Nuda: Uma banda contra qualquer estereótipo
Com o primeiro disco, 'Amarénenhuma', lançado para download gratuito na web, grupo se esquiva de classificações e compõe em vários estilos
TEXTO Pedro Paz
01 de Agosto de 2011
Nuda
Foto Divulgação
Desde o princípio dos anos 2000, estar sob os cuidados de uma grande gravadora não garante mais a venda de discos ou formação de público. Nesse cenário, algumas bandas têm buscado formas alternativas de entrar no mercado. Foi assim com a banda pernambucana Nuda, que lançou, em maio, seu álbum de estreia, Amarénenhuma, na web, título sujeito a mais de uma interpretação, pela dubiedade resultante da junção de palavras. Pela despretensão com que encaram esse projeto, os integrantes dizem não criar expectativas quanto ao retorno que ele possa ou não gerar.
A proposta da Nuda, desde o início, em 2006, é fazer música desprovida de estereótipos. O grupo, formado pelos jovens músicos Raphiro (voz e guitarra), Arthur Dossa (guitarra e voz), Henrique Caçapa (baixo e voz) e Antonio Marques (bateria), resolveu, então, definir sua sonoridade como jungle-tangle-mangle, lombra ou rock-bossa-seilá. Irônica brincadeira que virou tema da segunda faixa de Amarénenhuma,Samba de paleta.
Na verdade, a Nuda é essencialmente uma banda de rock. Não é à toa que duas guitarras elétricas norteiam as 11 músicas do disco. Mas isso não impede que os integrantes componham reggae, tango ou samba, como na canção A maré nenhuma, que deu nome ao álbum.
Além da sonoridade peculiar, outra singularidade da Nuda é o modo codificado de composição das músicas. Sob o jogo de palavras e ideias presente nas letras, os jovens músicos cantam a entrega a sentimentos sinceros e questionam a ausência de liberdade no próprio ofício. Na canção Em nome do homem, ansiedade, vícios e consumismo mostram a fragilidade do ser humano contemporâneo. Fácil se emocionar com a música Prece da ponta de faca. A composição madura de Roberto Scalia, ex-integrante do grupo, ganha força na interpretação de Raphiro. Amarénenhuma traz ainda uma releitura anacrônica deOde aos ratos (Chico Buarque e Edu Lobo).
Gravado no Fábrica Estúdios, no Recife, o álbum contou com as participações dos instrumentistas Bactéria, Cezinha do Acordeon e Lucas dos Prazeres. Produzido por Pablo Lopes, foi mixado ao longo de 2010 e masterizado por Don Grossinger, vencedor do Grammy pelo álbum Embryonic, do Flaming Lips.
O EP Menos cor mais quem (2008) foi o cartão de visitas do trabalho do grupo antes da produção do disco Amarénenhuma. Com ele, começou a circular por festivais, programas de TV, rádios, blogs e jornais. A Nuda gravou também uma releitura da música Mother Nature’s Son para o disco White Album – Indie Version, tributo organizado pelo jornalista carioca Marcelo Fróes em comemoração aos 40 anos do álbum homônimo dos Beatles.
PEDRO PAZ, estudante da Jornalismo e estagiário da Continente.