Art PE amplia espaço expositivo e ações
Quinta edição da Feira de Arte Contemporânea do Recife, que acontece de 14 a 18 de outubro, no Recife Expo Center, investe em curadorias e expositores de todo o Brasil e do exterior
TEXTO Carol Botelho
07 de Outubro de 2026
Feiras de arte contemporânea como a Art PE buscam diversidade e formação de público
Foto Danilo Galvão/Divulgação
A quinta edição da Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco (Art PE), que acontece de 14 a 18 de outubro, no Recife Expo Center, chega superlativa não somente no tamanho físico. O espaço do evento dobrou de tamanho em relação à edição passada: agora são cinco mil metros quadrados com 75 expositores generosamente espalhados pelos dois pavilhões. A ideia é garantir o conforto de quem exibe e de quem passeia pelo evento. A artista visual, curadora, gestora cultural e diretora artística da Art PE, Beth da Matta, resume o propósito da feira: consumir arte. Mas calma aí antes de tomar a ideia ao pé da letra. O termo “consumir” abrange muito mais do que comprar. “Podemos consumir arte de várias formas - comprando, usufruindo, debatendo, conversando”, disse Beth em entrevista à Continente.
Ainda que o verbo consumir possa ser conjugado de diversos modos, o encontro físico, pessoal, de uma maneira mais despojada como propõe uma feira é menos intimidador do que uma exposição. “Isso facilita muito essa relação de quem quer comprar uma obra”. O consumo de arte contemporânea, aliás, vem aumentando no Brasil, em oposição à economia global. “Isso se deve também às feiras de arte. Temos feiras que surgiram há cinco anos, como a ArPa (SP), a FARGO, em Goiás, e a própria Art PE”.
Como nós, pernambucanos, não somos muito chegados a frequentar nossos museus, uma feira vem bem a calhar, principalmente para assumir ou complementar o papel de formadora de público. “Este ano teremos quatro artistas de três estados (Ceará, Maranhão e Piauí) que passarão por uma mentoria durante a feira, com visita guiada, palestras, encontros e leitura de portfólio, que neste ano acontece de forma mais robusta”.
Dentro do cenário nacional de feiras de arte, Beth afirma que o evento pernambucano vem se consolidando e se profissionalizando a cada ano. Para a diretora artística, a constatação se mostra no aumento de galerias e na participação delas em feiras nacionais como Art Rio, SP-Arte e Rotas. O efeito disso é atrair para o evento local galerias nordestinas, nacionais e até internacionais. “Conseguimos galerias do Pará, de Manaus, além do Centro-Oeste, de Vitória do Espírito Santo e de Santa Catarina”.
Em termos de linguagem artística, a pintura, segundo Beth, continua sendo presença marcante no contexto nacional e local. Ela destaca ainda a cerâmica como forte tendência. “É algo que tem sido muito explorado pelos artistas ultimamente. É curioso ver inclusive o retorno da cerâmica vitrificada e as novas formas que ela vem se constituindo. Os artistas têm explorado muito isso. Eu estou bem curiosa, gosto muito da cerâmica, particularmente”, admite.
A feira também investe no que chama de Projetos Especiais. “Para nós, os Projetos Especiais são justamente esse lugar de abertura: de apresentar outras formas de produção, ampliar os encontros e aproximar artistas e iniciativas independentes do circuito profissional e dos colecionadores”. Nesta edição, além das galerias independentes MauMau, Gráfica Lenta, Nuvem Galeria e Galeria Capibaribe, da UFPE, mostra a cara a estreante Ocupá, do Rio de Janeiro, e o Instituto Artepofagia, de Alagoas. Novamente participa o Instituto Comadre, do Rio de Janeiro, que traz, entre outras obras, um múltiplo produzido pela artista Anna Bella Geiger, considerada uma das pioneiras da arte conceitual e da videoarte no Brasil.

Durante os quatro dias da feira, a Leitura de Portfólio funcionará como uma pequena mentoria. Serão 12 artistas participando de palestras, conversas e visitas guiadas com profissionais que atuam no Brasil e também internacionalmente.
A participação internacional fica por conta da Galeria Verso, sediada em Lisboa e fundada por um recifense. Ela está na programação desde a edição passada. A debutante da vez é a FEMALUMA, de Cascais e com filial no Rio de Janeiro. “Também estabelecemos uma parceria muito importante com o Consulado da Argentina, que, em conjunto com o Governo Federal, lançou um edital nacional para trazer projetos e artistas de galerias argentinas para a feira”. Sob o tema “Território e Identidade”, uma comissão formada por Beth e pelas curadoras Camila Bechelany e Cristiana Tejo selecionou os artistas argentinos.
Entre os prêmios, a diretora artística cita o Prêmio Shopping Recife de Incentivo à Arte e à Cultura, que promove uma exposição com as melhores fotografias inscritas nos últimos meses.
O Instituto Bueno de Arte, Educação e Cultura, por sua vez, concede dois Prêmios Colecionador, em dinheiro, a artistas em início de carreira, além de selecionar dois artistas para participar, com todos os custos cobertos, da Residência Verso, em Lisboa, e da Residência Artística Naco, em Olhos d’Água, Goiás, em maio de 2027.
A programação de residências se amplia ainda com a participação da Kaaysá Art Residency-Brazil, que selecionará dois artistas para seu programa em Boiçucanga, São Sebastião, no litoral de São Paulo.
“A iniciativa amplia as possibilidades de continuidade das trajetórias artísticas, aproximando produção, colecionismo, formação e experiências de residência para além dos dias da feira”, afirma Beth.
SERVIÇO
5ª ART.PE — Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco
Onde: Recife Expo Center | Recife, Pernambuco, Brasil
Quando: De 14 a 18 de outubro de 2026. Horários: quarta (14), das 14h às 21h (preview para convidados); quinta, sexta e sábado (15, 16 e 17), das 13h às 21h; e domingo (18), das 12h às 19h (última entrada sempre 1h antes do fechamento)
Quanto: Ingressos na Sympla