Brennand em diálogo com artistas contemporâneos
A partir de 28 de março, na Galeria Claraboia, a exposição coletiva “O Drama da Forma” e “UMBO”, a mostra individual de Marcela Dias, investigam, respectivamente, a instabilidade da matéria e os processos de construção da pintura contemporânea
27 de Março de 2026
Exposições na Galeria Claraboia
Foto Paulo Freitas/Divulgação
A Claraboia inaugura, no sábado (28), duas novas exposições simultâneas que exploram, por diferentes caminhos, as tensões entre matéria, forma e processo. No primeiro andar da galeria, a coletiva O Drama da Forma, com curadoria de Rita Vênus, reunirá cinco obras de Francisco Brennand em diálogo com trabalhos de 6 artistas contemporâneos, articulando diferentes gerações em torno da instabilidade material.
No térreo, a artista pernambucana Marcela Dias apresenta UMBO, exposição individual realizada em parceria com a galeria Marco Zero, com texto de Ariana Nuala. Reunindo mais de 20 pinturas recentes, a mostra evidencia o aprofundamento de sua investigação pictórica.
A partir de abordagens distintas, as mostras compartilham o interesse por processos em transformação, seja na relação da matéria com o fogo e o tempo, seja na construção da pintura como campo de experimentação e revisão contínua.

Em O Drama da Forma, a curadora Rita Vênus propõe uma interpretação da matéria como campo de tensão e transformação. Ao reunir obras de Francisco Brennand (1927–2019) em diálogo com trabalhos de Bel Ysoh, Chacha Barja, Marina Woisky, Raphaela Melsohn, Ulrik López Medel e Vicente do Rego Monteiro, a exposição articula diferentes práticas que investigam os limites físicos e simbólicos da forma.
A cerâmica e seus processos — marcados pela ação radical do fogo, pela evaporação, retração e vitrificação — funcionam como ponto de partida para a mostra, que expande essa lógica para outros materiais e linguagens. Superfícies que derretem, cores que se transformam e estruturas que parecem em constante instabilidade compõem um conjunto em que a forma nunca se apresenta como estado fixo.
O pensamento do artista Francisco Brennand, que compreendia sua produção como um “drama” que ultrapassa o próprio autor, atravessa a curadoria como chave de leitura. Nesse contexto, o espaço expositivo se configura como uma espécie de cena, onde as obras se organizam em relações dinâmicas, tensionando corpo, matéria e ambiente.
Ao reunir seres cerâmicos, metálicos, xilóides e formas híbridas — como estruturas que evocam ovos, tentáculos e organismos em expansão —, a exposição investiga o dilema da matéria em processos de transformação contínua. As obras operam como campos de forças em que volumes, vazios e direções se articulam de maneira instável, deixando visíveis as marcas de seus processos de formação.

Foto: Paulo Freitas/Divulgação
Em UMBO, nova individual de Marcela Dias, representada pela galeria Marco Zero, a artista apresenta um conjunto de 24 trabalhos produzidos entre 2025 e 2026, desenvolvidos a partir de uma investigação sobre a materialidade da pintura e seus processos de construção.
O título da exposição remete à ideia de um núcleo de emergência, uma pequena saliência a partir da qual uma forma se projeta e reorganiza o espaço ao redor. Nas telas, essa noção se manifesta em estruturas que parecem surgir lentamente, como se ainda estivessem em processo de formação.
A artista trabalha com camadas de tinta, raspagens e diluições que deixam visíveis vestígios de decisões anteriores, em um procedimento próximo ao pentimento. Tons velados e leitosos — entre lilases, azuis, verdes e amarelos suaves — formam campos cromáticos rarefeitos, nos quais formas arredondadas emergem como concentrações de matéria.
Pequenas elevações de tinta, marcas de pincel e incisões pontuais atravessam a superfície, sugerindo ritmos internos e deslocamentos mínimos. A pintura se constrói, assim, por acúmulo e revisão, mantendo exposto o percurso do fazer.
Nesse conjunto, cada tela se apresenta como um campo instável, onde a imagem não se fixa completamente. As obras evocam paisagens imprecisas, atmosferas em suspensão e territórios que se situam entre lembrança, projeção e invenção — como um espaço que se forma a partir de si mesmo.
CLARABOIA
A Claraboia é uma galeria de pluralidade artística que nasce do desejo de fomentar a arte brasileira de maneira colaborativa e descentralizada, aproximando vozes, contextos e sensibilidades que nem sempre encontram visibilidade no circuito artístico tradicional.
Com atenção especial a produções e novos talentos que emergem de diferentes contextos culturais do país, a galeria trabalha para fortalecer essas expressões criativas dentro da narrativa contemporânea brasileira, valorizando suas dimensões intelectuais, críticas e poéticas.
Por meio de sua programação, a Claraboia propõe gestos de aproximação que incentivam o diálogo entre gerações, territórios e temporalidades, com o propósito de ser um espaço de encontro e troca entre diferentes agentes em torno da arte e das culturas brasileiras.
SERVIÇO
O Drama da Forma
28 de março a 09 de maio de 2026
Curadoria: Rita Vênus
Com obras de Bel Ysoh, Chacha Barja, Francisco Brennand, Marina Woisky, Raphaela Melsohn, Ulrik López Medel e Vicente do Rego Monteiro
Claraboia – Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 2906, no bairro Jardim América, São Paulo - SP, 1º andar
Marcela Dias: UMBO
28 de março a 02 de maio de 2026
Curadoria: Ariana Nuala
Realização: parceria com a galeria Marco Zero
Claraboia – Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 2906, no bairro Jardim América, São Paulo - SP, térreo
Seg a Sex: 10h – 19h
Sáb: 11h – 15h