“Anatomia do Caos" ganha sessão no Recife
Documentário da cineasta baiana Dandara Ferreira será exibido no Cinema São Luiz neste sábado (4 de julho), às 18h
03 de Julho de 2026
Filme explora como o discurso oficial produziu uma confusão deliberada
Foto Divulgação
Depois de uma bem-sucedida estreia no cinema de ficção com a cinebiografia de Gal Costa (“Meu Nome É Gal”), protagonizada por Sophie Charlotte, a cineasta baiana Dandara Ferreira volta ao circuito com um documentário político sobre a negligência do governo de Jair Bolsonaro na pandemia de coronavírus a partir dos trabalhos da CPI da Covid.
"Anatomia do Caos" ganha uma sessão especial em Recife, neste sábado (4 de julho), no Cinema São Luiz, às 18h. A sessão será seguida de um debate entre a diretora Dandara Ferreira, Ana Paula Sotter, médica sanitarista, doutora em Saúde Coletiva e presidente da Hemobrás e André Longo, médico clínico e cardiologista. Além disso, no domingo (05/07), o filme será exibido no Armazém do Campo.
A obra traça um panorama nacional de como decisões deliberadas e a falta de respostas adequadas diante de uma emergência sanitária global moldaram o cenário de crise em todo o país, revelando registros inéditos de bastidores de senadores que integravam a CPI e buscavam respostas, documentos e investigações que expõem as falhas estruturais na condução da crise.
Em abril de 2021, a diretora Dandara Ferreira decidiu ir a Brasília registrar os trabalhos da comissão em um momento de incerteza e medo. “O que me movia naquele momento era a percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade”, afirma.
O filme explora como o discurso oficial produziu uma confusão deliberada e colocou a ciência em xeque. “Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção de uma narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, pontua a cineasta, “Anatomia do Caos” também aborda uma questão recorrente nos processos de CPIs no país: a impunidade ao final dos trabalhos. Segundo a diretora, o documentário não busca apenas revisitar o passado, mas questionar o presente e o que significa seguir adiante sem justiça ou responsabilização. “Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”, conclui.
SINOPSE
Com acesso inédito ao Senado, a diretora Dandara Ferreira acompanha de dentro a trajetória completa da CPI da Covid-19 e transforma esse material exclusivo em um registro cinematográfico de um dos momentos mais marcantes da Pandemia no Brasil.
SOBRE A DIRETORA DANDARA FERREIRA
É diretora e roteirista, formada em Cinema pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) e doutoranda em Comunicação Social pela UnB. Dirigiu a série “O Nome Dela É Gal” (HBO) e realizou curtas-metragens, filmes publicitários e videoclipes de artistas como Fagner (“Tanto Faz”), Ricky Martin feat. Dream Team do Passinho (“Vida”) e Vanessa da Mata (“Segue o Som”), entre outros. Em 2023, lançou seu primeiro longa-metragem, “Meu Nome É Gal”, no qual atua como diretora e atriz. Atualmente, finaliza o documentário “Vou Tirar Você Desse Lugar”, sobre a trajetória e a obra de Odair José, e está prestes a lançar “Anatomia do Caos”, sobre a gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 no Brasil.
O documentário terá um amplo circuito de exibições especiais seguidas de debate com a presença da diretora Dandara Ferreira, transformando as salas de cinema em espaços de diálogo e reflexão coletiva sobre a história recente do país.A itinerância nacional de debates já passou por Salvador (BA), e depois segue para Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.