Os sabores da Páscoa
No Nordeste, o peixe, o coco e o bredo são ingredientes indispensáveis num menu da Semana Santa
24 de Março de 2026
Foto Imagem criada pelo Copilot IA
Os cristãos comemoram, no primeiro domingo de abril próximo (dia 5), a festa da Páscoa, celebração da renovação da fé em memória do sacrifício e ressurreição de Jesus Cristo. Católicos fiéis à tradição abstiveram-se de comer carne vermelha no início da Quaresma,
iniciada na Quarta-feira de Cinzas e devem repetir o jejum na Sexta-feira da Paixão, numa preparação espiritual para a Páscoa. A maioria das famílias, ao redor da mesa, muda os hábitos e prepara um menu especial para celebrar a data. O peixe, um dos principais símbolos do cristianismo, torna-se protagonista de almoços e jantares. A carne vermelha, dos animais de sangue quente, é evitada na Páscoa por estar associada a banquetes e farturas. Sua abstinência é um sinal de luto pelo sangue derramado de Cristo ao ser crucificado.
O peixe possui vários significados.Por ser um alimento mais acessível, representa a humildade e a simplicidade. Nos primórdios do cristianismo, era um símbolo cifrado para os fiéis. O termo grego Ichitys (peixe, em grego) é um acrônimo para Iēsous Christos Theou 'Yios Sōtēr ("Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador"). Ao consumir peixes, os cristãos também se lembram dos milagres de Jesus, que multiplicou pães e peixes e transformou água em vinho.
A Páscoa cristã nasce de uma tradição ainda mais antiga: o Pessach judaico. A festa hebraica recorda a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito e mantém viva, geração após geração, a consciência de que a liberdade exige compromisso com a justiça. O cordeiro sacrificado, o pão sem fermento e o vinho compõem um ritual que celebra a passagem — do cativeiro para a vida nova. Para os cristãos, Jesus é assumido como o “cordeiro pascal”, e a Última Ceia, celebrada na Quinta-Feira Santa, atualiza essa herança ao instituir o pão e o vinho como sinais de sua presença.
Uma passagem da celebração da Páscoa na Bíblia é narrada em Crônicas 30, 1-17. O rei Ezequias toma a decisão de restaurar a celebração da Páscoa em Jerusalém, convidando todo o Israel e Judá, mesmo após o prazo legal (segundo mês) devido à falta de purificação dos sacerdotes. A celebração marcou um retorno a Deus, superando divisões e impurezas cerimoniais, com o sacrifício do cordeiro.
No Brasil, a tradição religiosa da Páscoa se entrelaçou com a diversidade culinária do país, resultando em cardápios variados durante a Semana Santa. Cada região imprime sua identidade à celebração: no Nordeste, o leite de coco dá sabor a pratos típicos como moqueca, peixe ao molho, bobó e arroz de coco. As receitas, muitas vezes passadas de geração em geração, combinam peixe fresco, temperos marcantes e a doçura regional.
No Norte, peixes como pirarucu e tambaqui são preparados em caldeiradas ou assados. No Sudeste, a influência portuguesa se faz presente com bacalhau e frutos do mar. Já no Sul, a tradição privilegia peixes de água doce, como traíra e carpa, geralmente acompanhados de batatas e legumes.
Menu para a Sexta-feira da Paixão
Caldo de peixe (entrada quente)
1kg de cabeça de peixe (cioba, dentão, vermelho, garoupa, camurim ou linguado)
1 cebola grande picada
3 dentes de alho cortado em lâminas
2 folhas de louro
1 ramo de alecrim
2 ramos de tomilho fresco (ou 2 colheres de chá de tomilho seco)
50 gramas de salsão picado grosseiramente
⅓ xícara de coentro picado
1 cenoura média em rodelas
2 tomates maduros cortados em canoas
1 colher de vinagre de vinho branco
2 litros de água fervendo
2 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
sal e pimenta branca a gosto
Em uma panela,regue-se o fundo com o azeite e refogue a cebola com o alho por dois minutos, em fogo médio. Acrescenta a cabeça de peixe e a cenoura, continue refogando por mais dois minutos. Coloca-se os demais ingredientes e o vinho branco. Mexe e remexe. Acrescente a água fervendo e deixe cozinhar por 30 minutos, em fogo baixo. Adicione-se o coentro, o sal e a pimenta do reino branca a gosto. Deixar abafado com a tampa por 5 minutos.
Passar o caldo do cozido numa peneira.
Retirar a cabeça do peixe e desfiar a carne, livrando-se dos espinhos, ossos e cartilagens.
Servir ainda quente.
Cuca de maçã
Massa
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1½ xícara (chá) de açúcar
3 ovos
50 g de manteiga em temperatura ambiente (cerca de 3 colheres de sopa)
¾ de xícara (chá) de leite
1 colher (sopa) de fermento em pó
manteiga e farinha de trigo para untar e polvilhar a assadeira
2 maçãs grandes em rodelas
Farofa
¾ de xícara (chá) de açúcar
¾ de xícara (chá) de farinha de trigo
50 g de manteiga gelada
1 colher (chá) de canela em pó
Num bowl, misture os ingredientes da farofa. Reserve.
Numa tigela da batedeira, coloque a manteiga e o açúcar e bata progressivamente para mesclar os ingredientes, até formar uma farofa úmida. Em velocidade baixa para média, acrescente, um a um, os ovos, e bata por 2 minutos.Incorpore, intercalando aos poucos, nesta ordem, o leite e a farinha de trigo.Depois de incorporados à massa, coloque o fermento e mexa com a espátula, delicadamente.
Transfira para uma assadeira média (32cm x 22cm), untada e polvilhada com farinha de trigo. Coloque as bananas em rodelas por
cima da massa. Polvilhe com a farota.
Leve ao forno pré-aquecido a 180º por 40 minutos ou até a massa dobrar e a farofa ficar dourada.
Bolinho de bacalhau
1 pacote de bolinhos de bacalhau
¾ xícara de azeite de oliva extra-virgem
¼ xícara de coentro picado
Bater o azeite com o coentro no mixer ou liquidificador
Pincelar a mistura em todas as faces dos bolinhos de bacalhau ainda congelados
Dispor numa assadeira
Aquecer o forno a 180º
Fritar os bolinhos por 24 minutos, virando de lado a cada 8 minutos, até ficar dourados
Servir com azeite e molho de pimenta
Salada mediterrânea
3 tomates maduros
1 pepino comum
1 cebola-roxa pequena
100 g de queijo feta de ovelha ou cabra em peça ou coalhada seca
⅓ de xícara (chá) de azeitona preta em fatias, sem caroço
azeite a gosto
⅓ de xícara de folhas de hortelã
sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
Corte os tomates em oito. Tire a parte branca e as sementes. Coloque na peneira e polvilhe com sal para desidratar por 30 minutos.
Pique a cebola roxa em cubos médios e coloque na água com gelo até a hora de montar a salada.
Arranhe a casca do pepino no sentido do comprimento. Corte ao meio no mesmo sentido, e depois em rodelas de meia lua.
Corte o queijo feta em cubos médios
Junte os ingredientes numa tigela e mescle. Regue com azeite. Acrescente a pimenta moída na hora e corrija o sal.
Peixe de coco
1,5 kg de filé de linguado ou pescada amarela (opção: 2gk de cioba ou pargo)
2 cebolas em rodelas finas
4 dentes de alho em fatias finas
3 batatas em rodelas médias
1 pimentão amarelo em rodelas, livre dos brancos internos
3 tomates san marino em rodelas
2 colher de sopa de passata rústica
2 folhas de louro
350 g de coco fresco ralado
1 l de água
coentro o quanto baste
sal e pimenta do reino a gosto
Em fogo médio, colocar na panela 500 ml de água. Quando estiver morna, quase fervendo, colocar o coco ralado e mexer devagar por 3 minutos.
Passar no liquidificador e peneirar. Reservar.
Pré-cozinhar a batata por 5 minutos em 500 ml de água. Reservar e guardar a água do cozimento.
Em uma panela funda, refogar a cebola, o alho e o pimentão. Acrescentar a batata, o louro e o tomate, forrando o fundo. Colocar os filés de peixe por cima. Cobrir com a água e o leite de coco peneirado. Acrescentará a passata, o coentro, o sal e a pimenta do reino branca.Cozinhar por 10 minutos em fogo médio. Revolver com cuidado para não despedaçar os filés, mesclando os ingredientes. Deixe cozinhar por mais dez minutos.
Servir numa travessa larga e funda com vegetais por cima.
Feijão de coco
500g de feijão preto
1 cebola
2 dentes de alho
2 colheres de sopa de azeite
2 tomates sem pele e semente
2 colheres de sopa de passata
coentro e cebolinha o quanto baste
1 folha de louro
500 de coco ralado
sal a gosto
Colocar o feijão de molho na véspera. No dia seguinte, lavar o feijão e colocar para cozinhar com a água, o sal e o louro na panela de pressão, por 30 minutos. Refogar o alho,a cebola, o tomate, o coentro, a cebolinha. Acrescentar no feijão e cozinhar por mais 15 minutos. O ideal é o feijão ficar com pouco caldo, depois de cozido.
Em fogo médio, colocar na panela 500 ml de água. Quando estiver morna, quase fervendo, colocar o coco ralado e mexer devagar por 3 minutos. Passar no liquidificador e peneirar.
Retirar as folhas de louro. Colocar o feijão no liquidificador e bater com 250 ml de leite de coco por 3 minutos ou até o feijão virar um caldo grosso.
Voltar para a panela o feijão e ir adicionando aos poucos o leite de coco restante, mexendo sempre, até engrossar.
Servir quente.
Quibebe
500 g de jerimum de leite
150 ml de leite de coco natural
1 colher de sopa de azeite
sal a gosto
Cozinhar o jerimum e escorrer. No processador, bater o jerimum. Acrescentar o leite de coco até ficar homogêneo. Adicionar o azeite e o sal. Servir.
Bredo de coco
Ingredientes:
1 maço de bredo (folhas bem lavadas)
300ml de leite de coco fresco
1 cebola picada
2 dentes de alho
1 tomate
1/2 pimentão vermelho
3 colheres de sopa de azeite
Suco de 1/2 limão
Coentro, cebolinha, sal, pimenta do reino a gosto
Lavar em água corrente as folhas de bredo. Deixar repousar por cinco minutos numa tigela com água suficiente para cobrir e suco de meio limão.
Escorrer bem as folhas. Secar com toalha de papel e reservar
Numa frigideira, refogar o alho, a cebola, o tomate e o pimentão no azeite.
Agregar o bredo, leite de coco e cozinhar por 10-15 minutos até reduzir e encorpar.
Acrescentar a cebolinha, o coentro e a pimenta. Cozinhar por mais dois minutos e servir.