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Parque de Esculturas Francisco Brennand celebra 25 anos

No molhe entre o Rio Capibaribe e o Oceano Atlântico, espaço tornou-se Patrimônio Cultural Material da cidade, reunindo acervo de 100 obras, com destaque para a emblemática Coluna de Cristal

18 de Dezembro de 2025

Foto Hannah Carvalho/Divulgação

O Parque de Esculturas Francisco Brennand completa, neste mês de dezembro, 25 anos. Criado pelo artista e inaugurado em 29 de dezembro de 2000, o espaço marcou as comemorações pelos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil e integra o projeto “Eu vi o mundo… ele começava no Recife”, concebido por Brennand em diálogo com o pintor Cícero Dias e sua obra “Rosa dos Ventos”. Construído sobre o molhe dos arrecifes, em frente ao Marco Zero da capital pernambucana, o espaço conta com um acervo de 100 peças, com obras em cerâmica e bronze que ocupam uma área com cerca de 6 mil m², tendo como destaque a imponente Coluna de Cristal, com seus 32 metros de altura. Em 2020, o conjunto artístico foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Material do Recife.

Um dos principais pontos turísticos de Pernambuco, o Parque de Esculturas carrega simbolismos e elementos da mitologia, ao mesmo tempo em que conta uma parte significativa da história pernambucana. Para isso, Francisco Brennand adotou como eixo central para a criação do projeto temas ligados às expedições marítimas que culminaram na chegada das caravelas portuguesas ao País. O conjunto reflete a ambição e medo diante do desconhecido, remontando aos perigos e o fascínio que os navegadores sentiram ao encontrar um novo território, mesclando-os às crenças e mitologias que cercavam os oceanos nos séculos passados. São exemplos as figuras de serpentes e monstros lendários que muitos acreditavam habitar os mares. Entre as esculturas de criaturas míticas estão cinco sereias: Cora, Severina, Justina, Marina e Alberta, representadas por esculturas de mulheres-pássaro que atraem os navegadores. Cada uma delas representa um século e continua a olhar o tempo como Guardiãs do Atlântico, vigiando o estuário e lembrando que o trabalho artístico de Francisco Brennand é, sobretudo, permanência.

Na criação da Coluna de Cristal, uma das obras mais simbólicas do Parque de Esculturas, Francisco Brennand estabelece uma relação direta com a Árvore da Vida — imagem recorrente em seu imaginário artístico. A escultura, concebida como uma coluna encimada por uma forma floral, abriga em seu interior o ovo, símbolo de origem, continuidade e eternidade. Essa ideia é apresentada no texto “Um Murmúrio Sobre uma Grande Conquista”, que o artista discursou na inauguração do espaço, associando a obra ao encontro entre civilizações e à dimensão mítica das grandes navegações.

"Homens vindos das cidades alcançaram as grandes florestas do mundo. Nada melhor como símbolo desse encontro do que a ideia de uma coluna encimada pela elipse de uma flor, cujo nome é Cristal. Os conquistadores encontraram a Árvore da Vida, catedral de folhagens guardando em seu âmago o OVO resplendente da eternidade", escreveu Brennand. A forma remete a uma flor da espécie cristal, que o paisagista Roberto Burle Marx presenteou a Deborah Brennand, poeta e primeira esposa de Francisco. Transformada em escultura monumental, a referência pessoal ganha escala simbólica e pública, unindo afetividade, natureza e mito em uma das imagens mais emblemáticas do Recife contemporâneo.

Para Marcos Baptista, presidente da Oficina Francisco Brennand, celebrar os 25 anos do Parque de Esculturas é reconhecer a força simbólica de uma obra que dialoga diretamente com a geografia, a história e os símbolos afetivos do Recife.

"Fundamental para a geografia e paisagem do Recife, o Rio Capibaribe entra na capital pernambucana margeando a Oficina Francisco Brennand, e se despede da cidade, desaguando no Oceano Atlântico também sob a criação do artista.  Ao longo desses 25 anos, o Parque de Esculturas se consolidou como um dos grandes monumentos da cidade, que de tão marcante tornou-se um cartão-postal historicamente recente. Em geral, os cartões-postais das cidades datam de longo tempo, mas Francisco Brennand subverte essa premissa e deixa como legado do seu trabalho artístico, um patrimônio que pertence a todos nós e que reafirma na identidade cultural de Pernambuco”, pontua Marcos.

REQUALIFICAÇÃO
Em 2024 o Parque de Esculturas Francisco Brennand passou por uma grande requalificação promovida pela Prefeitura do Recife. Houve restauração e reconstrução de todas as obras que necessitavam de restauros e reintegração de pedras cerâmicas, como foi o caso do retorno da serpente marinha, confeccionada em bronze, saqueada em 2021, que retornou ainda maior e mais imponente. O projeto de restauração do espaço contou com trabalho realizado pelo também artista plástico Jobson Figueiredo.

“O projeto que ao longo de 25 anos passou por diversas reformas, como reintegrações e confecções de obras e cerâmicas, desde o início de sua inauguração constituiu-se como um marco histórico e memorial para o Recife. O artista produziu com afinco as encomendas solicitadas, criando assim um parque de obras com serpentes, ovos, pássaros, e tantas outras singulares da sua cosmologia. O convite para povoar com obras o molhe veio de um grupo de arquitetos e Brennand logo aceitou, começando então a trabalhar na realização do projeto que tinha como principal obra a ‘Coluna de Cristal’. Produzida em cerâmica e bronze, margeada com cabeças de tempestuosas serpentes marinhas e encimada por uma grande flor de cristal em bronze, referência à flor encontrada pelo artista Roberto Burle Marx”, relata Marinez Teixeira, gerente de Acervo e Documentação da Oficina Francisco Brennand.

A gestora ainda complementa que na ideia inicial a coluna seria uma torre, ou uma espécie de farol, um monumento vertical que poderia ser avistado ao longe, como nas grandes navegações no início do então descobrimento. “Dizemos com orgulho e alegria que o Parque de Esculturas é uma obra de Francisco Brennand, mas também um monumento construído para a sociedade, realizado a partir de pesquisas com elementos de nossa história e arte”, finaliza.

Buscando oferecer mais conforto e segurança aos visitantes, o equipamento dispõe de bancos, banheiros e bicicletários, além de vigilância 24 horas, monitoramento por câmeras de segurança e iluminação cênica para ressaltar a beleza do local no período da noite. A Oficina Francisco Brennand também atuou no processo com orientação da reforma e tratamento do acervo.

SERVIÇO
Parque de Esculturas Francisco Brennand
Funcionamento: de terça a sexta-feira, das 10h às 17h; sábados e domingos, das 9h às 18h;
Entrada gratuita - acesso pode ser feito de barco (com travessia a partir do Marco Zero) ou por terra (acesso pelo molhe de Brasília Teimosa)

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