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Seminário discute saúde a partir de marcadores sociais

Evento realizado pela Escola Livre de Redução de Danos, em parceria com a Fiocruz PE, busca romper com a visão homogênea de saúde

27 de Abril de 2026

Foto Alcione Ferreira/Divulgação

Nos dias 28 e 29 de abril, a Fiocruz Pernambuco será palco de um debate urgente sobre as fronteiras da saúde pública no Brasil. O 1º Seminário sobre Interseccionalidade e Vulnerabilidades em Saúde, com o tema "Justiça reprodutiva e redução de danos como caminhos entrelaçados para a saúde integral", reunirá pesquisadores, ativistas e gestores de todo o Brasil para discutir como marcadores de raça, gênero e classe social moldam o acesso ao cuidado.

Dados recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/MS) reforçam a urgência do debate: em Pernambuco, cerca de 77% dos óbitos maternos registrados são de mulheres negras. Somado a isso, o Relatório Socioeconômico da Mulher (Raseam 2025) aponta que quase metade das mulheres encarceradas (49%) no país responde por crimes associados a drogas, evidenciando como a criminalização e a falta de políticas de redução de danos impactam diretamente a autonomia e a saúde reprodutiva de populações periféricas.

O foco central é compreender como as políticas públicas podem deixar de reproduzir desigualdades estruturais para se tornarem ferramentas de emancipação para populações historicamente marginalizadas, como mulheres, pessoas LGBTQIA+, usuários de drogas e pessoas em situação de rua.

A proposta do seminário é utilizar a interseccionalidade como ferramenta política para a emancipação social. Para a organização do evento, o cuidado em saúde mental fora do modelo manicomial e o direito à autonomia corporal são indissociáveis da estratégia de redução de danos.

"A interseccionalidade é o que nos permite entender que a experiência de uma mulher negra da periferia no sistema de saúde é diferente de outros grupos. Quando falamos em redução de danos e justiça reprodutiva, estamos falando de garantir dignidade e respeito à diversidade de corpos e desejos", destaca Priscilla Gadelha, co-fundadora, diretora executiva da Escola Livre de Redução de Danos e integrante da coordenação do seminário.

REDES
Ao longo de dois dias de programação intensa, o evento abordará temas sensíveis e urgentes para a agenda pública, incluindo: Justiça Reprodutiva: O direito ao aborto seguro e a autonomia sobre o próprio corpo; Saúde Mental: A construção de redes de cuidado que superem a lógica da exclusão; Identidade e Gênero: A despatologização das sexualidades e o respeito às identidades, e Redução de Danos: Estratégias de cuidado para usuários de substâncias psicoativas baseadas nos direitos humanos.

O encontro visa articular o saber acadêmico com as experiências práticas de luta dos movimentos sociais, fortalecendo as redes de cuidado e o Sistema Único de Saúde (SUS) no estado de Pernambuco.

SERVIÇO
1º Seminário sobre Interseccionalidade e Vulnerabilidades em Saúde - Tema: “Justiça reprodutiva e redução de danos como caminhos entrelaçados para a saúde integral”
Quando: 28 e 29 de abril de 2026, das 09h00 às 18h00
Onde: Fiocruz Pernambuco (Campus da UFPE, Recife/PE)
Realização: Escola Livre de Redução de Danos e Fiocruz Pernambuco/LEVS
Parceria: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

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