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Mulheres pretas e pardas constituem 30% do total de consumidores de livros

3ª edição da pesquisa Panorama do Consumo de Livros, da CBL e Nielsen BookData, identificou 3 milhões de novos compradores de livros no Brasil

TEXTO Cleide Alves

26 de Março de 2026

Foto Reprodução

Boa notícia para o mercado livreiro nacional: o percentual de consumidores de livros, no Brasil, passou de 16% para 18% nos últimos 12 meses. O aumento de dois pontos percentuais equivale a 3 milhões de novos compradores de títulos impressos e digitais, de acordo com a 3ª edição da pesquisa Panorama do Consumo de Livros. Mulheres pretas e pardas constituem 30% do total de consumidores de livros no país e metade das pessoas do gênero feminino que compram os exemplares, identifica o estudo, realizado de novembro de 2024 a outubro de 2025.

A pesquisa, divulgada na manhã desta terça-feira (26/3), é uma iniciativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a empresa Nielsen BookData. “É uma ferramenta muito importante para o setor porque ajuda a compreender quem são os consumidores de livro no país e como eles se relacionam com o mercado”, declara Sevani Matos, presidente da CBL. “O estudo traz muitos insumos e traça o perfil e os hábitos de compras de consumidores e de não consumidores”, declara Mariana Bueno, coordenadora de pesquisa da Nielsen BookData.

Igual à última edição, foram ouvidas 16 mil pessoas, em todas as regiões do país. É considerado consumidor quem comprou, pelo menos, um exemplar nos últimos 12 meses. Pela primeira vez, a pesquisa fez um recorte por raça e constatou que 45% dos compradores são pessoas brancas, 37% são pardas e 12% são pretas. “Somadas, as pardas e pretas representam 49% dos consumidores”, destaca Mariana Bueno. São dados significativos para editoras, livrarias e outros agentes da cadeia produtiva pensarem ações e tomar decisões, observam Sevani Matos e Mariana Bueno.

Também pela primeira vez, livrarias do Nordeste aparecem na lista que identifica em qual livraria física a pessoa fez a última compra de livro impresso. Foram citadas a Escariz, de Aracaju (SE), com 1,3%, e a Jaqueira, do Recife (PE), com 1%. O resultado da pesquisa indica que 56% dos consumidores adquirem livros pelas redes sociais e desse universo, 59% são mulheres. Sudeste e Nordeste concentram a maior parte das consumidoras de livros pelas redes sociais, com 38% e 31%, respectivamente. “O Nordeste é uma região muito bem digitalizada”, ressalta Mariana Bueno.

Segundo a pesquisa, Instagram e Tik Tok representam as redes sociais mais acessadas pelos consumidores que acompanham conteúdo de livros e literatura. E as redes sociais que mais influenciam a compra são WhatsApp, Instagram e Tik Tok. Com relação às pessoas que não consomem livros, Marina Bueno faz a seguinte observação: “Há uma contradição, o livro não cabe na vida por uma série de razões, porque essas pessoas fazem muita coisa no tempo livre, elas têm hábito de lazer e de acesso a conhecimento de outras formas.”

Entre os não consumidores, 42,6% usam o tempo livre para acessar redes sociais, 33,6% gastam esse tempo para escutar música e 33% descansam ou dormem. Leitura de livro é a terceira atividade de lazer mais citada entre os compradores de exemplares e a 13ª entre os não consumidores. O preço caro do livro e a ausência de livrarias próximas são fatores que desmotivam a compra. O tema, o assunto e o preço justo são fatores que motivam os consumidores. O estudo identificou uma redução de consumo na faixa etária acima dos 65 anos.

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