Música

Aulas-espetáculo sobre tradições indígenas no maracatu de baque solto

Manoelzinho Salustiano faz atividades com músicas, poesias, fotos, audiovisual e performances, em encontros no Teatro Hermilo Borba Filho, no dias 19 e 20 de maio, às 14h30, e no Instituto Casa Astral, dia 28, às 18h30

15 de Maio de 2026

Gabi Salustiano e Manoelzinho Salustiano

Gabi Salustiano e Manoelzinho Salustiano

Foto Ingrid Veloso/Divulgação

O mestre e artista pernambucano Manoelzinho Salustiano realiza a aula-espetáculo “Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro”, com três sessões no Recife, todas gratuitas no mês de maio e de classificação indicativa livre. As duas primeiras ocorrem no Teatro Hermilo Borba Filho, nos dias 19/5 (terça-feira) e 20/5 (quarta-feira), às 14h30 (retirada do ingresso às 14h). Já a terceira sessão acontece no Instituto Casa Astral (Poço da Panela, Zona Norte), dia 28/5 (quinta-feira), às 19h (abertura dos portões de acesso ao local a partir das 18h30). 

As atividades do projeto têm o objetivo de resgatar, conservar e fortalecer as tradições indígenas no Maracatu de Baque Solto, a partir das memórias de mestras e mestres mais antigos. Assim como existe a necessidade de compartilhar com cuidado essas histórias da cultura popular por meio de diversas artes, da comunicação e de narrativas atuais. Manoelzinho destaca como propósito a visibilidade, a valorização e o pertencimento das expressões artísticas e culturais. A aula-espetáculo reúne poesias, músicas e audiovisual (imagens e vídeos), além das performances ao vivo com a participação de Caboclos de Lança e Arreiamá (Caboclo de Pena).

“A ideia dessa aula é para a gente entender o que é essa cultura do Maracatu de Baque Solto, que começa batendo o mulungu (uma árvore) dentro dos engenhos de cana-de-açúcar de Pernambuco e tem uma continuação. Uma cultura que tem ainda muito a se estudar, a se pesquisar… Uma cultura em que a principal dança é o currupio, nada mais, nada menos do que um toré indígena. Às vezes, por ser chamado de maracatu, acha-se que é de origem africana”, explica Manoelzinho Salustiano.

No dia 19 de maio, a sessão de abertura é exclusiva para convidadas e convidados no Teatro Hermilo Borba Filho, que no dia 20/5 recebe uma nova apresentação com 40 vagas disponíveis para o público em geral (ingressos no teatro a partir de 14h - acesse o link). Já no Instituto Casa Astral, no dia 28/05, 20 vagas foram disponibilizadas (ingressos no local a partir de 18h30 - Acesse o link). Todos os encontros estão sujeitos à lotação. 

Vale sempre lembrar que Manoelzinho Salustiano atua como artesão de bordados, sobretudo carnavalescos. As suas próprias obras de arte são feitas à mão, utilizando lantejoulas que criam cores, texturas e brilhos decorativos dentro da prática do bordado. “Eu não pinto, mas bordo!”, diz ele. O artista também confecciona as golas dos Caboclos de Lança, funcionando como mantos protetores, com toda a sua simbologia e impacto visual, e estandartes. 

Manoelzinho Salustiano é Doutor Honoris Causa (2020) e Notório Saber em Cultura Popular (2021), ambos pela Universidade de Pernambuco (UPE), campus Mata Norte. Além das conquistas, os títulos reconhecem seus conhecimentos, envolvimento, sensibilidade e continuidade, vindos de tradições indígenas, afro-brasileiras, quilombolas e outras manifestações populares e artístico-culturais.

“Maracatu de Baque Solto é de origem indígena. Depois é que surgem as influências africanas, a partir dos anos 1960, quando se coloca a corte do Maracatu de Baque Virado dentro do Maracatu de Baque Solto. Então, essa aula é para a gente pensar melhor, aprender ainda mais sobre o que é o Maracatu de Baque Solto, sua origem, de onde veio e para onde vai, o que se tornou e como está atualmente”, conta o mestre.  

Durante as aulas-espetáculo, os Caboclos de lanças e o de Pena encenam artisticamente como eram os conflitos entre os maracatus antes da época em que concluiu os enfrentamentos. “Essas coisas não aconteciam sem um sentido, tinham um significado e um motivo para ocorrer, e a sua explicação vem justamente da tradição indígena presente no Maracatu de Baque Solto”, diz o artista.

Manoelzinho Salustiano também é multiplicador de saberes por ser o filho mais velho de Manoel Salustiano Soares, conhecido como Mestre Salustiano (1945-2008), cortador de cana, ator, rabequeiro, músico, compositor e artesão brasileiro da Zona da Mata Norte de Pernambuco (natural do município de Aliança). Esse contexto significa o repasse de uma sabedoria familiar pela prática cultural. Manoel Salustiano, por exemplo, produziu espetáculos e uma diversidade de festas populares/folguedos tradicionais, com essa organização mantida até hoje pela família, preservando a identidade, formando e inspirando gerações e transformando socialmente.  

Assim como seu pai, Manoelzinho Salustiano tornou-se antes de tudo um brincante, depois uma voz viva e ativa, e ainda por cima uma liderança da cultura popular de raiz da região da Zona da Mata de Pernambuco. Lá é onde tem Maracatu de Baque Solto, Cavalo Marinho, Mamulengo, Ciranda, Caboclinhos, entre outras expressões, manifestações, folguedos, rodas de poesia, encontros artístico-culturais, rodas de diálogos, festejos, lembranças, acontecimentos, vivências, tecnologia ancestral, atualidade etc.

“Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro” é uma atividade que Manoelzinho produz com a sua filha Gabi Salustiano e já vem sendo desenvolvida há alguns anos, sobretudo nesse passado mais recente. O nome do projeto também faz um trocadilho com a biografia do próprio mestre. O título do livro é “Manoelzinho Salustiano: histórias de um mestre no terreiro", lançado em 2021 e que conquistou o Prêmio Literatura Clarice Lispector na categoria melhor biografia, no ano de 2022.

“Manoelzinho é um mestre de Maracatu de Baque Solto, de cavalo marinho, de mamulengo, que domina várias artes, os rituais religiosos, o fazer das fantasias e estandartes, o bordado, a confecção das indumentárias e muito mais. Ele sabe os cânticos. Não costuma cantar no maracatu, e mesmo assim explica como é que canta, fala a diferença de um samba, de um galope e de uma marcha”, detalha Gabi.

“Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro” tem incentivo público, com o financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife. A realização é assinada pelo próprio Manoelzinho Salustiano, com produção pernambucana coletiva e autoral entre Gabi Salustiano, Ynan Produções e Br3ch4 Lab Audiovisual (Ingrid Veloso e Layane Santos), a identidade visual e design por Katarina Scervino e a assessoria de imprensa de Daniel Lima, além do apoio do Instituto Social e Cultural Casa Astral e Apolo-Hermilo (Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas). 

SERVIÇO
Aula-espetáculo “Maracatu de Baque Solto e as Histórias dos Mestres de Terreiro”
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, nº 142, Bairro do Recife), às 14h30
Quando: Dia 19/5 - exclusivo para convidadas e convidados; Dia 20/5 - 40 vagas disponíveis para o público em geral (ingressos no local a partir de 14h)
Observações: sujeito à lotação; a inscrição pelo formulário garante sua vaga se o ingresso for retirado até às 14h30 do dia (acesse o link)
Início da retirada do ingresso: 14h
Abertura dos portões do local: 14h30
Espetáculo: 15h

Onde: Instituto Casa Astral (Rua Joaquim Xavier de Andrade, nº 104 - bairro: Poço da Panela, Zona Norte), às 19h
Quando: Dia 28/5 - início da retirada do ingresso e abertura dos portões do local às 18h30; espetáculo às 19h; observação: sujeito à lotação; a inscrição pelo formulário garante sua vaga se o ingresso for retirado até às 18h30 (acesse o link) 
20 vagas disponíveis para o público em geral (ingressos no local a partir de 18h)

Todas as apresentações dispõem do recurso de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva

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