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Marco Zero participa da ArPa e inaugura exposição de Juliana Lapa

Galeria pernambucana reforça sua atuação nacional, apresentando trabalhos de Artur Bombonato, Gustavo Diogenes e Nicholas Steinmetz, na Feira de Arte, e da artista Juliana Lapa, na Claraboia

26 de Maio de 2026

"Fuga dos bichos", de Juliana Lapa

Foto Reprodução

Em maio, Marco Zero apresenta em São Paulo duas exposições com jovens talentos das artes visuais. Na 5ª edição da ArPa - Feira de Arte, que tem início na quarta-feira (27), a galeria pernambucana leva ao estande B4 a mostra Mundo Cão, com trabalhos de Artur Bombonato, Gustavo Diogenes e Nicholas Steinmetz. No sábado (30), em parceria com a Claraboia, inaugura na galeria paulistana Olga não me deu nada como herança, com trabalhos inéditos da artista pernambucana Juliana Lapa.

Em Mundo Cão, que será apresentada na ArPa 2026, estão reunidos trabalhos de Artur Bombonato e Gustavo Diogenes, ambos do Ceará, e Nicholas Steinmetz, natural de São Paulo, mas que vive e produz em Curitiba, em uma seleção de pinturas expostas juntas pela primeira vez e que têm como protagonista a figura do cão. A curadoria de Daniel Donato destaca a forma como os três, ainda que em suportes distintos, trabalham com a pintura em regime figurativo, em que as cenas espectrais e enigmáticas sugerem acontecimentos alhures, invisíveis ao observador, mas que convocam sua imaginação.

Em diferentes direções, os três artistas investigam a pintura figurativa como um campo de instabilidade da imagem, em que cenas, personagens e paisagens parecem atravessados por acontecimentos que escapam ao enquadramento. Para Daniel Donato, os artistas “convocam diferentes regimes de atenção e implicam diversas relações específicas entre plano e extracampo da imagem”.

O curador destaca que o cão, um elemento que já se apresentava na pintura dos três artistas, agora ganha protagonismo nesta exposição. "Dentro da seleção que apresentamos aqui, o cão condensa esses diferentes significados. As pinturas dos três artistas reunidos sinalizam a ligação com a história desta linguagem, mas também demonstram atenção a narrativas populares, mitos e paisagens habitadas por nosso personagem em destaque, o cachorro", reforça Donato.

Como em uma espécie de labirinto, as obras da exposição Olga não me deu nada como herança, primeira individual de Juliana Lapa em São Paulo, convidam o público para uma jornada que não possui um percurso definido ou uma saída. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra reúne 18 obras inéditas e entra em cartaz no dia 30 de maio, na Claraboia, produzida em parceria com a Galeria Marco Zero.

Em sua produção, Juliana Lapa constrói imagens que parecem emergir da matéria como lembranças difusas, pois mesclam memórias pessoais e coletivas, reais e imaginadas. Em suas pinturas e desenhos, camadas se acumulam a partir do gesto de cobrir, apagar, riscar e revelar, transformando a superfície em um campo de escavação sensível que entrelaça sonhos e recordações. Como indica a curadora, para nomear seu procedimento de extração como gesto artístico, Juliana recorreu à estratigrafia, técnica de conservação e restauro de prédios, que analisa e identifica camadas de pintura e de sobreposição de materiais que se sucedem ao longo do tempo.

Suas cenas nunca parecem estáticas, sugerindo novas interpretações a cada olhar. As paisagens são permeadas por figuras, em sua maioria mulheres, fontes primeiras de sua investigação, e símbolos que convocam ideias de intimidade e de experiências compartilhadas. Em diálogo com a paisagem, aparecem realizando ações corriqueiras – dançando, caminhando, amamentando, acendendo fogueiras ou abraçando companheiras – e também fantásticas, como fazendo brotar estrelas, engolindo lugares, jorrando tripas, correndo com lobos, acariciando vermes. 

Delicadeza e brutalidade caminham juntas em sua produção, em uma exposição das zonas de tensão e dos resquícios da violência que atravessam a experiência cotidiana, especialmente de determinados corpos. Para a curadora, “os trabalhos de Juliana Lapa vêm se configurando como uma mistura fluida entre materiais, reconhecíveis e também não-habituais na arte, e linguagens que se manifestam como invenções experimentais muito singulares”. 

SERVIÇO
Exposição Mundo Cão, com Artur Bombonato, Gustavo Diogenes e Nicholas Steinmetz
ArPa 2026 - Feira de Arte
Onde: Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo
Quando: 27 e 31 de maio de 2026

Exposição Olga não me deu nada como herança, de Juliana Lapa
Onde: Claraboia (Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 2906, Jardim América, São Paulo - SP)
Quando: 30 maio a 8 agosto de 2026
A exposição é uma parceria entre a Claraboia e a Galeria Marco Zero
Entrada franca
Informações: (81) 98262-3393 | www.galeriamarcozero.com | @galeriamarcozero

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