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Mostra artística convida a um passeio pela década de 1990

O acesso à exposição é gratuito e o público vai contemplar o trabalho de 25 artistas

TEXTO Cleide Alves

28 de Janeiro de 2026

Quadro de Roberto Burle Marx integra a exposição no Mepe

Quadro de Roberto Burle Marx integra a exposição no Mepe

Foto Leopoldo Conrado Nunes/Cepe

Isso é bem anos 90! Com esse título sugestivo, o Museu do Estado de Pernambuco inaugura sua mais nova exposição temporária, às 19h desta quarta-feira (28/1). A mostra reúne 30 peças, entre quadros, esculturas, desenhos, gravuras e livros, produzidos por artistas brasileiros na década de 1990. É gratuita e ficará em cartaz no hall do Espaço Cícero Dias do Mepe até 28 de fevereiro, numa parceria com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

Visitantes da exposição Isso é bem anos 90! terão acesso a um recorte do acervo do Mepe, localizado nas Graças, Zona Norte do Recife. “O acervo selecionado foi formado em grande parte por salões de arte e por doações”, informa o curador da mostra, Rinaldo Carvalho. Nos dois casos - prêmio aquisitivo do salão ou contrapartida de exposições - o artista deixa uma obra no museu, preservada para toda a vida, diz ele.

Estão representados, entre outros artistas, José Paulo, Márcio Almeida, Fernando Augusto, Gil Vicente, Ricardo Braga, Dantas Suassuna, Betânia Correia de Araújo, Romero de Andrade Lima, José Patrício, Eugênia Harten e Lorane Silva Barreto.

“Sentimos a necessidade de fazer uma mostra com o recorte dos anos 1990, um momento importante do país, período de redemocratização, de mudanças econômicas, de mudanças de comportamento, da arte conceitual e experimental”, declara Rinaldo Carvalho. As pessoas na faixa dos 35 anos de idade, diz ele, não viveram essa história, e agora a nova geração pode fazer essa viagem no tempo pelo acervo do mepe.

Os anos 1990 chegam com mudanças, destaca o co-curador da mostra, Márcio Almeida. “É uma época de muita experimentação, de arte conceitual, a própria pintura experimenta novos suportes e materiais. É a época de transição de um circuito menos profissional para outro mais profissional, com curadorias e cursos de formação oferecidos pela Fundação Joaquim Nabuco”, diz Márcio Almeida.

No lugar de telas e pincéis, os jovens artistas faziam suas criações utilizando plástico PVC como suporte, materiais de ferro velho e até ossos de animais. O Coletivo Carga e Descarga, que tinha na composição Márcio Almeida, Maurício Silva, Flávio Emanuel (falecido de infarto em 2021) e Dantas Suassuna, usou mil ossos de galinha para criar o painel “Dos que morreram para os que ainda vão nascer”, recorda Márcio.

A obra “Conserva e Protege”, escolhida para representar o trabalho de Márcio Almeida na exposição, é um conjunto de seis quadros que ele fez em filme plástico. “Também utilizei filme velado de máquina fotográfica, demorou a ficar pronto porque as experimentações eram apostas no acaso”, comenta. Na década de 1990, acrescenta Márcio Almeida, música, dança e artes visuais caminhavam juntas.

“Não havia uma limitação a exposições, o Carga e Descarga criou a ambientação da rave Festa do Túnel. O coletivo não fez opção de ser conceitual, agregamos todas as possibilidades que a arte contemporânea nos mostrava, instalação, pintura e gravura. Todos os setores do Recife fervilhavam, como o cinema e a música com o Movimento Mangue, era uma época importante de identidade cultural da cidade”, recorda.

Márcio Almeida e Rinaldo Carvalho também citam, na efervescência da década de 1990, a inauguração do Mamam (Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães) e do Instituto de Arte Contemporânea da Universidade Federal de Pernambuco (IAC-UFPE). A trajetória de espaços e movimentos frequentados pelos artistas, como a Soparia e a Galeria Joana d’Arc, no Pina (Zona Sul), o Circo Maluco Beleza e o Manguebeat estarão expostos em textos, para contextualizar o que o Recife vivia. Tudo isso evidencia o caráter quase didático da exposição, acrescenta Rinaldo Carvalho. 

Serviço
O que: Exposição Isso é bem anos 90!
Quando: 28/1 (quarta-feira) até 28/2 (sábado)
Hora: 19h
Acesso: Gratuito
Local: Hall do Espaço Cícero Dias do Museu do Estado de Pernambuco (Avenida Rui Barbosa, 960, Graças, bairro da Zona Norte do Recife)

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