Bruno Vilela expõe obras inéditas em São Paulo
Com abertura neste sábado (28), na Galeria Luis Maluf (SP), “A suspensão da descrença” apresenta trabalhos desenvolvidos a partir da ideia de que o espaço expositivo é uma metáfora da mente
26 de Março de 2026
Obra "Escarlate" (2026), óleo sobre tela
Foto Divulgação
Janus, deus romano das transições, passagens e começos aparece novamente no trabalho do artista pernambucano Bruno Vilela. Neste sábado (28), ele exibe uma série de 39 trabalhos inéditos na mostra A suspensão da descrença, na Galeria Luis Maluf, em São Paulo. Detalhe: as obras também estarão na 22ª SP-Arte.
Além dos desenhos e pinturas, será exibido o filme O Ano da Serpente. Daí vem a referência a Janus, pois esse conjunto de trabalhos de Vilela retoma questões centrais de sua produção, como imagem, duplicação, memória, teatralidade e cor.
O título da mostra foi cunhado pelo filósofo estético inglês Samuel Taylor Coleridge em 1817, e sugere que o leitor ou espectador suspenda a incredulidade, as referências prévias e aceite como verdade algo fantástico, ficcional.
Segundo o release de divulgação, “as obras foram desenvolvidas a partir de um projeto em que a galeria é tratada como metáfora da mente. Nesse conjunto, aparecem teatros, cinemas, cortinas, arquibancadas, reflexos, animais e passagens”. A imagem é o reflexo.
O artista insere, pela primeira vez, uma nova técnica: tinta a óleo sobre aplicações de serigrafia sobre tela, aproximando luz, mancha e retícula. Já nos desenhos Vilela usa o washi, um papel japonês feito à mão, e pó azul ultramar (anil) sobre papel de algodão.
A partir da narrativa do cervo-almiscareiro, um animal que procura na floresta o perfume que carrega em seu corpo, surgem campos monocromáticos de vermelho, azul e amarelo. Cavalos, arquiteturas cênicas, corpos e vestígios aparecem como elementos centrais na construção imagética do artista. A mostra tem curadoria do também pernambucano Marcelo Coutinho.
Em texto curatorial, ele comenta sobre a obra "Escarlate", um óleo sobre tela da sala do Cinema São Luiz, cinema de rua do Recife agora internacionalmente conhecido depois das indicações ao Oscar pelo filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho. "Estar diante de 'Escarlate' é ter diante de si, para além de uma imagem, um dos mais clássicos Dispositivos de Visibilidade: a sala de cinema. Bruno Vilela verte em imagem essa dobra sobre si e permite-nos que nos vejamos vendo. Assim, diante do dispositivo, vejo que vejo. E vejo que só vejo, por estar dentro, integrado ao dispositivo".
SERVIÇO
"A suspensão da descrença", de 28 de março a 6 de maio de 2026
Onde: Galeria Luis Maluf (Rua Brigadeiro Galvão, 996, Barra Funda)
Quando: Sábado (28), das 11h às 16h/ Visita guiada: 12h às 13h. Segunda a Sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 16h