Artes Visuais

Roberto Ploeg apresenta “Silvas e Selva”

Exposição que celebra sua relação com o povo e a natureza da zona rural de Olinda abre ao público no dia 7 de novembro, no Instituto Ploeg, reunindo 23 pinturas a óleo inéditas

06 de Novembro de 2026

"A fila do Cosme e Damião", de Roberto Ploeg

Foto Divulgação

Nos 35 anos em que vive com sua família no Sítio Ouro Verde, na área rural de Olinda, Roberto Ploeg viu pessoas nascerem, árvores crescerem, paisagens se transformarem com o avanço da urbanização e a organização comunitária ganhar força, especialmente pelo protagonismo das mulheres que sustentam a vida cotidiana da comunidade. Em Silvas e Selva, o artista reúne esses elementos em uma exposição formada por pinturas a óleo que retratam moradores e a natureza da região. A mostra abre ao público no sábado (7), às 14h, no Instituto Ploeg, localizado no bairro da Boa Vista, na área central do Recife. 

Os quadros concebidos para a exposição são fruto das reflexões de Ploeg sobre sua relação com Pernambuco e com o Brasil. Nascido em 1955, em Valkenburg aan de Geul, na Holanda, ele veio ao Recife em 1979 para realizar um mestrado em Teologia da Libertação. Ao lado da companheira, Eliana, também formada em Teologia, atuou durante anos em Comunidades Eclesiais de Base e pastorais populares no Nordeste. No final dos anos 1980, o casal passou a desenvolver iniciativas de educação popular por meio de organizações da sociedade civil, atuação que permanece como parte importante de sua trajetória.

Em abril de 2026, após sofrer um infarto, Ploeg passou a olhar de maneira ainda mais atenta para sua trajetória e para os vínculos que estabeleceu com o lugar onde vive. O episódio intensificou suas reflexões sobre a relação com aquela terra e com as pessoas que fazem parte dela. “Em muitas medidas, a exposição é uma retrospectiva da minha vida”, afirma.

O artista chegou ao Sítio Ouro Verde em 1991. Na época, a região de Olinda ainda era pouco urbanizada. Desde então, acompanhou as transformações da paisagem, o crescimento das comunidades e o avanço do desmatamento. Ao mesmo tempo, ele e sua família estreitaram os laços com os moradores do entorno, participando de iniciativas coletivas, como a criação de uma cozinha comunitária, e promovendo ações junto à população, de atividades de formação artística a celebrações. 

Foi também em Olinda que Ploeg se aproximou das artes visuais. Depois de frequentar cursos em instituições culturais do Recife e de Olinda, começou a se dedicar profissionalmente à pintura em 1996. Com uma prática que dialoga com a tradição da pintura, trabalha com tinta a óleo sobre tela e estabelece relações com a história da arte por meio de citações, apropriações e releituras. Em Silvas e Selva, esse olhar se volta para uma paisagem feita de árvores e rostos, mas também de memórias e experiências compartilhadas.

Algumas das plantas foram semeadas pelo próprio artista e por sua família. Nas telas, as transformações da natureza evocam a passagem do tempo e a experiência de acompanhar os ciclos da vida, presentes nos sapotizeiros, nas mangueiras, nos flamboyants e nos cajueiros pintados por ele. Pela primeira vez, Ploeg retratou também coqueiros. “É muito forte você ver um ser nascer, crescer e morrer”, diz.

Mas a paisagem não se resume à vegetação. Não por acaso, o título evoca um jogo de palavras que aproxima poeticamente os dois eixos trabalhados por Ploeg. Em latim, silva significa floresta, bosque ou selva. No Brasil, Silva é também o sobrenome mais comum do país. A passagem do tempo está presente, assim, tanto nas árvores quanto nas pessoas de sobrenome Silva, sobretudo nas mulheres, que construíram seus lares e histórias naquela área. 

Nas telas, Ploeg captura cenas cotidianas, como uma pequena passista dormindo após a folia, uma mãe com seus rebentos, uma moça mexendo no celular ou a fila de mães e crianças no Dia de Cosme e Damião. Seu apreço pelo retrato está ligado ao interesse pela experiência humana: “A figura humana é minha paisagem preferida”, pontua.

Além das pessoas e plantas do entorno do Sítio Ouro Verde, outros espaços importantes na trajetória do artista aparecem nos quadros, como o Instituto Ploeg, instalado em um casarão na Boa Vista, no centro do Recife. Mantido pelo artista desde 1999, o espaço tem uma longa história ligada à educação popular e aos movimentos sociais e, desde 2024, funciona como ateliê, local de realização de cursos de artes e de exposições.

“Meu método criativo e, por sinal, método de ensino de arte é baseado num tripé: observar, absorver, imaginar. A gente parte da observação da realidade, com atenção e afeto. A absorção é um processo pessoal e íntimo de integração dos sentidos. Tudo isso para alimentar a nossa imaginação, nosso poder de criar imagens. Trata-se de um paradoxo: quanto mais a gente observa a realidade e toma tempo para absorvê-la, mais a gente imagina e cria”.

SERVIÇO
Exposição Silvas e Selva, de Roberto Ploeg
Onde: Instituto Ploeg (Rua da Santa Cruz, nº 190, Boa Vista)
Quando: Abertura: 07 de novembro, das 14h às 18h. Visitação gratuita: terças, quartas, sextas e sábados, das 9h às 16h; quintas-feiras, das 9h às 17h, até 19 de dezembro
Informações e acesso ao catálogo virtual: (81) 9961-5489
Instagram: @atelier_ploeg e @institutoploeg

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