Cinema

Filme de Alceu Valença abre mostra gratuita de cinema em Amaraji

As exibições de curtas e longas-metragens serão realizadas debaixo de uma lona de circo na Capela de Santo Amaro

27 de Agosto de 2026

Hermila Guedes e Irandhir Santos interpretam Maria Bonita e Lampião no filme dirigido pelo cantor Alceu Valença

Hermila Guedes e Irandhir Santos interpretam Maria Bonita e Lampião no filme dirigido pelo cantor Alceu Valença

Foto Divulgação

A Luneta do Tempo, filme dirigido pelo cantor e compositor Alceu Valença, abre a programação de longas-metragens da 5ª edição do Festival Cinema na Mata - Curta a Palavra, na noite desta quinta-feira (27/8). Com uma hora e 39 minutos de duração, a película é estrelada por Irandhir Santos e Hermila Guedes, nos papéis de Lampião e Maria Bonita. O festival é uma iniciativa da cineasta Clara Angélica e da produtora Jô Conceição, na cidade de Amaraji, localizada na Zona da Mata Sul de Pernambuco, a 96 km do Recife.

“Fiquei muito feliz de saber que esse trabalho, tão especial na minha trajetória, seria exibido em Amaraji. Foi num engenho na Zona Rural da cidade que eu fiz o meu primeiro trabalho em cinema, o curta O Pedido, de Adelina Pontual, com a maravilhosa Geninha da Rosa Borges”, declara Hermila Guedes. As atividades começam a partir das 19h, com a exibição dos curtas Quem Semeia Lixo Colhe Inundação, de Anninna Dias e Céu, e Cidade Apagada: Declínio da História, de Ana Paula, Gerlany Barros, Lóren Stayner e Márcio Meira.

Para receber o público, na mostra de cinema gratuita de Amaraji, foi instalada uma lona de circo na Capela de Santo Amaro (Rua João Alexandre da Silva, no bairro de Santo Amaro). Na sexta-feira (28/8), a programação é dedicada às crianças e começa mais cedo, às 16h, com Salu e o Cavalo Marinho, de Cecília da Fonte, As Aventuras de Pety, de Anahí Borges, O Menino que Sabia Voar, de Douglas Alves Ferreira, e Quintal, de Mariana Netto.

A partir das 19h, serão projetados dois curtas, começando por De Criança a Idoso: Todo Mundo Acorda Povo, de Lóren Stayner, que conta a história do Acorda Povo, manifestação cultural que atravessa gerações e transforma as ruas de Amaraji em um grande cortejo de memória, identidade e celebração. Em seguida, é a vez de Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique, sobre a surpreendente falência de uma loja do McDonald's. A noite termina com o documentário Buenos Aires, de Tuca Siqueira, sobre a cidade do Agreste pernambucano que leva o mesmo nome da capital da Argentina.

No sábado (29/8), último dia do festival, o Cinema na Mata apresenta, a partir das 19h, o premiado longa-metragem O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, indicado em quatro categorias ao Oscar 2026. Compõem o elenco Wagner Moura (protagonista), Hermila Guedes (foto acima/divulgação), Robério Diógenes, Maria Fernanda Cândido, Fafá Dantas, Tânia Maria e Fabiana Pirro.

“A primeira vez que estive em Amaraji foi atuando como atriz, dentro da programação do Fliamar, com #MedusaMusaMulher. Agora, volto como apresentadora. Será uma honra ser porta-voz deste projeto tão importante, que leva grandes filmes de forma gratuita para a população desta cidade que tanto valoriza a cultura e que sabe da importância do cinema para despertar o olhar crítico sobre a nossa própria história”, declara Fabiana Pirro, mestre de cerimônia da mostra.

Antes do Cinema na Mata, Clara Angélica e Jô Conceição realizaram duas edições do Livros Andantes, projeto de leitura que levava aos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), nos caçuás dos jumentos, livros de autores nacionais, para formar bibliotecas comunitárias. “A partir daí, pensamos em como apresentar a literatura utilizando outro suporte, mostrando que filmes podem ser adaptados dos livros”, diz Clara Angélica.

“A primeira edição gerou uma expectativa muito grande na equipe porque, além das exibições, estávamos trazendo oficinas com formações totalmente desconhecidas: stop motion e cineclubismo. Ao mesmo tempo, havia uma tranquilidade porque Amaraji tem essa característica de acolhimento, de hospitalidade. E foi uma experiência extremamente exitosa e proveitosa. O envolvimento das pessoas, tanto na Zona Rural como na cidade, foi impressionante. Procuramos criar uma ambiência lúdica, montando a sala de cinema sob a lona do circo”, recorda a cineasta.

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