Narrativas femininas em Tereza Costa Rêgo
Exposição Sem Concessões começa nesta terça-feira (24), às 19h, na Caixa Cultural, no Bairro do Recife
TEXTO Carol Botelho
20 de Março de 2026
Questões contemporâneas como o aprisionamento e a liberdade feminina se mostram na obra de Tereza Costa Rêgo
Foto Daniel Rozowykwiat/Divulgação
A obra da artista visual olindense Tereza Costa Rêgo ganha novo olhar na exposição Sem Concessões. A mostra com 34 trabalhos da artista plástica é inaugurada na terça-feira (24), às 19h, na Caixa Cultural Recife, novamente sob o olhar da curadora Denise Mattar - que assinou curadoria de outra expo sobre Tereza, em 2022, na Galeria Marco Zero.
Mas desta vez Denise se volta para a produção da artista modernista durante o tempo em que frequentou a Oficina Guaianases, assim que retornou do exílio imposto ao marido Diógenes de Arruda Sampaio, dirigente do Partido Comunista. “Fazemos esse percurso de Tereza rumo à libertação”, resume Denise, lançando os olhos para a Oficina Guaianases como ação precursora na arte brasileira.
A curadoria opta, portanto, pelas telas em que Tereza exibe mulheres sempre atrás das grades ou das janelas de treliça dos antigos casarões olindenses. “Todo esse trabalho expressa um pouco como ela se sentia aprisionada, encarcerada. A palavra é essa”, diz Denise, em entrevista à Continente. A produção em litogravura descamba para uma produção em pintura, que também retrata essas mulheres presas, como em “Emparedada da Rua Nova II” (2009).
Denise mostra o ponto de transição das mulheres extremamente sensuais de Tereza. É quando surge a maçã, “esse elemento sempre associado à transgressão”. A maçã aparece perto da Eva, até que ela morde o fruto e dele sai sangue, como diz Denise. “Há uma obra na exposição que expressa exatamente isso. A partir do momento em que ela morde a maçã, você se encontra com a segunda produção da Tereza, na qual ela retrata as mulheres muito mais livres, muito mais sensuais. Você sente essa sexualidade presente e liberta”, explica a curadora, ressaltando o caráter vanguardista de Tereza na questão da liberdade feminina. “Tereza, mulher fora de seu tempo, conseguiu tratar questões candentes como sexo e política, e antecipou em décadas questões identitárias e de apagamento social”. Mesmo assim, Tereza ainda não é devidamente conhecida e reconhecida fora de Pernambuco. Uma falha que dá seus primeiros passos para ser sanada com a ida dessa mostra, após temporada no Recife, para Salvador e São Paulo. “Será um primeiro passo que, espero, abra portas para uma retrospectiva”.
SERVIÇO
Exposição Tereza Costa Rêgo - Sem Concessões
Onde: Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Recife)
Quando: Abertura na terça-feira (24/3), às 19h. Visitação: De 25 de março a 21 de junho de 2026. Horários: terça a sábado, das 10h às 20h (última entrada às 19h45); domingos e feriados, das 10h às 18h (última entrada às 17h45)
Quanto: Entrada gratuita