornais independentes com suas respectivas obras, frequentemente cartuns ou tiras (gênero que suscitou no trocadilho que nomeou o projeto). As ilustrações costumam aludir às imagens e ideias dos políticos envolvidos, trazendo mensagens subversivas em seus escopos – por vezes de forma explícita, por vezes recorrendo à arte abstrata.

Dois anos depois, esses artistas se deparam com um autoritarismo robusto, ainda que velado pelas vias democráticas. O período eleitoral de 2018 fez ressurgirem as discussões do primeiro momento-chave, bem como germinou outras. Com crescente onda de violência, muito se falou em direitos humanos, embora nem sempre de maneira embasada ou precisa. Algo sintomático, que decursa de outra matriz da qual já falamos na edição de agosto da Continente: a desinformação.

Em razão do aniversário dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, lançado pela ONU em 10 de dezembro de 1948, o Mutirão voltou-se a esclarecer o que esses direitos de fato significam.

Agora, com a colaboração de 15 artistas mulheres e 15 homens, o grupo propõe a celebração e difusão dos preceitos da Carta com uma versão ilustrada. O trabalho, encartado este mês na revista Continente, integra interpretações visuais para cada um dos 30 artigos originais feitos por artistas gráficos diferentes.

A ação possibilita o alcance dos artigos por parte do público de maneira lúdica, o debate dos mesmos repaginando-os para a conjuntura de hoje, e a profusão de vieses artísticos que variam em suas composições, indo de desenhos a fotocolagens.

No dia 9 de dezembro, os artistas espalharão as obras que criaram para os 30 artigos da Declaração pelos muros da cidade, a fim de fazê-la amanhecer com essas mensagens no dia do aniversário da DUDH. O lançamento oficial da publicação será no dia 6 de dezembro, às 19h, na Galeria Apolo 235 (Bairro do Recife), com acesso franqueado ao público e uma conversa sobre o tema com os realizadores.

MANU FALCÃO é estudante de Jornalismo da Unicap e estagiária da Continente.

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