Exposição de mulheres no artesanato
Com 200 obras, Terras Raras: Sagrado Feminino chega ao Shopping Tacaruna na quinta-feira (19) e segue aberta até 19 de abril
19 de Março de 2026
As artesãs Lenynha Tibúrcio, Mestra Neguinha de Belo Jardim, Nena Carvalho, Simone Souza e Carina Lacerda participam da exposição
Foto Hermes Costa Neto/Divulgação
No Mês das Mulheres, o Shopping Tacaruna recebe Terras Raras: Sagrado feminino, uma mostra que reúne obras de cinco pernambucanas, mestras no ofício de transformar o barro e a madeira em arte. As artesãs Carina Lacerda (Petrolina), Simone Souza (Buíque), Mestra Neguinha (Belo Jardim), Mestra Nicinha Otília (Alto do Moura/Caruaru) e Lenynha Tibúrcio (Tracunhaém) apresentam suas criações que transmitem as tradições, conhecimentos ancestrais e as técnicas passadas de geração em geração. Com a curadoria de Nena Carvalho, a exposição propõe um mergulho no universo dessas cinco mulheres que, além do ofício, têm em comum o fato de terem superado preconceitos e traçado um caminho próprio no Artesanato. A abertura acontece nesta quinta-feira (19), a partir das 10h, na Praça Olinda, no Shopping Tacaruna.
Terras Raras: Sagrado feminino fica em cartaz até 19 de abril, com visitação diária, no horário de funcionamento do shopping. Estarão expostas um total de 200 obras, que também estarão à venda com preços a partir de R$ 110,00. Revista em braille, com todas as informações da exposição, recursos de audiodescrição e peças táteis integram as acessibilidades à disposição do público, que também contará com duas visitas guiadas acessíveis, acompanhadas por intérprete de Libras nos dias 21 de março e 11 de abril às 16h30. A entrada é gratuita.
A exposição tem direção geral de Eric Valença, produtor à frente do projeto contemplado com o Fundo de Incentivo à Cultura do Governo de Pernambuco - FUNCULTURA PE, que englobou a estreia no Museu de Arte de Brasilia (MAB), em novembro de 2025, e a exposição no Recife, com o apoio cultural do Shopping Tacaruna.
“Quisemos contemplar todas as macrorregiões de Pernambuco e mostrar a produção que floresce nas terras antes dominadas por homens. “TERRAS RARAS traz um recorte do que a Região Nordeste tem de mais representativo”, destaca Valença. “As mulheres estão ressignificando o artesanato na região. Já são muitas, com um trabalho autoral, de muita identidade. Por questões logísticas, tivemos de escolher apenas cinco, mas não foi uma tarefa fácil. Digamos que estamos apresentando o sumo”, aponta a curadora Nena Carvalho.
Após anos trabalhando na curadoria do Centro de Artesanato de Pernambuco, entidade governamental que atua na divulgação e venda dos trabalhos de artesãos e artesãs pernambucanas, Nena Carvalho teve a oportunidade de conhecer toda a produção do estado e perceber, a partir da escuta, a urgência da sustentabilidade para a continuidade da artesania. “Existe muita dificuldade de conseguir a matéria-prima hoje em dia. Tanto a madeira como o barro têm seu tempo próprio, então é preciso estar em harmonia com a natureza para trabalhar com ela. Terras raras é um grito pela sustentabilidade e as mulheres têm um papel fundamental nesse movimento de repassar o conhecimento, que é transmitido naturalmente, pela oralidade, no dia a dia, em meio às tarefas da casa, no cuidado com os filhos. O sagrado feminino”, defende a curadora.
ACESSIBILIDADE – Cada artesã produziu uma obra tátil para apreciação das pessoas cegas e com baixa visão, que também terão à disposição o suporte audiodescritivo. As obras foram produzidas por encomenda da curadoria, que propôs um exercício a cada uma. “Eu pedi para elas fecharem os olhos enquanto trabalhavam na peça e pensassem no que gostariam de dizer para as pessoas”, conta Nena Carvalho.
VENDAS – O projeto tem também o compromisso de promover a venda das obras em exposição. Em um processo construído com confiança e transparência, cada mestra artesã definiu o valor de suas obras em comum acordo com a curadoria. Após as vendas, receberão integralmente o valor que atribuíram às obras, reafirmando o respeito à autonomia e à valorização do fazer artesanal. A compra das obras em exposição poderá ser feita presencialmente, direto com a equipe, no período da exposição, ou via plataforma de vendas.
AS ARTISTAS
Carina Lacerda – Natural de Petrolina, suas criações expressam reverência e cuidado com a Natureza. Transforma em arte os pedaços de madeira que o homem e a natureza descartam. Em suas mãos, cada fragmento transforma-se em obras delicadas, carregadas de respeito pelo meio ambiente. Da tradição do Vale do São Francisco, a artesã se apropriou da carranca e acrescentou seios, criando a Carranca de Peitos, obra manifesto contra a misoginia e o machismo estrutural.
Simone Souza - Artesã de Buíque, Simone é filha do povo indígena Kapinawá. Se expressa por meio de suas esculturas em madeira, onde cada traço revela histórias e sentimentos. Celebra o sagrado feminino e a generosidade da Mãe Terra, transformando a madeira esquecida em símbolos de força, beleza e conexão com a natureza. Em seu ateliê, no Vale do Catimbau, a artesã faz renascer a madeira descartada. Suas obras, muitas figurativas, retratam a mulher, a natureza e o sagrado.
Lenynha Tibúrcio – Natural de Tracunhaém, berço do barro, é filha de mestres artesãos. Desde criança tem contato com a cerâmica, mas só aos 23 anos se dedicou à arte. Suas obras nascem de sonhos. Cada peça é um abraço silencioso, um gesto de carinho que carrega histórias, sentimentos e a força das mulheres de Tracunhaém, mantendo viva a tradição da cerâmica e inspirando novas gerações.
Mestra Neguinha – Nascida em Belo Jardim, no Agreste pernambucano, desde os 7 anos carregava pequenos pedaços de argila para a mãe e a avó, onde saberes e fazeres eram transmitidos de geração em geração. Neguinha preserva técnicas tradicionais do artesanato indígena, moldando cada peça à mão e decorando-as com delicados desenhos feitos com pena de galinha e cores naturais da argila Tauá. Suas obras mais conhecidas são tamanduás, santos e as famosas cabeças.
Mestra Nicinha Otília - Artesã e poetisa do Alto do Moura, em Caruaru, Mestra Nicinha Otília vê o barro como fonte de criação, expressão e vida, chamando-o de “ouro negro”. Desde Criança, moldava seus brinquedos, inspirada pelo Mestre Galdino. Palestrante, escritora, mãe e integrante do Coletivo Flor do Barro, suas obras são pontes entre memórias, resistência e sonhos.
SERVIÇO
Exposição Terras Raras: Sagrado feminino
Onde: Shopping Tacaruna (Praça Olinda)
Quando: Abertura – Quinta-feira (19)
Visitas guiadas com intérprete de Libras: 21 de março e 11 de abril às 16h30
Acessibilidades: revista em braille, com todas as informações da exposição, exposição de peças táteis com recurso de audiodescrição, intérprete de Libras
Quanto: Entrada gratuita
Mais informações - @terrasraraspe (INSTAGRAM)