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Rec-Beat celebra 30 anos

Com atrações do Brasil, América Latina e África, festival comemora trajetória que o situa como um dos mais longevos e relevantes do país

05 de Fevereiro de 2026

Johnny Hooker está de volta ao festival após seis anos

Johnny Hooker está de volta ao festival após seis anos

Foto Maicon Douglas/Divulgação

O Rec-Beat anuncia a programação completa da edição de 30 anos, reafirmando seu lugar entre os festivais mais longevos e inovadores do país. Realizado de 14 a 17 de fevereiro no Cais da Alfândega, no Recife, com acesso gratuito, o festival consolidou-se como plataforma de descoberta, circulação e diálogo entre cenas do Brasil, da América Latina e da África.

Entre os destaques desta edição, nomes emergentes como NandaTsunami, AJULLIACOSTA e Jadsa se somam a artistas como Djonga, Johnny Hooker, Carlos do Complexo, além de nomes internacionais como o senegalês Momi Maiga Quartet e os colombianos Ghetto Kumbé. Uma escalação que traduz a proposta curatorial do festival, pautada pela diversidade estética e experimentação sonora. Com mais de 60 mil pessoas por edição, o festival segue com o interesse de propiciar uma experiência inesquecível em um ambiente democrático e inclusivo.

“Chegamos aos trinta anos mantendo a inquietação e o frescor que sempre caracterizaram o festival. Ao longo dos anos, conseguimos manter os principais objetivos do Rec-Beat, de oferecer um espaço de descobertas, de formação de público e de circulação entre cenas do Brasil, América Latina e da África, que sempre incentivamos. Espero seguir produzindo esse festival por mais 30 anos, mas sempre inovando, como é o caso do Moritz, que estamos lançando nesta edição comemorativa do festival", afirma Antonio ‘Gutie’ Gutierrez, idealizador e curador do Rec-Beat.

MORITZ
Uma das principais novidades desta edição é o lançamento do Moritz, projeto dedicado exclusivamente à música eletrônica, que estreia dentro da programação do Rec-Beat, ocupando o palco no primeiro dia do evento, no sábado (14). Pensado como uma plataforma autônoma, o Moritz nasce como uma expansão natural do DNA do Rec-Beat e deve ganhar edições próprias no futuro, com foco na pista, na curadoria autoral e na experimentação. A curadoria desta primeira edição do Moritz é assinada por Paulete Lindacelva, DJ e produtora pernambucana que é um dos principais nomes da house music no mundo hoje. Estão confirmados na programação, além da própria Paulete, Carlos do Complexo, a colombiana Piolinda Marcela, SPHYNX, LOFIHOUSEBOY e DAVS. 

“Como espectadora que vive o festival desde a adolescência, não poderia estar mais feliz em compor essa curadoria, que assim como o lineup 'regular' vem recheada de diversidade cultural e étnica. A proposta pensa não apenas nos sons essenciais da dance music, mas também na música eletrônica contemporânea brasileira e em suas múltiplas abrangências: o rock doido, a música eletrônica da Amazônia, o funk nas presenças periféricas do Rio e de São Paulo, e o brega funk recifense. Que essa estreia seja majestosa e vibrante”, diz Paulete Lindacelva.

Essa edição também reforça o interesse do Rec-Beat em investigar a rica produção musical da África e da América Latina, com a presença de artistas que costuram diferentes tradições musicais com linguagens contemporâneas e vanguardistas.

Entre os destaques deste ano está o senegalês Momi Maiga Quartet, virtuose do tradicional instrumento kora, que funde jazz étnico, flamenco e música africana. Seu segundo álbum, Kairo (2024), traz uma abordagem política e humanista, em um diálogo entre África, Europa e Mediterrâneo. 

Outro nome é Faizal Mostrixx, produtor e performer ugandense que criou o conceito de tribal electronics, mesclando gravações de campo, ritmos regionais do Leste Africano e música eletrônica. Também está na programação a DJ e produtora nigeriana-britânica residente na Alemanha Kikelomo, com uma fusão de drum’n’bass e jungle, que vem ao Rec-Beat com o apoio do Consulado Geral da Alemanha no Recife.  

Da Colômbia, o trio Ghetto Kumbé, que mistura percussões afro-caribenhas e afro-colombianas com música eletrônica e estética afrofuturista, sobe ao palco do Rec-Beat  com o apoio da Funarte através do Programa Ibermúsicas.

A presença afrolatina também se conecta à força da cena afro-brasileira com grupos como o Afoxé Oxum Pandá, que celebra 30 anos com o espetáculo Africaniei, um ritual cênico-sonoro que articula ancestralidade, memória e música negra contemporânea.

NandaTsunami traz ao palco o repertório do álbum É disso que eu me alimento, que mescla trap, funk mandelão, house e afrobeats em uma narrativa sensorial sobre afetos e identidade. Já Zé Ibarra apresenta seu segundo disco solo combinando MPB, jazz, rock progressivo e pop. 

A curadoria traz também Jadsa, cantora, guitarrista e produtora baiana, que leva ao palco o repertório de big buraco (2025), indicado ao Latin Grammy na categoria Melhor Álbum de Rock ou Alternativo em Língua Portuguesa. O disco foi incluído em diversas listas de melhores do ano e consolida a artista como um dos principais nomes da música alternativa brasileira atual. 

O pernambucano Johnny Hooker, artista que compartilha um longo relacionamento com o festival, retorna ao Rec-Beat com a estreia nacional da turnê Viver e Morrer de Amor na América Latina, baseada em seu quarto álbum de estúdio. O show transita entre o cabaré íntimo e a explosão carnavalesca, costurando brega, frevo e rock latino. No show, canções inéditas se misturam a sucessos antigos, em uma narrativa sobre desejo, sobrevivência e resistência.

Já Josyara chega com o show de AVIA (2025), álbum que consolida a artista como compositora, instrumentista e produtora musical, com o violão como base estética e narrativa de seu trabalho. O Rec-Beat traz ainda Chico Chico, com sua mistura de  folk, blues, milonga e groove brasileiro; e AJULLIACOSTA, destaque da renovação do rap brasileiro, que cruza sonoridades clássicas do boombap com o trap atual. 

Felipe Cordeiro celebra 20 anos de carreira como um dos pioneiros na fusão de sonoridades amazônicas com o pop e divide este show com Layse, nome emergente da cena paraense. Cantora e compositora, Layse traz uma perspectiva feminina do brega, do bolero e da música latino-caribenha, com referências à cultura do Marajó. No palco, esses universos se encontram com o tecnobrega, a guitarrada e a lambada que marcam a trajetória de Felipe, criando um diálogo potente da música do Pará.

Um dos nomes mais influentes do rap brasileiro, Djonga também se apresenta no Rec-Beat e traz sua lírica direta e postura provocadora onde discute a realidade do Brasil profundo. Ele apresenta no palco o show do elogiado álbum Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto!

Outro destaque desta edição é o coletivo Barbarize, com o show MANIFEXXTA, descrito como um levante multicultural que projeta o legado do manguebeat para o futuro. Entre beats digitais e percussões orgânicas, o grupo articula identidade, resistência e crítica social, fundindo manguebeat, afrobeat, funk, trap e pop. 

O lineup de DJs, que se apresentam na abertura e intervalo dos shows, traz uma diversidade de estilos e propostas sonoras. Por mais um ano, o festival destaca a cena eletrônica local com um lineup inteiramente pernambucano, tendo como co-curador KAI, DJ e pesquisador musical. Zoe Beats, cria de Camaragibe, faz um set baseado no grime, garage e jungle, alinhadas com as referências pernambucanas, como o manguebeat. Afrobitch propõe um intercâmbio das múltiplas vertentes do house com gêneros como dembow, dancehall e funk, sempre com uma perspectiva negra e afrodiaspórica. Bobi une disco e house com ritmos afrolatinos, com samples que vão do piseiro ao funk.  

Entre as medidas de acessibilidade oferecidas pelo festival estão uma área acessível sinalizada e com piso elevado próxima ao palco, tradução em Libras dos shows, piso regular e rampas desde a entrada até a área reservada, banheiro acessível, protetores auriculares e equipe treinada para atendimento inclusivo.

LOJINHA
O Rec-Beat contará com uma loja oficial durante o festival, com produtos exclusivos inspirados na identidade visual da edição comemorativa de 30 anos. Entre os itens disponíveis estão: camisetas, copo, pareô, caneca, bottons, ecobag, pochete e boné. Os produtos podem ser adquiridos antecipadamente nos pontos parceiros Crabolando e Feira na Laje. Durante o festival, a loja funcionará em uma tenda montada atrás da Housemix. Serão aceitos pagamentos em dinheiro, Pix e cartões de crédito e débito. A arte dos produtos é assinada por Caramurú Baumgartner e Tâmara Habka, com design de Gabriela Araujo e Eduardo Souza.

O Festival Rec-Beat 2026 tem patrocínio da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Secretaria de Cultura e Prefeitura do Recife, Uninassau e Banco do Nordeste. Apoio da Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco, Funarte através do Programa Ibermúsicas e Consulado Geral da Alemanha no Recife. Festival filiado à Abrafin e Adimi. Realização da Rec-Beat Produções, Leão Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal via Lei de Incentivo à Cultura.

SERVIÇO
Festival Rec-Beat 2026 - 30 ANOS
Onde: Cais da Alfândega, Bairro do Recife
Quando: De 14 a 17 de fevereiro, a partir das 19h
Quanto: Acesso gratuito
Mais informações: @recbeatfestival e @moritzfestival

PROGRAMAÇÃO

14 de fevereiro (sábado) - Festival Moritz

  • 18h: Paulete Lindacelva (PE);

  • 19h20: Lofihouseboy (PA);

  • 20h40: Davs (PE);

  • 22h: Piolinda Marcela (Colômbia);

  • 23h10: Sphynx (SP);

  • 0h20: Carlos do Complexo (RJ).

15 de fevereiro (domingo)

  • 19h: Afrobitch (PE) *abertura e intervalos;

  • 19h30: Chico Chico (RJ);

  • 20h40: Momi Maiga Quartet (Senegal);

  • 21h50: Josyara (BA);

  • 23h10: Faizal Mostrixx (Uganda);

  • 0h30: Ajuliacosta (SP).

16 de fevereiro (segunda)

  • 19h: Zoe Beats (PE) *abertura e intervalos;

  • 19h30: Barbarize (PE);

  • 20h40: Jadsa (BA);

  • 21h50: NandaTsunami (SP);

  • 23h10: Kikelomo (UK/Nigéria);

  • 0h30: Johnny Hooker (PE).

17 de fevereiro (terça)

  • 19h: Bobi (PE) *abertura e intervalos;

  • 19h30: Afoxé Oxum Pandá (PE);

  • 20h40: Zé Ibarra (RJ);

  • 21h50: Felipe Cordeiro e Layse (PA);

  • 23h10: Ghetto Kumbé (Colômbia);

  • 0h30: Djonga (MG).




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