Moda

Conheça a única estilista a expor look no MET de Nova Yorque

Antes de eternizar o vestido Corset Anatomia, a paulistana Renata Buzzo foi criticada por ser conceitual

20 de Maio de 2026

Estilista Renata Buzzo diante de sua criação escolhida para ser eternizada no museu novaiorquino

Estilista Renata Buzzo diante de sua criação escolhida para ser eternizada no museu novaiorquino

Foto Ana Cruz

O look mais comentado do momento é o Corset Anatomia, da agora também badaladíssima estilista paulista Renata Buzzo. A peça foi escolhida para fazer parte da exposição Costume Art, em cartaz no Costume Institute, espaço abrigado no Museu Metropolitano de Arte (MET), em Nova York. A exposição fica por lá até janeiro de 2027.  

O Corset Anatomia é um vestido que exibe os órgãos, as vísceras em detalhes acolchoados de tecido delicado, como se o corpo feminino fosse dissecado tal e qual uma autópsia. A peça faz parte da coleção Corpo, exibida na edição da São Paulo Fashion Week 2024. Dessa coleção foram adquiridas pelo MET outros dois vestidos: o de vísceras e outro com o sistema digestivo aparente. Os três looks farão parte do acervo permanente do MET.  

Para Renata, ter criações integrando um acervo permanente de uma instituição comandada pela poderosa editora e jornalista Anna Wintour e curada por Andrew Bolton é uma legitimação das mais honrosas. Tão honrosa que não tem preço. Não mesmo. Tanto que a estilista preferiu doar os looks em vez de vendê-los. “As peças entram para o sistema de conservação vitalício do museu. Será preservada para a posteridade”, anima-se a estilista. Motivo mais que sensato para a doação.

A atitude caiu muito bem para a estilista, já que o MET teve como patrocinador Jeff Bezos - ninguém menos que o dono da Amazon, acusado de impor políticas trabalhistas insalubres em sua empresa, e de ser ligado ao presidente norte-americano Donald Trump. E tem mais: é a Amazon quem fornece os serviços tecnológicos do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, ou seja, o dedo-duro dos imigrantes.  

A repercussão também caiu como luva, e de pelica, aquela perfeita para dar um troco elegante. Explico: os três looks agora tratados como obras de arte da moda vieram da coleção Corpo, apresentada na edição da São Paulo Fashion Week (SPFW) de novembro de 2024. Na época, não houve nem de perto o buruçu em torno das criações de Renata, que agora vive com a mídia no seu encalço. Pelo contrário: Renata foi convidada a se retirar da semana de moda mais famosa do país por ser considerada conceitual demais. É por atitudes como essa que moda e arte ainda não são sinônimos. 

COLEÇÃO CORPO
Vísceras para fora do corpo (pulmão, coração, intestino, útero) em detalhes acolchoados. Sangue escorrendo do nariz ou em forma de tiras de tecido saem dos cadáveres-modelos que se levantam da mesa de autópsia e desfilam. Os tecidos são delicados: chiffon de seda, cetim, renda, tule em tons esmaecidos de nude, rosa clarinho, branco. A silhueta é justa ao corpo. Peças fetichistas do guarda-roupa feminino não causam desejo, mas repulsa. O corpo feminino incomoda quando não silencia. Mostra o que sente.