Lu Ferreira apresenta a exposição Tropeço do Passista, no Museu Regional de Olinda
Com curadoria de Elizabeth Bandeira, mostra abre ao público na sexta-feira (14/8), às 19h, com pinturas que abraçam o risco e o erro como ferramentas criativas
13 de Agosto de 2026
Foto Robson Lemos/Divulgação
Nas pinturas de Lu Ferreira, os gestos se movimentam em ritmos que oscilam entre o frenético e a pausa, como corpos que experimentam no espaço, sem buscar a perfeição nem ter medo da queda. O risco e a suscetibilidade ao erro são características marcantes da obra do artista pernambucano e se fazem presentes na série de telas que compõem Tropeço do Passista, exposição com curadoria de Elizabeth Bandeira e apoio da Galeria Marco Zero, que ele apresenta na Sala Laura Nigro, do Museu Regional de Olinda, a partir da sexta-feira (14/8), às 19h. Gratuita, a abertura contará com DJ sets de Acasse, que conta com passagem pelas festas Revérse, e BRENDB, responsável por idealizar e conduzir o Date Nights.
Natural da Muribeca, Lu Ferreira é radicado há anos no Sítio Histórico de Olinda, onde, durante um Carnaval, teve uma epifania ao observar um dançarino de frevo contornar uma queda perigosa, em um movimento astuto, colocando-se logo de volta ao ritmo frenético da coreografia. A sombrinha era como uma extensão do corpo do passista, um instrumento “que viabiliza o artista tropeçar no erro e não temê-lo, pois este é um cavalo solto de força livre, do qual se pode guardar o casco em amoroso fetichismo”, como observa a curadora Elizabeth Bandeira.
Lu Ferreira está inserido na atmosfera criativa da cidade, imbuída de artes visuais, música, dança e as mais variadas linguagens artísticas. Em Olinda, não só as estéticas, mas experiências e tempos distintos convergem, pondo em convivência passado, presente e fabulações de futuro. O frenesi do frevo, do jazz, do dub e de outras influências musicais que tanto inspiram Lu Ferreira, mostram outras formas de criar, como um dançar do gesto, a crença no insólito, no improviso e suas descobertas.
Em seus movimentos, o artista imprime essas camadas, dialogando também com experimentações com suportes e materiais. Dos tradicionais papéis Fabriano a lonas encontradas em armazéns de construção, Lu Ferreira põe em conversa – ou para dançar junto — essas superfícies com materiais não convencionais, como escovas dentárias ou de aço, fibras naturais de vassoura e outros tipos de ferramentas para além de pincéis.
Para a curadora, “a série de trabalhos em Tropeço do Passista apresenta na sua modelagem uma certa identidade cultural da cidade, que tem o drible e dinamismo como ferramenta principal de sustentação”. Nela, as camadas sobrepostas de óleo sobre a tela, carvão, lápis, tinta acrílica e giz pastéis de texturas diversas são como um “convite ao entendimento coletivo de que é talvez no embrulho que a gente se encontre e podemos, assim, transformar por inteiro a embalagem perecível que é o organismo.”
AÇÕES
Ao longo do período da exposição, serão realizadas ações educativas e mediações culturais conduzidas por Marcone Malaquias. Esses encontros serão realizados nos dias 14, 20, 21, 29 e 30 de agosto e 3, 4, 10 e 11 de setembro. Também é possível agendar ações especiais com grupos escolares e de outras naturezas, como ONGs, instituições, aparelhos culturais, entre outros.
SERVIÇO
Exposição Tropeço do Passista, de Lu Ferreira
Onde: Sala Laura Nigro – Museu Regional de Olinda (Rua do Amparo, 128, Amparo, Olinda)
Quando: Abertura, 14 de agosto de 2026 (sexta-feira), das 19h às 22h. Visitação: terça a sexta, das 9h às 17h; sábados e domingos, das 14h às 16h
Quanto: Entrada gratuita