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Gabi Holanda apresenta “Ensaio sob.re o chão”

Palestra-performance gratuita no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, integra o projeto de pesquisa da artista-pesquisadora

19 de Março de 2026

Beatriz Aguiar/Divulgação

Propondo uma reflexão sobre a intersecção entre corpo, memória e territórios em conflito, a palestra-performance "Ensaio sob.re o chão", da artista-pesquisadora Gabi Holanda, será apresentada gratuitamente no (sábado (21) e domingo (22), às 20h e 17h, respectivamente, no Teatro Fernando Santa Cruz do Mercado Eufrásio Barbosa, no bairro do Varadouro, em Olinda. O evento contará, ainda, com a exibição do documentário “Pranto, pedra, promessa", e terá acesso livre para todas as pessoas. O projeto tem incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), por meio de edital do Governo do Estado de Pernambuco.

Também parte da programação, entre os dias 31 de março e 03 de abril, a artista Gabi Holanda vai fazer um encontro online para lançamento e debate sobre o processo de pesquisa, além de uma temporada de três dias de exibição do documentário no Canal do YouTube da artista.

Mais do que uma apresentação, o encontro configura-se como um espaço de troca e de reflexão entre a artista-pesquisadora e o público, sendo uma imersão nos bastidores da pesquisa e nos atravessamentos éticos, poéticos e políticos que sustentam todas as etapas do trabalho. Corpo, palavra, imagem e memória se articulam numa experiência que dialoga com conflitos socioambientais, disputas por terra e água e modos de resistência.

“Esse trabalho nasce da necessidade de escutar os territórios e os corpos que seguem resistindo às promessas do progresso. A dança, aqui, é uma forma de testemunho, de reencantar o chão e de lembrar aquilo que tentaram apagar. A pesquisa dramatúrgica foi realizada a partir do diálogo com as comunidades envolvidas e dos laboratórios corporais realizados em cada lugar, considerando suas materialidades e as memórias dos territórios. A investigação corporal aproxima o centro do corpo do centro da Terra e investiga outros modos de habitar o chão, compreendido como lugar de disputa, mas também como sustentação, experimentando outros apoios para a dança”, define Gabi Holanda.

“Ensaio sobre o chão” é uma demonstração do processo da pesquisa "Quando o chão vira céu", uma dança feita de pedras, memórias e escutas. A cena atravessa conflitos vividos às margens do Rio Fragoso, em Olinda, e dos rios São Francisco e Pajeú, em Itacuruba, no Sertão de Pernambuco. Entre quedas, inversões e gestos guiados pelas mãos, constrói-se uma paisagem em movimento onde chão e céu se embaralham, e onde dançar é também resistir, relembrar e reencantar a terra.

A pesquisa se desenvolveu em diálogo com esses dois territórios pernambucanos marcados por processos históricos de deslocamento forçado, apagamento de memórias e impactos ambientais produzidos pela lógica do desenvolvimento. Em Olinda, a canalização do Rio Fragoso e as grandes obras urbanas intensificaram enchentes, remoções e a vulnerabilização das comunidades ribeirinhas. Em Itacuruba, o reassentamento compulsório causado pela construção da Usina Hidrelétrica de Itaparica e a ameaça de instalação de uma usina nuclear seguem produzindo rupturas profundas nos vínculos comunitários e territoriais, enfrentadas pela resistência de povos indígenas, como o Tuxá Pajeú.

A partir da pesquisa corporificada sobre esses dois territórios que passam por conflitos socioambientais, a criação da palestra-performance de Gabi Holanda articula práticas de dança contemporânea, ecoperformance e composição situada, entendendo o corpo como superfície de escuta e o chão como campo político e arquivo de memória. Pedras, imagens projetadas e deslocamentos espaciais constroem uma cena que tensiona o apagamento histórico e convidam o público a partilhar o gesto, ativando uma travessia entre corpo, território e afeto.

Diante da crise climática e do avanço dos conflitos por terra e água, “Ensaio sobre o chão” afirma a arte como prática relacional, documental e política, propondo outros modos de habitar o mundo e de produzir pertencimento a partir da escuta dos lugares.

SINOPSE DO DOCUMENTÁRIO
“Pranto, pedra, promessa” é um documentário construído em diálogo com o povo Tuxá Pajeú, em Itacuruba, no Sertão de Pernambuco. Misturando depoimentos de moradores, registros do território e cenas performativas realizadas com a comunidade, o filme revisita a memória da antiga cidade inundada pela construção da Barragem de Itaparica e os impactos duradouros desse deslocamento forçado. Entre lembranças da água que subiu, promessas de progresso e novas ameaças que pairam sobre o território, como a instalação de um complexo com seis usinas nucleares, a obra revela as marcas da lógica desenvolvimentista sobre corpos, paisagens e modos de vida. Entre pranto e resistência, o filme escuta as memórias que permanecem vivas e afirma a força de um povo que segue lutando por seu território.

SERVIÇO
Palestra-performance: Ensaio sob.re o chão
Exibição do documentário “Pranto, pedra, promessa”
Onde: Teatro Fernando Santa Cruz, Mercado Eufrásio Barbosa – Varadouro, Olinda (PE)
Quando: 21 e 22 de março, às 20h e 17h respectivamente
Duração: 1h
Classificação indicativa: Livre

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