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Super Terra

Design superpop

TEXTO Olivia de Souza

01 de Setembro de 2012

Ilustração para o estande da Petrobras na edição 2012 do festival Abril Pro Rock

Ilustração para o estande da Petrobras na edição 2012 do festival Abril Pro Rock

Imagem Reprodução

Não é de surpreender que o universo musical seja o principal motor do Estúdio Super Terra. Com pouco mais de um ano, o coletivo de designers pernambucanos, cujo trabalho se concentra na produção voltada para a cultura underground, já imprimiu cores fortes e um estilo ousado a dezenas de trabalhos gráficos da região, como cartazes de shows e festas, capas e encartes de CDs, pôsteres de filmes ou identidades de marcas.


Cartaz de Boa sorte, meu amor, primeiro longametragem do diretor
pernambucano Daniel Aragão. Imagem: Reprodução


O Super Terra surgiu da necessidade de Caramurú Baumgartner e Celso Hartkopf de produzir material gráfico para sua banda, a Caapora. Entre ideias de ilustrações e cartazes, o primeiro projeto oficial assinado como Super Terra foi a capa do disco da Desalma, banda pernambucana de thrash metal. Bateram o martelo com a chegada de Raul Souza, no ano passado, durante oficina ministrada pelo coletivo goiano Bicicleta Sem Freio, no Abril Pro Rock. As similaridades entre os dois grupos não são, portanto, coincidência. Com um conceito parecido, o Bicicleta também é formado por músicos que produzem seu próprio material, além de estamparem cartazes de festivais e capas de discos Brasil afora.


Cartaz comemorativo dos 20 anos do Abril Pro Rock. Imagem: Reprodução

O sucesso dos pôsteres e camisetas feitos para o show da turnê brasileira da Sublime With Rome com a Mundo Livre S/A, no Clube Português, ano passado, definiu a “cara” do Super Terra, em que as ideias e os estilos do traço de cada ilustrador casaram perfeitamente. “Esse foi uma espécie de ‘trabalho teste’ pra gente ver se rolaria atuarmos juntos. A partir daí nos empolgamos e decidimos fazer mais coisas”, comentou Raul Souza. A propósito, todos fazem questão de dar a sua contribuição a cada projeto, sem concessões. Nenhuma produção é assinada individualmente. “O mínimo que acontece é o seguinte: se só duas pessoas tiverem desenhado, o outro vai ter que ficar dando pitaco. E tem vezes que as seis mãos criam ao mesmo tempo”, revela Raul.


Capa de A idade dos metais, CD de estreia da banda Os Sertões. Imagem: Reprodução

Tudo relacionado à cultura pop serve de inspiração ao Super Terra. Desde arte clássica renascentista aos quadrinhos undeground, como os traços carregados e mulheres voluptuosas de Robert Crumb, ou os ciborgues e ninfetas da HQ italiana RanXerox, de Stefano Tamburini e Tanino Liberatore – tudo cercado de muita safadeza e humor. E já que o trabalho dialoga bastante com a música, o ambiente é o mais inspirador possível nesse sentido. Funk, soul, rock’n’roll, progressivo, entre outros, fazem parte do repertório musical da vitrola do estúdio, que toca a todo vapor durante os brainstorms.


VT de abertura do programa Estereoclipe, temporada 2012.
Imagem: Reprodução

A miscelânea que compõe esse enorme repertório está evidente no projeto gráfico do disco de estreia da banda Os Sertões. Numa versão nordestina da antológica capa do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, estão lá referências a Georges Méliès, Bob Dylan, Charles Bukowski, Planeta dos Macacos, Santos Dumont, Lampião, até um ovo frito imitando um disco voador. O trio também é responsável por assinar a arte de bandas como Tagore, Feiticeiro Julião, Caravana do Delírio, além das festas Agito Pesado e King Congo, das quais eles próprios são frequentadores assíduos. “Nossa relação com a cena musical daqui foi muito natural, porque já fazia parte do nosso universo.”


Cartaz da festa Agito Pesado faz referência às antigas figurinhas
de jogadores. Imagem: Reprodução

Com dedicação intensa e exclusiva ao Super Terra, Raul, Celso e Caramurú hoje pensam em atender outros mercados. “Queremos fazer um quadrinho, temos milhões de ideias. Cada um também pensa em tocar algum zine. Além dos projetos pessoais de cada um, afinal, somos três pessoas diferentes, com raízes diferentes. No Super Terra, procuramos focalizar numa coisa só, mas isso não quer dizer que devemos esquecer nossas particularidades.” 

OLIVIA DE SOUZA, estudante de Jornalismo e estagiária da Continente

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