Música

1º Festival Ouro Negro do Pajeú celebra o centenário de Moacir Santos

Com programação gratuita no sábado (25/7), o evento revive as origens sertanejas do músico com apresentações instrumentais, intervenções visuais, lançamentos de livros, cinema e poesia

15 de Julho de 2026

Foto Divulgação

No domingo (25/7), a cidade de Flores, no Sertão do Pajeú, promove um reencontro com seu filho mais famoso. A primeira edição do Festival Ouro Negro do Pajeú - Festi’Ouro celebra o centenário de nascimento do maestro, compositor e arranjador Moacir Santos (1926–2006). Nascido em Flores, o artista construiu uma trajetória que partiu das bandas filarmônicas locais, passou por renomadas estações de rádios e conquistou o reconhecimento nacional no Rio de Janeiro e internacional em Los Angeles.

Nascido em 26 de julho de 2026, no município de Flores, o jovem tinha um talento especial para a música. Com facilidade, sabia tocar todos os instrumentos que apareciam em sua frente. Nos anos 1940, já no Recife, foi destacado, no programa Vitrine, como “O saxofonista negro”, de Antônio Maria e José Renato, da Rádio Clube de Pernambuco. E da Rádio Tabajara, na Paraíba, migrou para o Rio de Janeiro. Na Rádio Nacional, nos anos 1940, conheceu maestros e arranjadores como Radamés Gnattali e Lyrio Panicalli. Nesse período, Moacir aprofundou seus estudos de harmonia, contraponto, orquestração, estilo, tendo Guerra-Peixe como um de seus mestres. E passou a ser assistente do dodecafonista H. J. Koellreutter.

E foi com a mistura de sons afro-brasileiros, da musicalidade nordestina e do jazz, que o artista concebeu sua obra-prima, o álbum Coisas, de 1965. Nessa década, ministrava aulas para músicos como Baden Powell, cujos afro-sambas abarcam a influência dos ensinamentos do pernambucano sobre modalismo. Dentre os alunos, nomes de vários gêneros musicais, como Sérgio Mendes, Paulo Moura, Dori Caymmi, Nara Leão, Airto Moreira, Flora Purim, Paulinho da Viola, Carlos Lyra e Nelson Gonçalves.

Moacir também compôs trilhas sonoras para filmes do Cinema Novo e para a produção hollywoodiana Amor no Pacífico. A convite para o lançamento deste filme, passou a morar definitivamente nos Estados Unidos, a partir de 1967. Inicialmente, em Newark, Nova Jersey, depois em Pasadena, Califórnia – onde morou até sua morte, em 6 de agosto de 2006. Lá, trabalhou na equipe de compositores de Lalo Schifrin e Henry Mancini, e consolidou seu trabalho como maestro, arranjador, professor e compositor, lançando discos pelos selos Blue Note e Discovery Records.

FESTIVAL
O festival surge com a proposta de homenagear em sua terra natal o legado musical de Moacir Santos, posicionando o Sertão do Pajeú como um polo de referência para a música instrumental brasileira. Além de impulsionar a economia criativa, o turismo e o comércio local, a iniciativa integra artistas da região a nomes consagrados, promovendo a diversidade musical e o pertencimento cultural a partir da obra de Moacir Santos.

O evento é realizado pelo Governo Municipal de Flores, por meio da Secretaria de Turismo e Eventos, com apoio da Rede éPAJEÚ, e tem curadoria de Karina Zapata e Tiago Martins Rego, que também assinam a direção geral e direção de produção, respectivamente. A direção técnica é de Antonio Pinhêiro.

PROGRAMAÇÃO
A programação do Festi'Ouro une tradição e vanguarda, dividida em dois momentos. O turno da tarde, intitulado Território, Cultura e Memória, traz uma feira de economia criativa, exibições de filmes sobre Moacir e o universo da música, além do lançamento de obras literárias importantes sobre o maestro.

No palco, músicos da cidade de Flores prestam uma homenagem à obra do Maestro. À noite, a programação começa com uma Mesa de Glosa feminina comandada pelas Mulheres de Repente, e segue com declamações poéticas, aboios e shows instrumentais de grupos compostos por músicos da região do Pajeú, como Irlo SimõesCacá Malaquias e Gilson Malaquias.

O festival terá 100% das atrações oriundas do estado de Pernambuco, e nesta primeira edição promove uma conexão dos músicos do Sertão com os de outras regiões do estado, como por exemplo o premiado Quarteto Tromboneando, da Zona da Mata Norte, e o multi-instrumentista Lucas dos Prazeres. O encerramento contará com um “parabéns instrumental coletivo” reunindo amigos e músicos que conviveram com Moacir Santos.

PROGRAMAÇÃO

Tarde: Território, Cultura e Memória
15:00 | Feira de Gastronomia e Produtos Criativos + Intervenção Visual de Artistas Locais
15:00 - 16:00 | Flores toca Moacir Santos: Anderson Raniery (trompete), Amauri Silva (trompete), Felipe Silva (sax), Junior Batera (bateria) e Junior Mandu (trombone)
16:00 - 17:00 | Lançamento de Livros + Bate-papo com Autores + Sessão de Autógrafos:
- Livro “Rota Infinito: Moacir Santos e a composição autoral” (Prof. Sérgio Gaia)
- Cordel “A Peleja do Menino Pobre que virou Maestro” (Geraldo Euclides)
16:30 - 17:15 | Sessão de Cinema: Vida e Obra de Moacir Santos
- Exibição de documentários sobre Moacir Santos e temática musical

Noite: Tradição, Reinvenção e Homenagens
19:00 - 20:15 | Mesa de Glosa: Mulheres de Repente
- Improviso poético de mulheres sertanejas sobre caminhos e legados de Moacir Santos
20:15 - 21:00 | Cacá Malaquias & Família revisitam Petronilo Malaquias (Carnaíba)
21:00 - 21:20 | Declamação de Poesias: Laura Martins, Mª Cecília e Elenildo Ferreira (Flores)
21:20 - 22:00 | Quarteto Tromboneando e os Sons dos Canaviais (Zona da Mata Norte)
22:00 - 22:20 | Aboios de Dayane Rocha (Tabira) e Jéssica Andrade (Flores)
22:20 - 23:00 | Banda Umburana de Cheiro (Calumbi, Serra Talhada e Carnaíba)
23:00 - 23:20 | Declamação Poema Cântico Negro - paralelo com a vida de Moacir (Luís Venerré)
23:20 - 00:00 | Lucas dos Prazeres (Recife)
00:00 - 00:20 | Parabéns Coletivo ao Ouro Negro do Pajeú
- Entrega de placas aos amigos florenses.
- Bolo gigante com execução monumental de "Nanã", obra-prima de Moacir Santos.

 

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