Morre o multiartista Juarez Machado aos 85 anos
Premiado artista plástico catarinense ficou famoso nos anos 1970 por quadro no Fantástico, e sua obra, reconhecida internacionalmente, inspirou a fotografia de O fabuloso destino de Amélie Poulain
07 de Outubro de 2026
Foto Divulgação
Morreu nesta terça-feira (6/10) o artista visual Juarez Machado (1941-2026). Catarinense de Joinville, ele tinha 85 anos e estava internado em Vassouras, no Rio de Janeiro, desde 29 de setembro, para tratar uma pneumonia. Mas acabou sofrendo uma parada cardíaca.
Pintor, cenógrafo, ilustrador, escultor, escritor, ator, caricaturista, mímico… Juarez era, acima de tudo, um multiartista e ficou conhecido por sua obra expressiva, teatral e humorística com um quê de circense, jazzístico lúdico e cotidiano poético.
Na década de 1970, ele aparecia em um quadro do programa Fantástico, da TV Globo, com o rosto pintado de branco interagindo com os próprios desenhos. O multiartista também assinou vinhetas, aberturas, cenários e figurinos. Não somente do Fantástico, mas também de outros programas globais famosos como Balão Mágico e Faça Humor, Não Faça Guerra. Foi responsável pela concepção visual, cenografia e figurinos do primeiro especial de fim de ano do cantor Roberto Carlos na emissora, exibido em dezembro de 1974. Outros cantores também ganharam projetos gráficos, ilustrações e cenários em videoclipes para a TV, como Elis Regina, Raul Seixas e Emílio Santiago.

Juarez Machado também foi chargista de grandes periódicos nacionais como o Jornal do Brasil, O Cruzeiro, Fatos & Fotos, Desfile, Ele e Ela e O Pasquim.
Nos anos 1980, o artista mudou-se para Paris, onde montou ateliê e moradia em Montmartre. Na Europa, consolidou carreira e recebeu, em 2024, a Ordem das Artes e das Letras, considerada a mais alta condecoração do Ministério da Cultura da França. Seus trabalhos também são conhecidos na Itália, Bélgica, Portugal, Suíça, Líbano, Japão e Estados Unidos.
Suas obras repletas de casais dançando em meio a gatos, palhaços e bicicletas, além da paleta de cores marcantes, inspiraram a direção de arte e o cenário da comédia romântica francesa O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), do diretor Jean-Genet. Este conheceu o trabalho do artista quando esteve em uma de suas exposições na França. A decoração do quarto da protagonista exibe obras como A Festa Continua.

Nascido em Joinville (SC), em 16 de março de 1941, Juarez foi morar em Curitiba nos anos 1960, onde cursou Belas Artes e depois para o Rio de Janeiro. Lá conheceu e conviveu com Ziraldo, Jaguar e Millôr Fernandes. Aos três anos de idade, o artista desenhou um tanque de guerra em uma página de jornal. O traço impressionou sua mãe, Leonora Busch, que guardou o desenho, agora parte do acervo pessoal do artista.
As bicicletas são recorrentes em suas pinturas desde a infância, quando criou uma bicicleta com rodas quadradas para pedalar em cidades de “buracos redondos". Juarez Machado também foi precursor do livro-imagem. Ida e Volta, publicado em 1975, foi a primeira obra formada apenas por ilustrações.
Para conhecer mais trabalhos do artista, acesse o site do Instituto Juarez Machado (institutojuarezmachado.com.br). Fundado pelo artista em 2014, em Joinville, tem o objetivo de incentivar a arte a partir da preservação e divulgação dos trabalhos do artista visual. O espaço também recebe exposições de nomes nacionais e internacionais.