Agenda

Garrido e Cave apresentam exposição com mais de 40 artistas

Com curadoria de Lucas Dilacerda, “Onde o céu e o mar se tocam”, que tem abertura na sexta (16), reúne diferentes gerações, aproximando os programas de duas galerias do Nordeste

13 de Outubro de 2026

"A miragem" (2026), de Arthur Siebra, sobre tela_30 x 40 cm

Foto Divulgação

Falar a partir de um território não significa se encerrar nele. É dessa premissa que nasce Onde o céu e o mar se tocam, exposição que reúne, pela primeira vez, os programas da Galerias Garrido, do Recife, e da Cave, de Fortaleza. Com curadoria assinada por Lucas Dilacerda, a mostra abre nesta sexta-feira (16), às 19h, na sede da Garrido, no bairro de Casa Forte, com mais de 40 artistas, entre nomes representados pelas duas galerias, artistas convidados e obras de seus acervos, estabelecendo diálogos entre diferentes gerações, territórios e linguagens da produção artística brasileira.

A parceria acontece em um momento de intensa movimentação do circuito de arte no Nordeste, marcado também pela realização da ART.PE 2026, que abre nesta quarta-feira (14), no Recife Expo Center. Tanto a Garrido quanto a Cave participam da feira, aproximando ainda mais os programas das duas galerias e criando uma conexão entre seus projetos expositivos e a programação da ART.PE.

A exposição nasce de uma relação construída ao longo dos últimos anos entre os galeristas Armando Garrido, da Garrido Galeria, e Pedro Diógenes, da Cave. Os dois se conheceram quando Pedro começava sua trajetória como galerista, em 2020. Desde então, passaram a compartilhar o interesse por artistas em início de carreira e pela construção de caminhos para a produção realizada fora do eixo Sul-Sudeste. O Acidum Project, coletivo representado pelas duas galerias e presente na exposição, é um dos pontos de encontro dessa aproximação.

“No ano passado, a Garrido já havia realizado uma parceria inédita com outra galeria do Recife, em uma exposição construída em duas partes e apresentada simultaneamente nos dois espaços. Experiências como essa mostram como a colaboração pode oxigenar as relações dentro do mercado de arte. É uma oportunidade de aproximar esses dois olhares e apresentar um conjunto de artistas que consideramos bastante representativo da produção brasileira”, enfatiza Garrido, fundador e diretor da galeria pernambucana. 

A mostra mescla nomes históricos a artistas em plena atividade, e aproxima produções de Pernambuco, do Ceará e de outros territórios do país. Estão presentes Bárbara Banida, Bruno Vilela, Charles Lessa, Chico da Silva, Delson Uchôa, Francisco Brennand, Gi Monteiro, Heitor Dutra, Jane Batista, Leonilson, Letícia Lopes e Véio, além de outros artistas contemporâneos representados pelas duas galerias.

Entre os destaques está Bárbara Banida, artista representada pela Cave e vencedora do Prêmio Residência ART.PE + LABVERDE em 2025, premiação que lhe rendeu uma residência artística na Amazônia. Em 2026, ela integra também o 39º Panorama da Arte Brasileira, realizado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). 

Para Pedro Diógenes, da Cave, a presença conjunta das galerias na ART.PE reforça uma leitura que vai além do circuito regional. “É muito gratificante acompanhar o crescimento e a consolidação de uma feira como a ART.PE, que cria possibilidades de conexão e articulação para galerias que estão fora dos grandes centros do circuito. Tanto a Cave quanto a Garrido se colocam, antes de tudo, como galerias de arte brasileiras situadas em Fortaleza e Recife. E é importante que a ART.PE também seja entendida dessa maneira: não como uma feira regional ou nordestina, mas como uma feira de arte contemporânea brasileira sediada no Recife, capaz de ampliar as conexões entre diferentes partes do país”, conclui o cearense.

NORDESTE
A curadoria de Lucas Dilacerda recusa uma representação homogênea do Nordeste, por tanto tempo moldada por um imaginário de imagens cristalizadas. Em vez do sol, da praia, do calor e do excesso de cor, tantas vezes transformados em mercadoria para o consumo turístico, a mostra volta o olhar para outras paisagens possíveis do território, transferindo o foco para diferentes maneiras de perceber a região.

Onde o céu e o mar se tocam apresenta sombras, profundidades, mistérios e cenas noturnas. O azul marinho aproxima o céu escuro do mar profundo; o branco pode ser espuma, nuvem, onda ou estrela. Escurecer essa paisagem, segundo o curador, não é negar a luz do Nordeste, mas recusar que uma região tão complexa seja reduzida às imagens mais previsíveis de vender e consumir.

"O que conecta essas produções não é uma ‘identidade nordestina’ nem uma estética comum entre elas. São diferenças que entram em relação. O Nordeste aparece como território de experiência e de pensamento, não como um repertório de imagens que os artistas precisam reproduzir. Isso é importante porque existe uma cobrança histórica para que artistas de determinadas regiões representem sua origem, enquanto artistas dos grandes centros frequentemente recebem o direito de falar sobre qualquer assunto", afirma Dilacerda.

As obras abrangem temas como corpo, natureza, paisagem, matéria, memória, ancestralidade, espiritualidade, cosmologia, ecologia, gênero, raça, tecnologia, cultura popular, sonho, abstração, fabulação e transformação. O conjunto de trabalhos também coloca em diálogo categorias historicamente separadas, como arte e artesanato, popular e erudito, tradição e contemporaneidade, figuração e abstração. Assim, os artistas produzem a partir do Nordeste sem a obrigação de representar uma suposta essência nordestina: o lugar é ponto de partida, não limite.

“A exposição ganha ainda mais força por acontecer entre Recife e Fortaleza e dentro da ART.PE. O sistema brasileiro da arte continua muito concentrado em poucos centros econômicos e institucionais. Descentralizar não significa apenas levar artistas do Nordeste para esses centros. Significa fortalecer circuitos, mercados, instituições, colecionadores, galerias, críticos e públicos no próprio Nordeste. Descentralizar não é mudar a periferia de endereço, é multiplicar os centros”, completa o curador.

ART.PE 2026
A exposição acontece no contexto da ART.PE 2026, que abre nesta quarta-feira (14) e segue até domingo (18), no Recife Expo Center (Cais de Santa Rita, 446 - São José), reunindo galerias, artistas e agentes do circuito nacional e internacional de arte. A Garrido Galeria participa da ART.PE pelo quinto ano consecutivo, ocupando o estande G25. A Cave também participa da edição de 2026, no estande G44. Os dois projetos curatoriais de cada galeria na feira também são assinados por Lucas Dilacerda, curador e membro da AICA - International Association of Art Critics.

SERVIÇO
Exposição Onde o céu e o mar se tocam, da Garrido Galeria + Cave, com curadoria de Lucas Dilacerda
Onde: Garrido Galeria (Rua Samuel de Farias, 245, Casa Forte, Recife - PE)
Quando: Abertura: 16 de outubro de 2026, às 19h. Período expositivo: 16 de outubro a 10 de dezembro. Horários de visitação: Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h

ARTISTAS
Abelardo da Hora
Acidum Project
Alanys Araújo
Alexandre Nóbrega
aoruaura
Arthur Siebra
Bajado
Bárbara Banida
Bisoro
Bruno Vilela
Cadeh Juaçaba
Canttidio
Charles Lessa
Chico da Silva
Cristina Vasconcelos
Delson Uchôa
Francisco Brennand
Francisco Graciano
Gi Monteiro
h4wnee
Heitor Dutra
ianah
Jane Batista
JEAN
Jonas Pinheiro
José Bezerra
Júlio Jardim
Laura Pascoal
Leonilson
Letícia Façanha
Letícia Lopes
Manoel Veiga
Navegante Tremembé
Nicolle Rocha
Nina Horikawa
Pilar Rodriguez
Ramon Alexandre
Rita Lessa
Sérgi Gurgel
Tatiana Moés
Telma Gadelha
Vanessa Acioly
Véio

veja também

Rock na Calçada comemora 11 anos na Rua da Moeda

Arte Plural apresenta a coletiva “Ecótono"

Augusto Licks, dos Engenheiros do Hawaii, volta ao Recife