Artes visuais para encher os olhos
Um guia com as exposições em cartaz pelo Brasil para curtir agora
16 de Janeiro de 2026
Na foto, obra da mexicana Minerva Cuervas, em cartaz no Masp, em São Paulo
Foto Eduardo Ortega
Museus e galerias de arte do Recife e Olinda, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília para curtir enquanto as férias não acabam. E, por acaso, vai saber, calhou de você ter escolhido como destino de descanso o lugar onde a mostra acontece. Não vai perder a oportunidade!
Confira:
Jirau
Primeira exposição individual da artista pernambucana Abiniel Nascimento (Carpina, PE, 1996) em São Paulo, a mostra reúne cerca de 15 obras inéditas, entre pinturas e esculturas, para refletir sobre matéria, natureza e sociabilidade. Fruto de parceria entre as galerias Claraboia e Marco Zero, o título da mostra remete à estrutura de madeira elevada comumente usada por povos originários e comunidades ribeirinhas, especialmente no Norte e no Nordeste do país.
Jirau é um estrado de varas sobre forquilhas cravadas no chão que serve para gravar utensílios ou dar suporte à cama. Nesta exposição, o jirau orienta a seleção de trabalhos, onde Abiniel reflete sobre as transmutações inerentes às matérias vindas da natureza, enquanto observa como os elementos que pesquisa – fibras de folhas secas de palmeira, carnaúba, cerâmica e cera de abelha – interagem com seus gestos artísticos.
Serviço:
Onde: Claraboia – térreo (Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906, São Paulo)
Visitação: até 7 de março de 2026
Horário: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 15h
A Sobrevivência dos Vaga-lumes
É uma alusão aos vaga-lumes como representantes das diversas formas de resistência da cultura, do pensamento e do corpo diante das luzes ofuscantes do poder, da mídia e da mercadoria. A mostra ganha título homônimo ao do livro do filósofo Didi-Huberman. O autor francês também proclama que há um encontro secreto entre o arcaico e o moderno — o que aqui pretendemos desvendar enquanto transitamos pelo universo do fazer têxtil, seus legados ancestrais, sua pedagogia, sua forte relação com o debate de gênero e seu valor dentro da arte contemporânea enquanto uma retomada estética radical e questionadora.
Das matérias-primas aos modos de produção, as artistas Clara Nogueira, Clarissa Machado, Isabella Alves, Laura Melo e Oluyiá França trazem o fazer têxtil para investigar processos de descolonização e reinscrição de narrativas. A curadoria é assinada por Beatriz Arcoverde.
Serviço
Onde: Museu Regional de Olinda (Rua do Amparo, 128)
Visitação: até 8 de fevereiro
Horários: de terça a domingo, das 10h às 17h
A Luz do Silêncio
Exposição com 20 trabalhos do artista pernambucano Ismael Caldas (1944-2016), de 1970 a 2010, com curadoria e texto crítico de Daniel Maranhão. Tais obras da mostra faziam parte da coleção particular do artista, cujo espólio é representado pela Galeria Base, em Boa Viagem.
Segundo o curador, a pintura do artista não seguia modismo. “Ismael pintava os temas que lhe eram afetos, e não aqueles que o espectador ou o mercado demandava, jamais cedeu à tentação da mídia, do espetáculo, da fama, dos holofotes. Diferente da verborragia de grande parte dos artistas visuais – ainda mais nos tempos atuais, em que se discursa em demasia sobre a própria obra –, Ismael dizia que ‘a pintura não é uma atividade verbal’”, explica Maranhão.
Serviço:
Onde: Galeria Base (Rua Professor José Brandão, 163. Boa Viagem) @galeriabase_recife @galeriabase
Visitação: até 30 de janeiro
Horário: de segunda a sexta, das 10h às 18h.
FUNK: Um grito de ousadia e liberdade
Mostra em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, destaca a influência do gênero musical sobre a língua portuguesa, as artes visuais e a moda, apresentando acervos exclusivos do funk paulista. Nascido das periferias urbanas e estudado por pesquisadores como um dos movimentos culturais mais influentes do país, o funk se afirma como linguagem estética, política e social que transforma modos de falar, vestir e criar.
A exposição conta com 473 obras e itens de acervo, entre pinturas, fotografias e registros audiovisuais que ajudam a contar a história do funk desde sua gênese nos bailes black, que começaram a acontecer no Rio de Janeiro e em São Paulo no fim dos anos 1960, a partir da ancestralidade negra já presente nas eras Soul e Black Music.
Fotografias de acervos pessoais de dançarinos, músicos e demais profissionais envolvidos no universo do funk ou que influenciaram este movimento musical fazem parte do acervo da exposição, entre elas imagens de Jair Rodrigues com os Originais do Samba, Nelson Triunfo, Gerson King Combo e Lady Zu, entre outras.
Serviço:
Onde: Museu da Língua Portuguesa (Praça da Luz, s/nº - Centro Histórico de São Paulo)
Visitação: até agosto de 2026
Horários: de terça a domingo, das 9h às 16h30 (com permanência até as 18h
Ingressos: R$ 24 (inteira); R$ 12 (meia)
Grátis para crianças até 7 anos
Grátis aos sábados e aos domingos
Espelho de Brincantes
A força simbólica das indumentárias, o brilho das cores e a memória viva dos mestres e mestras do reisado ganham novo olhar nessa exposição da artista e designer de moda Juliana Souto. Até 7 de fevereiro, na Galeria Arte Plural, no Bairro do Recife, uma jornada visual e sensorial por uma das mais potentes manifestações da cultura popular pernambucana, revelando identidades, histórias e afetos que atravessam gerações.
Inspirada nas vestes festivas de mestres e mestras de grupos de reisado presentes em Garanhuns, desde a década de 1950, Juliana Souto constrói uma narrativa que transita entre a fotografia documental e a fotografia de moda, criando imagens que exaltam a ancestralidade e a força poética desses brincantes. O projeto nasce de uma extensa pesquisa histórica sobre a manifestação cultural, suas origens e o legado artístico daqueles que mantêm viva a tradição. Com curadoria de Joana D’Arc Lima e pesquisa histórica de Edvania Kehrle, a mostra é embalada pelos sons dos reisados. O projeto é realizado por meio do Fundo de Incentivo à Cultura do Governo de Pernambuco – Funcultura.
Serviço:
Onde: Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 140, Recife Antigo
Visitação: até 7 de fevereiro de 2026
Entrada gratuita
Oceano – O mundo é um arquipélago
A inteligência nas profundezas marinhas é tema da exposição que ocupa o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A mostra celebra o aniversário de uma década do museu carioca, completada em 17 de dezembro passado. Revisitando o oceano como origem da nossa existência, recuperando memórias imersivas que nos conectam ao momento em que os primeiros organismos transformaram o planeta e produziram o ar que respiramos. A jornada convida o visitante a experimentar essa ancestralidade por meio de ambientes sensoriais que simulam luz, textura e movimento das águas. A exposição tem curadoria de Fabio Scarano, Camila Oliveira e Caetana Lara Resende.
“Um arquipélago é onde interdependência e diferença coexistem. As ilhas de um arquipélago devem ‘unir litorais e aproximar horizontes’, como dizia Édouard Glissant (1928–2011). Para o filósofo e professor da Martinica, o arquipélago é uma expressão de globalidade: o todo que produz diferenças capazes de dar origem ao novo em oposição à globalização, que padroniza e dilui. Se a terra está enraizada na água, como propôs Heráclito, o oceano é um só, no singular. As terras e nós (afinal, somos húmus – Homo) somos arquipélagos enraizados nesse mar. O oceano é o nó líquido que ata as partes. A utopia é justamente a busca pela realização dessa unidade plural”, diz o texto curatorial da mostra.
Serviço:
Onde: Museu do Amanhã (Praça Mauá, 1 – Centro, Rio de Janeiro – RJ)
Visitação: até 19 de maio de 2026
Horários: quinta a terça (fechado às quartas), das 10h às 18h. Última entrada 17h
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia)
Minerva Cuevas: ecologia social
A mexicana Minerva Cuevas (Cidade do México, 1975) faz exposição multidisciplinar, com instalação, escultura, pintura, cartazes e vídeo, apontando a crise ambiental como questão social. A mostra ocorre no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), que abrigará 42 obras, sendo a maior individual da artista.
Cuevas investiga criticamente os mecanismos do capitalismo e seus impactos no meio ambiente. Para a obra Understorm (2022), Cuevas mergulha uma pintura garimpada em chapopote (piche), que escorre pelas bordas dessa e de outras telas antigas. A manipulação evoca derramamentos de petróleo decorrentes de plataformas e navios da indústria petroquímica. O material, conhecido como piche, no Brasil, é um derivado do petróleo, mas também remete a costumes de comunidades pré-hispânicas que o empregavam em diversos contextos, desde a impermeabilização de cerâmicas até a prática ritual.
Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial de André Mesquita com a assistência de Daniela Rodrigues. O catálogo apresenta ensaios de Mesquita, Julieta Gonzalez e T. J. Demos.
Serviço:
Onde: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) – Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo
Visitação: até 16 de abril de 2026
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e
domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 75 (entrada); R$ 37 (meia-entrada)
Falação dos Mudos; GANGA; O que me faz partir
Três exposições simultâneas ocupam o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), na Rua da Aurora, no Recife, até 29 de março de 2026. São produções individuais e coletivas em suportes diferentes como pintura, instalação, objeto, performance, arte têxtil e grafismos urbanos.
Em Falação dos Mudos, Aprigio Fonseca e Frederico Fonseca (ver matéria na Continente) propõem uma investigação poética a partir de letreiros, placas e grafismos das ruas, tensionando a relação entre fala e norma culta.
A exposição coletiva GANGA reúne obras dos artistas Atena Miranda, Cris Peres, Leandro Garcia e Robson Xavier, com curadoria de Joana D’Arc Lima. Temas como diversidade dos corpos, relações de gênero, masculinidades, femininos e questões ambientais são abordados a partir do uso e ressignificação de materiais de descarte, tecidos, cerâmicas, objetos e performances.
Já a mostra O que me faz partir, da artista Lua Lim, apresenta instalações e objetos inéditos que tensionam corpo, desejo e linguagem por meio da arte têxtil em diálogo com objetos cortantes do cotidiano (saiba mais no site da revista Continente).
Serviço:
Falação dos Mudos; GANGA; O que me faz partir
Onde: Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM (Rua da Aurora, 265, Boa Vista)
Visitação: até 29 de março de 2026
Horários: quarta a sexta-feira, das 10h às 17h; sábados e domingos, das 10h às 16h
Entrada gratuita
Noites de Sol
“Assim que se avermelhe o céu e a noite depressa chegue, com um cobertor de nuvens apagando o fogo de estrelas / Não importa o meu escuro está aceso". Os versos de Deborah Brennand (1927–2015) são alguns dos muitos que traduzem as relações entre claridade e sombra, marcas de sua poética. É a partir desse universo que a Oficina Francisco Brennand apresenta a exposição inédita Noites de Sol, um encontro entre a poesia de Deborah e a pintura contemporânea da artista amorí a partir do poema homônimo da autora, publicado pela primeira vez no livro Noites de Sol ou As viagens do sonho (1966), no qual imagens intensas de luz e temas como tempo e sonho se fazem presentes. A mostra também inclui o desenho “O sonho” (1950), de Francisco Brennand, que se conecta ao poema que inspira o projeto. A exposição tem curadoria de Rita Vênus, também responsável por Núcleo Saturno, e ficará aberta ao público durante seis meses na entressala do Cineteatro do museu-ateliê, localizado no Bairro da Várzea.
Inspirada pelo livro publicado em 1966, amorí desenvolveu a obra inédita tudo aceso no profundo azul da noite, conectada aos principais aspectos da poesia de Deborah. Apesar de pertencentes a gerações e linguagens distintas, as artistas possuem pontos em comum na criação de suas obras, a exemplo das paisagens atravessadas pela luz e dos seres disfarçados de estrelas. Ambas partem, ainda, de um imaginário rural predominante nas localidades onde nasceram: são de origem pernambucana, especificamente das Zonas da Mata Norte e Sul. A mostra surge, portanto, sob ideia e propósito de reapresentar a obra de Deborah Brennand, no ano em que se completa a primeira década de seu falecimento, ampliando as possibilidades de alcance de sua criação no contemporâneo por meio do diálogo com a linguagem visual.
Serviço:
Onde: Entressala do Cineteatro Deborah Brennand, no museu-ateliê
(Propriedade Santos Cosme e Damião – R. Diogo de Vasconcelos, S/N, Várzea)
Ingressos: disponíveis no Instagram do museu @oficinafranciscobrennand
Visitação: até meados de maio de 2026
Game+: Arte, cultura e comunidade
Uma jornada inédita pelo universo dos jogos eletrônicos na exposição que ocupa o Itaú Cultural, em São Paulo, até 8 de março de 2026. A mostra vai além do entretenimento para apresentar os jogos de videogames como um campo decisivo na economia criativa, na educação e na expressão cultural que molda o imaginário nacional de geração para geração. A mostra celebra a maturidade do setor, que cresceu exponencialmente desde os anos 1980, destacando sua importância econômica e seu valor cultural.
Nos três pisos do espaço expositivo, entre 51 jogos, 25 consoles e outros itens que cobrem épocas, gêneros e nacionalidades diversas. Oito deles são brasileiros e ganham destaque, como Dandara e o premiado Huni Kuin: Yube Baitana, um projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural. Ao incluir temáticas indígenas e afro-brasileiras, a mostra também evidencia a representatividade cultural e a força autoral da produção criativa do país. Game+ se soma a outras exposições realizadas pela instituição – como Game o quê?, de 2003, e GamePlay, de 2009 , que há 20 anos participa do debate da importância cultural dos games.
Serviço:
Onde: Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo)
Horários: terças-feiras a sábados, das 11h às 20h domingos e feriados das 11h às 19h
Visitação: até 8 de março
Entrada gratuita
Águas subterrâneas: narrativas de confluências
Realizada primeiro na França e depois no Brasil, esta exposição coletiva reúne múltiplos olhares de artistas contemporâneos sobre os cursos de água doce e os relatos culturais, históricos e ambientais que os atravessam. A curadoria parte da ideia de “confluência” formulada pelo pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos – encontro que soma sem subtrair – para propor a mostra como um campo de escuta e coexistência, em que as águas são entendidas como seres vivos, portadores de direitos e memórias, mas também como testemunhas de passados coloniais e agentes de transformação.
As obras abordam questões ligadas à escassez, à contaminação, às infraestruturas e às possibilidades de reparação. Barbara Kairos, artista de Angoulême, na França, reelabora criticamente a história do “jacaré do Tietê”, transformando um episódio da memória urbana em alerta sobre a política das águas. A também francesa Capucine Vever, que pesquisa a paisagem fluvial e suas camadas coloniais, parte de arquivos e da escuta do Rio Garona para aproximar imagem e história. O Coletivo Coletores, fundado na periferia leste de São Paulo, sobrepõe mapas e imagens dos rios paulistanos para reimaginar o direito à água e ao território.
Serviço:
Onde: Instituto Tomie Ohtake (Av. Faria Lima 201 – entrada pela Rua Coropé, 88 - Pinheiros, São Paulo)
Visitação: até 8 de março de 2026
Site: institutotomieohtake.org.br
Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake
Instagram: @institutotomieohtake
Youtube: https://www.youtube.com/@tomieohtake
Todos falam de mim, ninguém me representa: um olhar indígena sobre a obra de Rugendas
A mostra apresenta um diálogo inédito entre o artista alemão Johann Moritz Rugendas (1802–1858) e a produção contemporânea do artista visual indígena Ziel Karapotó, um dos representantes do Brasil na 60ª Bienal de Veneza (2024). Na Caixa Cultural Brasília até 1º de fevereiro. O acervo em exposição é do Instituto Ricardo Brennand (IRB), do Recife.
Alagoano radicado em Pernambuco, Ziel Karapotó é oriundo da comunidade Karapotó Terra Nova e vive atualmente na Reserva Indígena Marataro Kaeté, do povo multiétnico Karaxuwanassu, em Igarassu (PE). Em sua proposta, ele estabelece uma interlocução entre suas obras e 12 litografias aquareladas de Rugendas pertencentes ao acervo do Instituto IRB. Enquanto o pintor europeu retratava indígenas e pessoas escravizadas no século XIX sob uma ótica eurocêntrica, Karapotó oferece uma releitura crítica, poética e decolonial dessas representações.
A curadoria é assinada pelo próprio artista em parceria com a antropóloga e diretora do Instituto Ricardo Brennand, Nara Galvão. Juntos, constroem uma contranarrativa iconográfica e pictórica, propondo novas paisagens, diálogos e reflexões sobre as formas como os povos indígenas foram representados ao longo da história da arte e da formação da imagem nacional.
Serviço:
Onde: Caixa Cultural Brasília (SBS Quadra 4, Lotes ¾)
Visitação: até 1º de fevereiro de 2026
Horário: das 9h às 21h, de terça-feira a domingo
Entrada franca
O Sertão: somos muitos
Primeira exposição individual do baiano Juraci Dórea em Pernambuco, mostra segue até 5 de março e reúne obras inéditas e produções marcantes da artista baiana, desde a década de 1970. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra reúne mais de 120 obras, entre esculturas, desenhos e pinturas. Nascido em 1944 em Feira de Santana, onde vive e produz, Dórea parte do sertão para articular a cultura popular e a arte contemporânea, perpetuando e tensionando questões relativas à memória e territorialidade, suas e do povo sertanejo.
Um dos grandes destaques da exposição é a apresentação de trabalhos do “Projeto Terra”, iniciado por Dórea em 1982 e ainda em curso. São esculturas, murais e quadros instalados nos territórios do Sertão da Bahia, com a paisagem e seus habitantes como interlocutores. Registros fotográficos de algumas dessas criações estarão presentes na mostra.
Serviço:
Onde: Galeria Marco Zero (Av. Domingos Ferreira, 3393, Boa Viagem)
Visitação: até 05 de março de 2026
Horários: de segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h
Entrada franca
Informações: (81) 98262-3393 | www.galeriamarcozero.com | @galeriamarcozero
Joaquín Torres García – 150 anos
Em um momento histórico marcado por tensões internacionais, disputas narrativas e recrudescimento de fronteiras entre nações, a exposição Joaquín Torres García – 150 anos, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP), propõe um gesto silencioso e profundo: deslocar o ponto de vista a partir do qual se olha o mundo. Sem tratar de conflitos territoriais ou alianças de poder, a mostra convoca uma reflexão sobre culturas, escuta e pertencimento, além de afirmar a arte como espaço de integração e não de polarização.
Com entrada gratuita e cerca de 500 itens expostos — entre obras, documentos, manuscritos, publicações, brinquedos de madeira e materiais pedagógicos —, a mostra apresenta ao público brasileiro o pensamento e a obra de um dos artistas mais decisivos da modernidade latino-americana. O eixo simbólico da mostra é o icônico Mapa Invertido (1943), imagem que atravessa gerações como um gesto radical de afirmação cultural do Sul Global.
Ao deslocar o eixo do continente, a exposição lança uma pergunta fundamental: onde pulsa o coração da América? À luz do pensamento de Torres García, a resposta não se encontra em um ponto fixo do mapa, mas no coração de cada americano, na pluralidade dos povos que estavam, estão e que aqui chegaram.
SERVIÇO:
Onde: CCBB São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro)
Visitação: até 9 de março de 2026
Horário: das 9h às 20h, exceto às terças
Gratuito
Caminhos Tecidos
A exposição fotográfica chega a Caruaru, após temporada em Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, as outras duas principais cidades do Polo de Confecções do Agreste. Idealizada pelo Coletivo Ciano, Cidade (artistas: Dênis Torres, Gabriella Ambrósio, Palloma Mendes, Williams Pereira e Ythalla Maraysa) está aberta à visitação gratuita no Porto Digital/Armazém da Criatividade até 6 de fevereiro.
“Trata-se de uma instalação artística que aborda uma narrativa visual e sonora com a finalidade de simular os ambientes das facções e fabricos, locais em que se dá grande parte da produção e comercialização têxtil, em especial do jeans, elemento que protagoniza o projeto”, destaca Williams Pereira, integrante do Coletivo.
Composta por 21 obras, todas assinadas coletivamente e produzidas por meio de técnicas digitais e analógicas como fine art (fotografias de arte impressas em alta qualidade) e cianotipia (processo de impressão fotográfica em tons de azul), além de intervenções coletivas em tecido.
Serviço:
Onde: Porto Digital/Armazém da Criatividade (R. Jorn. Aníbal Fernandes, s/n,
Centro - antigo Espaço Cultural, ao lado do Pátio de Eventos Luiz Gonzaga).
Visitação: até 6 de fevereiro de 2026
Horário: das 8h às 20h
Informações: https://www.instagram.com/cianocidade/
Da Próxima Vez, o Fogo!
Em cartaz até 15 de março, na galeria Espaço Cactus, no Cais do Sertão (Bairro do Recife), a mostra do artista visual Laos traz 36 ilustrações em nanquim bico de pena. A entrada é gratuita.
Laos revela no release que se inspirou no livro ‘Da Próxima Vez, O Fogo’ (1963), de James Baldwin, e no imaginário ancestral afro-brasileiro, em um gesto de reconexão e afirmação cultural, “sobretudo porque as obras surgem de vivências pessoais de um homem negro periférico. Coletivamente, são símbolos, rostos e ritos que atravessam o tempo e o corpo”, declara Laos, que realiza a primeira exposição da carreira.
Laércio Eduardo Nascimento, popularmente conhecido como Laos, também é ilustrador, tatuador e artesão. A sua arte pernambucana é feita a mão. Ao mesmo tempo, esse saber é um repasse do seu pai, que é sapateiro. Além do fato de aprender com a própria família, compartilhadora de conhecimento, experimenta técnicas manuais de desenho e dialoga com a tecnologia e suas mudanças e adaptações.
Serviço:
Onde: galeria Espaço Cactus (térreo do Cais do Sertão - endereço: Avenida Alfredo Lisboa,
Bairro do Recife, Armazém 10)
Visitação: até 15 de março de 2026
Horário de funcionamento do Cais do Sertão: 10h às 16h (de terça-feira a sexta-feira);
13h às 18h (sábado e domingo); toda última quinta-feira do mês o horário é estendido das 10h às 20h.
Entrada: gratuita