Música

SaGrama homenageia Dimas Sedícias no Santa Isabel

Na terça (25), grupo faz tributo ao maestro e compositor mais presente em sua trajetória, em apresentação com a presença de quatro instrumentistas pernambucanas

18 de Agosto de 2026

Foto Lucas Emanuel/Divulgação

O instrumentista, arranjador e compositor pernambucano Dimas Sedícias marcou a história do SaGrama. Referência na história do grupo, o artista, falecido em 2001, recebe, na terça (25), às 20h, homenagem em concerto no Teatro de Santa Isabel. Nesta celebração, os dez integrantes do SaGrama recebem, como convidadas, um time de musicistas: a trombonista Neris Rodrigues, a violeira Laís de Assis, a violista Laila Campelo e a sanfoneira Karol Maciel. As instrumentistas também vão tocar composições autorais.

Mesmo sem nunca ter integrado o SaGrama oficialmente, Dimas Sedícias compôs várias obras que foram incorporadas ao repertório do conjunto. “A influência de Dimas, no início do grupo, foi super interessante, porque ele trouxe a música-teatro, a música com narração, com onomatopeias. A gente explorava a caixa acústica do violão, tocava o contrabaixo depois do cavalete. É como se fosse uma sonoplastia. Então as composições da gente começaram a ter esse lado meio teatral, meio exótico”, explica Sérgio Campelo, flautista e um dos fundadores do conjunto.

Autor de de peças pensadas para o SaGrama, como “Riacho Encantado” e “Suíte Matuta”, Dimas Sedícias tornou-se parceiro do grupo a partir de 1995, muito antes do primeiro disco da banda vir à tona. À época, os músicos já haviam começado a experimentar a combinação de timbres que viria a moldar sua identidade sonora.

São de Sedícias, por exemplo, músicas consagradas como “Papagaio de Papel” e “Aspectos de uma Feira”. Esta última composição começa com os sons do alvorecer, segue com a cega Jesuína pedindo esmola, entoando uma melodia vocal dramática (num trecho cantado pela também flautista Ingrid Guerra), seguida pelo burburinho da multidão que frequenta a feira livre, até chegar à cadência divertida dos emboladores de coco.

Para retratar o murmúrio da feira, ele trazia martelinhos de brinquedo, que faziam o som do “nheco-nheco". Outra de suas "invenções” foi um caneco contendo pequenas argolas, que simula o som das moedas dadas de esmola. “No show, vamos perceber a diversidade de timbres que Dimas trabalhava, através destes pequenos elementos sonoros, trazendo outro colorido e representatividade ao SaGrama", ressalta o percussionista Antonio Barreto, membro desde a formação original.

“Aos poucos, a gente começou a receber a visita do Dimas, que se encantou com aquele material orgânico-musical e começou a trazer peças para o grupo”, conta Sérgio Campelo, ao escritor Carlos Eduardo Amaral, em um dos capítulos do livro SaGrama: um álbum por escrito (Edição independente; 212 páginas), recém-lançado (à venda pelo instagram @sagramaoficial). Para ele, o músico bonjardinense, nascido em 1930, ajudou a dar o direcionamento para a reinterpretação da música nordestina que marcou os primeiros álbuns do conjunto.

Além da homenagem a Dimas Sedícias, o SaGrama levará ao palco do Santa Isabel clássicos de sua discografia, a exemplo de “Brilhareto” e “Cuscuz”. Uma das novidades do repertório será “Samambaia”, composição de Cláudio Moura, um maxixe pensado originalmente para uma banda de música e violão e depois adaptado para o SaGrama, com solo de trombone.

SERVIÇO
Show SaGrama homenageia Dimas Sedícias, com a participação especial de Neris Rodrigues, Laís de Assis, Karol Maciel e Laila Campelo
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Quando: 25/08 (terça-feira), às 20h
Quanto: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada). À venda pelo Guichê Web
Informações: @sagramaoficial (no Instagram)

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