Cinema

Cinema Queer: 5 filmes para assistir no mês do orgulho

O 28 de junho marca o calendário com o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+ em homenagem a Revolução de Stonewall

TEXTO Laura Machado

12 de Junho de 2026

Na Nova Iorque de 1969 já existiam uma diversidade de bares e pubs gays espalhados pela cidade e no bairro de Greenwich Village, em Manhattan, ficava localizado o Stonewall Inn. No dia 28 de junho daquele ano, as autoridades foram até o bar para realizar uma de suas habituais batidas policiais em locais frequentados pela comunidade LGBTQIAP+, mas diferente das outras vezes, os clientes e trabalhadores do estabelecimento se revoltaram com a discriminação e se recusaram a aceitar o tratamento hostil. 

Ali deu-se origem a uma confusão enorme, onde a violência policial foi utilizada contra uma população já maltratada pela sociedade, mas que atingiu o limite. Em dias subsequentes ao acontecimento, milhares de pessoas foram às ruas clamando pela liberdade sexual e pelos direitos da população queer da cidade e dos Estados Unidos no geral. 

Esse movimento recebeu o nome de Revolução de Stonewall em homenagem ao estabelecimento onde tudo começou e a revolta é considerada um marco de extrema importância para a luta pelos direitos civis da população LGBTQIAP+. 

Quase 60 anos depois, muitas transformações já foram realizadas nas leis dos EUA e do restante do mundo, mas membros da comunidade gay ainda sofrem com o preconceito. De acordo com o jornal americano The Week, em um total de 65 países ao redor do globo ainda é ilegal ser homossexual.

No Brasil, a “homossexualidade” foi retirada do catálago de doenças do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) em 1985, apenas a partir de 2013 duas pessoas do mesmo sexo puderam se casar oficialmente e foi só no ano de 2020 que homens bissexuais e homossexuais passaram a poder doar sangue. 

É por toda essa longa história de luta para de conquistar direitos que deveriam ser universais que a data de 28 de junho é marcada no calendário global como o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+.

Para celebrar a data, a revista Continente separou uma lista com 5 obras de audiovisual que possuem a temática LGBT como parte essencial de sua trama, além de personagens de diferentes identidades e sexualidades. Confira a lista completa:

Happy Together (1997)

Dirigido pelo cineasta chinês radicado em Hong Kong, Wong Kar-wai, este longa-metragem é considerado um filme essencial para todos os amantes da sétima arte. Cheio de detalhes e sutilezas, Happy Together conta a história do casal Ho Po-Wing e Lai Yiu-Fai, que viajam para a Argentina mas acabam sem dinheiro para voltar para casa. 

Mostrando o conturbado dia a dia do relacionamento amoroso entre os dois homens, o filme ganhou destaque internacionalmente e Kar-Wai chegou a receber o prêmio de Melhor Diretor no festival de cinema de Cannes. 

Moonlight (2016)

Outro filme muito premiado que traz personagens gays como protagonistas é Moonlight, o vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2017, se tornando o primeiro com temática LGBT e com elenco totalmente negro a receber a honraria (ano em que os apresentadores anunciaram La La Land como grande vencedor erroneamente). 

A obra que recebeu o subtítulo “Sob a Luz do Luar” no Brasil, acompanha três diferentes fases na vida de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre na cidade de Miami, nos EUA. Com a vida marcada pelo bullying e pelo fácil acesso a drogas, ele passa por um processo de entendimento sobre si mesmo, suas escolhas e identidade.

Retrato de Uma Jovem em Chamas (2019)

Na França do século XVIII, Marianne é uma artista que recebe uma encomenda para pintar o retrato de noivado de Héloise, uma mulher que acabou de voltar do convento e que não está satisfeita com o casamento iminente. Com a recusa de posar para a pintura, Marianne passa a observar a outra mulher com cuidado a fim de pintá-la a partir da memória, mas a relação entre elas passa a se tornar mais próxima.

Com a direção e roteiro da cineasta Céline Sciamma, o filme foi aclamado pela crítica especializada e também pelos espectadores pela forma honesta e bonita em que o longa retrata a paixão entre as duas mulheres.

Paloma (2022)

Aqui, toda a trama da obra se passa em uma cidadezinha no interior de Pernambuco, onde a mulher transexual Paloma deseja se casar com o namorado de maneira tradicional: usando vestido branco, véu e grinalda e, é claro, dentro da igreja da cidade.

A partir dessa vontade romântica, se desenrola o filme do diretor Marcelo Gomes. Depois de sua estreia no Festival de Cinema de Munique, Paloma foi o grande vencedor do Festival de Cinema do Rio e do Prêmio Félix de Cinema Brasileiro. 

The Handmaiden (2016)

Park Chan-wook é um dos mais importantes diretores sul coreanos da atualidade e além da “trilogia da vingança” composta por Mr. Vingança (2002), Oldboy (2003) e Lady Vingança (2005), em 2016 ele lançou The Handmaiden, uma obra com grande aclamação e favorita de vários admiradores do cineasta.

O filme é inspirado no romance vitoriano Fingersmith e conta a história da sul-coreana Sook-hee, a nova contratada para a posição de criada de Hideko, uma rica herdeira japonesa. A jovem empregada, porém, esconde da mulher suas verdadeiras intenções.

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