Janela anuncia a programação da 17ª edição
Festival Janela Internacional de Cinema do Recife estreia na quarta-feira (28), no Cinema São Luiz, e segue até 1º de novembro, com 31 filmes
26 de Outubro de 2026
Premiado "A Margem do Rio" (2026), de Matheus Farias e Enock Carvalho
Foto Divulgação
A 17ª edição do Festival Janela Internacional de Cinema do Recife estreia na próxima quarta-feira (28), a partir das 17h, no Cinema São Luiz. Foram selecionados 31 filmes, entre longas-metragens e curtas-metragens, nacionais e internacionais, e uma série, com a curadoria do cineasta e diretor Kleber Mendonça Filho e do programador, crítico e pesquisador Pedro Azevedo Moreira.
Neste ano, estão programadas 15 produções do estado, entre curtas e longas-metragens, restaurações clássicas e títulos contemporâneos. À Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho, Yellow Cake, de Tiago Melo, Cão Sem Plumas, de Camila Valença, Vivo 76, de Lírio Ferreira, Coração de Lona, de Tuca Siqueira, e a série Delegado, de Marcelo Lordello e Leonardo Lacca, são algumas dessas produções que se destacaram no circuito de festivais recentemente, como Locarno, Biarritz, Brasília, Rio e Mostra de São Paulo.
Jomard Muniz de Brito, escritor e cineasta, que morreu recentemente, é celebrado com a exibição de dois de seus curtas-metragens: Amanhecendo, em codireção com Rucker Vieira, e Imitação da Vida. Ambos em cópias restauradas a partir dos originais em Super-8, uma parceria com a Cinelimite. Também em cópia restaurada, numa realização do Janela com supervisão de Débora Butruce, será exibido o curta-metragem That's a Lero Lero (1994), de Lírio Ferreira e Amin Stepple, filme que aborda a vinda do cineasta norte-americano Orson Welles ao Recife nos anos 1940.
A seleção de longas-metragens estrangeiros inéditos traz a segunda exibição na América Latina de Tudo pode ser visto, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim. A grade internacional conta ainda com as exibições de Once Upon a Time in Harlem (William Greaves e David Greaves), La Gradiva (Marine Atlan), Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Bruno Santamaría Razo), Club Kid (Jordan Firstman), Paper Tiger (James Gray) e Iron Boy (Louis Clichy). A cineasta francesa Céline Sciamma também integra a programação com o inédito Tutti Frutti, média-metragem comissionado pelo Centre Pompidou, que terá a primeira sessão no continente durante o festival.
Em uma colaboração inédita com o New York Film Festival, o Janela apresenta uma sessão especial da mostra Spotlight Shorts, reunindo trabalhos de cineastas do Brasil, Colômbia, Palestina, China e França. A seleção inclui os curtas Masao Adachi Takes a Passport Photo (Kamal Aljafari), Una Película Robada (Camilo Restrepo), Torino Shadow (Jia Zhangke), South of Tehran (Kleber Mendonça Filho) e Pier Paolo Pasolini - Agnès Varda - New York - 1967 (Agnès Varda).
Clássicos – Maracatu, Maracatus, de Marcelo Gomes, em nova restauração 4K, e Luciana, a Comerciária, de Mozart Cintra, em cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira, estão entre os destaques de clássicos nacionais. Este último, em sessão especial acompanhado de uma entrevista inédita gravada em 2003 por Kleber Mendonça Filho com Celeida Cintra, esposa, codiretora e responsável pela guarda de uma cópia de Luciana durante 50 anos. Entre os internacionais, destaque para Os Demônios (The Devils), clássico de horror dos anos 1970 dirigido por Ken Russell, antecedido pelo curta-metragem belga inédito Melk (Filip Anthonissen).
“Essa talvez seja a programação mais compacta do Janela, e até por isso está muito concentrada. Todos os dias são sessões muito fortes. O fato de todas as sessões serem no São Luiz cria um clima charmoso, de um grupo de pessoas que estão compartilhando filmes marcantes, atuais e de arquivo, como o That’s a Lero Lero, de Lírio Ferreira e Amim Stepple, que foi uma restauração que o Janela fez, e Os Demônios (The Devils), de Ken Russell”, destaca Kleber Mendonça.
Para Pedro Azevedo, a presença dos curtas e a forma como estão programados, misturados entre nacionais, estrangeiros, clássicos e contemporâneos, é um dos pontos positivos deste ano. “Arriscamos criar relações intuitivas entre os filmes. A inclusão dos curtas foi bastante processual nesse sentido, íamos entendendo o que fazia sentido com o quê, na medida em que a grade ia sendo construída”, afirma o programador.
O Janela Internacional de Cinema do Recife é uma realização da Cinemascópio. Neste ano, o festival tem patrocínio da Fundação Itaú e apoio da Cinemateca Brasileira. Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux respondem pela direção artística. A produção é de Dora Amorim e Juliana Soares. A Janela Crítica, parte formativa, presente desde o início do festival, em 2008, este ano promove as oficinas O Corpo Negro no Cinema e O Cinema com Raiva, ambas coordenadas pelo cineasta, escritor e roteirista Dodô Azevedo. As oficinas têm como público alvo pessoas interessadas na prática da crítica cinematográfica.
SALA IMERSIVA
O Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano - Cena e a Sala Imersiva Geraldo Pinho, localizadas no 1º e no 2º andar do Cinema São Luiz, estarão abertas ao público também durante o Janela. O Cena oferece uma viagem pela história do cinema pernambucano a partir de objetos de época, videoinstalações, arquivos de filmes, entrevistas de personalidades da arte e da cultura pernambucana, acervo de cordéis, partituras e fotografias. E a sala Geraldo Pinho faz uma homenagem a esse programador fundamental do cinema brasileiro, levantando a pauta dos cinemas de rua.
SERVIÇO
17º Janela Internacional de Cinema do Recife
Onde: Cinema São Luiz (Rua da Aurora, nº 175 – Boa Vista, Recife/PE)
Quando: 28 de outubro a 1º de novembro
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia). A venda antecipada estará disponível no perfil do Instagram do cinema São Luiz @cinemasaoluizpe ou pelo site www.ingressosfundarpe.com.br A bilheteria presencial abrirá sempre 1 hora antes das sessões
Mais informações: @janeladecinema