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II Noturno celebra o cinema em quatro dias no Recife

De quinta (27) a domingo (30), segunda edição do festival ocupa os cinemas São Luiz e da Fundação com mostras competitivas, lançamentos, sessões especiais, homenagens, seminários, oficinas e shows

26 de Agosto de 2026

Foto Divulgação

O II Noturno - Festival Internacional de Cinema do Recife ocupa o Cinema São Luiz e o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco - Derby a partir desta quinta-feira (27), com uma programação gratuita que segue até o domingo (30), trazendo diferentes panoramas da produção cinematográfica local, nacional e global, transitando entre o contemporâneo e o clássico em suas diversas estéticas e modos de produção. Serão exibidos 60 filmes, entre curtas e longas, passando por mostras competitivas, panoramas nacionais e internacionais, além de sessões especiais em homenagem a importantes personagens do cinema brasileiro e pernambucano, contando também com seminários, oficinas e shows. 

A sessão de abertura será realizada no Cinema da Fundação, às 19h30, e traz uma jornada por diferentes facetas criativas e experimentais da produção pernambucana, em exibições inéditas no Recife. A começar pela estreia de Cerimônia (2026), dirigido por Fábio Ramalho, André Antônio e Chico Lacerda, do coletivo pernambucano Surto & Deslumbramento.

Na mesma noite, a restauração de outras duas joias cinematográficas também ganham estreias pernambucanas. O psicodélico e arrojado Chá (1987), de Paulo Caldas, acompanha o clássico do ciclo super-8 (em cópia 2K inédita) Inventário de Um Feudalismo Cultural Nordestino ou Fricção histórico existencial (1978), de Jomard Muniz de Britto, uma das principais inspirações do festival. 

“Nessa segunda edição, buscamos expandir o conceito do festival também para o longa-metragem, construindo, a partir da programação, um diálogo entre as histórias do cinema pernambucano, brasileiro e mundial. Nosso foco é explorar o que acontece no interior do filme: seus modos de fazer, seus processos de experimentação e criação, assim como as diferentes formas colaborativas de produção. No final, a sala de cinema se torna esse espaço onde podemos embaralhar a produção pernambucana do passado e do presente a clássicos e novidades do cinema nacional e internacional, gerando novas possibilidades de leitura, aproximação e descobertas”, explica João Rêgo, diretor e programador do Noturno.

Mais cedo, às 16h, o Cinema da Fundação recebe o seminário Imaginações Noturnas, que terá como tema “Ruído Infinito: Programando Imagens Pretas”, conduzido pela historiadora, curadora e crítica Lorenna Rocha. O encontro parte da ideia de “imagens pretas” para buscar outras chaves de leituras históricas sobre o cinema negro. 

A conversa será seguida pela sessão especial “Para ir no fundo do bagulho: o cinema com Afrânio Vital”, com a exibição dos filmes Ataulfo Alves (1973), Antônio Maria (1977), Pérola Negra (1979) e Dois Nilos (2024). Na quinta-feira, o seminário retorna com o filósofo, professor e tradutor Victor Galdino com o tema “Filmar e desfilmar raça: os destinos do arquivo”, às 15h. 

“O Noturno pensa o território e o público para além da programação de exibição. Este ano os núcleos de formação, oficinas de crítica e aulas dentro da própria sala de cinema, atravessam memória, arquivo, cinema e crítica, abrindo um espaço de conversa com quem já frequenta as nossas sessões. O que buscamos é um princípio formativo, uma permanência do festival através das pessoas, seja pela forma como os filmes as movem, seja pelo que se constrói junto nessas trocas”, detalha Felipe Karnakis, diretor e programador do Noturno.

CLÁSSICOS E PANORAMAS CONTEMPORÂNEOS
Nesta segunda edição, o festival passa a exibir também longas-metragens. Clássicos nacionais e internacionais estarão em exibição para descobertas e redescobertas. Do cinema marginal brasileiro dos anos 1960 vem A Mulher de Todos (1969), uma das clássicas parcerias entre o diretor Rogério Sganzerla e a atriz Helena Ignez, agora em versão restaurada 4K. Ainda dentro da história do repertório nacional, O Convite ao Prazer (1980), que condensa as angústias, os desejos e o existencialismo que marcam a obra de seu diretor, Walter Hugo Khouri. 

Ainda dentro da exibição de clássicos, será exibidos Mulheres Diabólicas (1995), do francês Claude Chabrol, e Excitação (1977), de Jean Garret, exibido em uma sessão especial à 0h do próximo sábado (29). Os cinemas de Garret e Chabrol, ligados respectivamente à Boca do Lixo brasileira e à Nouvelle Vague francesa, conversam em suas pulsões de desejo, violência e tensão — não à toa Garret ganhou o apelido de “o Chabrol paulista” —, com exibições em cópias digitais impecáveis. 

Também fazem parte da mostra de clássicos títulos como Yeast (2008) e The Wolf Knife (2010), representando a efervescência independente e naturalista do cinema dos Estados Unidos das últimas décadas. Dentro da produção contemporânea, o Panorama Internacional traz  Mid/Evil Times (Devon Daniel Green, 2025, EUA); Tycoon (Charlotte Zhang, 2026, EUA/Canadá) e Genesis (José Oliveira e Marta Ramos, 2024, Portugal). Já o Panorama Nacional apresenta Amante Difícil (João Pedro Fato, 2026, RJ); Palco Cama (Jura Capela, 2025, PE); A Voz da Virgem (Pedro Almeida, 2026, RJ); Tannhauser (Vinicius Romero, 2026, SP/RJ); e Disciplina (Affonso Uchôa, 2026, MG).

SESSÕES-HOMENAGEM: ADELINA PONTUAL E PAULO CÉSAR SARACENI EM FOCO
O II Noturno também presta homenagem a nomes cuja produção dialoga com a essência de inovação e experimentação em outros modos de pensar e fazer cinema do festival. Uma delas é a pernambucana Adelina Pontual, que atua desde os anos 1980, seja como diretora, roteirista ou continuísta. Ela ganha uma sessão especial, com a exibição dos curtas El Monstruo (1991), O Pedido (1999), Cachaça (1995) e Samyradash, os artistas de rua (1993). 

Quem também ganha uma mostra especial é o carioca Paulo César Saraceni (1932-2012), cineasta que fez parte do grupo fundador do Cinema Novo nos anos 1960, cuja produção estreita as relações do cinema brasileiro com o neorrealismo italiano, dando a este uma roupagem completamente nacional. Em sua obra, Saraceni parte de microdramas íntimos e acaba por reverberar, em diversas medidas, as  angústias próprias da história do Brasil. A programação em sua homenagem exibe os títulos Porto das Caixas (1962) e A Casa Assassinada (1971). 

CURTAS-METRAGENS
As exibições de curtas, primeiro foco de atuação do festival em sua criação, retornam com as mostras competitivas. Divididas em quatro sessões, elas integram um mosaico de gêneros, texturas e territórios. São filmes que se debruçam sobre diferentes fluxos de tempo e diferentes articulações de espaços, passando por dimensões vitais de desejo, assombração, violência, matéria e performance. 

A produção pernambucana também ganha um novo espaço, com a exibição de curtas locais antes das sessões de longas, trazendo um panorama da produção recifense desde os anos 1980. Serão exibidos filmes de fundamentais nomes dessa produção, como Fernando Spencer, Lula Lourenço, Renata Pinheiro, Camilo Cavalcante, Fellipe Fernandes, Fábio Leal, Bisoro, Henrique Arruda, Ander Beça, Rodrigo Almeida, Fernando Peres, Irma Brown, Leonardo Amaral, Pedro Maia de Brito e Ralph Antunes. 

Idealizado pelos curadores Felipe André Silva, Felipe Karnakis e João Rêgo, o Noturno – Festival Internacional de Cinema do Recife é inspirado na obra Noturno em Re(cife) Maior, de Jomard Muniz de Britto, e tem como foco a valorização do curta-metragem, da experimentação cinematográfica e da formação de público.

SERVIÇO
II Noturno - Festival Internacional de Cinema do Recife
Onde: Cinema da Fundação Joaquim Nabuco e Cinema São Luiz
Quando: De 27 a 30 de agosto
Quanto: Programação gratuita
Site: www.noturnofestival.com 
Contato: noturnofestival@gmail.com 
Instagram: @noturnofestival 

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