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Arte Plural apresenta a coletiva “Ecótono"

Exposição gratuita reúne, a partir da sexta (16), obras de Danielly Guerra, Gerson Ipirajá, Géssica Amorim e Yasmin Formiga

14 de Outubro de 2026

Géssica Amorim Canga 2025 impressão fineart sobre papel algodão, 100 x 150cm

Géssica Amorim Canga 2025 impressão fineart sobre papel algodão, 100 x 150cm

Foto Divulgação

Para onde estamos indo? E quais mundos queremos fazer sobreviver durante essa travessia? As perguntas são as provocativas que dão origem a próxima exposição na Arte Plural Galeria, que acontece a partir de 15 de outubro, denominada de  “Ecótono”, com curadoria de Lucas Dilacerda e participação dos artistas Danielly Guerra, Gerson Ipirajá, Géssica Amorim e Yasmin Formiga.

A mostra reúne quatro artistas com pesquisas e trajetórias em destaque na cena contemporânea nordestina. Entre eles estão Yasmin Formiga, vencedora do PIPA Online 2025, e Géssica Amorim, indicada ao Prêmio PIPA 2026, além do artista cearense Gerson Ipirajá, que possui mais de três décadas de produção e participação em importantes bienais e trienais internacionais de gravura. Danielly Guerra completa o grupo com uma pesquisa autoral voltada às relações entre memória, corpo, cotidiano e paisagem.

Na ecologia, “ecótono” é uma zona de transição entre dois ou mais ecossistemas. É uma região de contato em que diferentes espécies e condições ambientais se encontram, fazendo coexistir características dos territórios que atravessa e, ao mesmo tempo, produzindo relações próprias. O ecótono pode ser compreendido como uma zona de passagem e contaminação, onde a diferença não desaparece no encontro, mas produz novas possibilidades de viver junto.

É a partir dessa imagem poética que a exposição aproxima as pesquisas dos quatro artistas. Eles partem de universos e territórios distintos: a subjetividade de Danielly, a ancestralidade de Gerson, o Sertão de Géssica e a Caatinga de Yasmin. A exposição não procura unificar essas produções sob uma mesma identidade, mas criar entre elas uma região de contato. Como em um ecótono, cada poética conserva suas particularidades enquanto encontra, nas demais, pontos de aproximação e mútua afetação.

QUATRO POÉTICAS
Danielly Guerra transforma memória, infância, maternidade, cotidiano e sonho em paisagens interiores, fazendo da pintura e do desenho caminhos para o autoconhecimento. Entre a figuração e a abstração, surgem formas orgânicas como pedras, ovos, sementes, árvores, rios, caminhos e brotos. São elementos que aparecem como símbolos de tempo, desejo, crescimento e transformação, criando territórios onde corpo e natureza se fundem.

Suas obras assumem o próprio cotidiano como método e constroem uma poética da germinação. Aquilo que permanece invisível ou ainda não possui nome encontra, pouco a pouco, uma forma para nascer.

Gerson Ipirajá investiga sua ancestralidade afro indígena como um campo de sobrevivência de formas sagradas. O artista constrói um vocabulário próprio, uma escrita visual composta por setas, pontas, lâminas, tridentes, círculos e eixos, que funciona como uma espécie de alfabeto ancestral.

Na pintura e na escultura, esses signos se transformam em ferramentas, armas, tabernáculos, máscaras, entidades, totens e guardiões. São imagens que parecem antigas, mas pertencem a uma arqueologia imaginária, criada pelo próprio artista.

Géssica Amorim pesquisa as relações entre território, identidade e memória, transformando o Sertão do Pajeú em uma paisagem afetiva e onírica. Por meio da fotografia, desloca corpos, roupas, móveis, flores e objetos cotidianos para a paisagem, criando cenas que transitam entre a documentação e a fabulação, entre a realidade e a ficção.

Com luzes quentes, tons terrosos e fortes relações com a casa, a infância e o cotidiano, Géssica constrói outras imagens para o Sertão nordestino, revelando-o como uma terra viva e repleta de sonhos.

Yasmin Formiga investiga a Caatinga como entidade viva e ancestral. Por meio da performance, fotografia, pintura, desenho, instalação e land art, trabalha diretamente com a terra e não apenas sobre ela, criando composições com pedras, plantas, raízes, sementes e outros elementos do semiárido.

Suas obras se tornam, assim, uma espécie de ecologia caatingueira. Ao mesmo tempo, a artista discute criticamente as transformações desse território, sobretudo os impactos provocados pelas eólicas. Sua pesquisa busca propor outras formas de habitar e coexistir com a Caatinga.

PARA ONDE ESTAMOS INDO?
Talvez o ecótono mais urgente seja justamente aquele em que vivemos agora: entre um mundo que aprendemos a habitar e outro que ainda não sabemos como construir.

Diante da destruição dos territórios, do apagamento das memórias e da transformação da vida em recurso, as obras reunidas em “Ecótono” apontam para outras formas de existência baseadas na relação, na ancestralidade, no cuidado e na imaginação.

Entre sementes, sonhos, entidades, pedras e paisagens, os quatro artistas mostram que toda transição contém uma disputa sobre aquilo que poderá continuar existindo.

SOBRE OS ARTISTAS
Danielly Guerra é artista visual pernambucana e desenvolve uma pesquisa que transita entre pintura, desenho e outras linguagens, tendo memória, afetividade, corpo, cotidiano e paisagem como elementos recorrentes. Sua produção constrói imagens que transitam entre o reconhecível e o imaginado, criando paisagens de caráter íntimo e simbólico.

Gerson Ipirajá, nascido em Fortaleza, iniciou sua trajetória nas artes visuais em 1994, em Aracati, no Ceará. Ao longo de mais de três décadas de produção, desenvolveu pesquisas em desenho, gravura, pintura, objetos e esculturas. Participou de importantes salões, bienais e trienais no Brasil e no exterior, incluindo eventos internacionais de gravura na Polônia, Bulgária, Romênia e Macedônia. Em 2018, recebeu o Prêmio de Desenho no Salão de Abril, em Fortaleza.

Géssica Amorim nasceu em Custódia, no Sertão de Pernambuco, em 1994, e vive e trabalha em Sítio dos Nunes, no município de Flores. Jornalista e fotógrafa formada pela Universidade Federal de Pernambuco, desenvolve uma pesquisa relacionada à identidade, memória, cotidiano e território. Em 2024, realizou a exposição individual “Sono Sereno”, na Fundação Joaquim Nabuco, no Recife. Em 2026, foi indicada ao Prêmio PIPA.

Yasmin Formiga nasceu em Santa Luzia, na Paraíba, em 1997, onde vive e trabalha. Artista visual, educadora e ativista ambiental, é graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba. Sua produção investiga questões socioambientais e territoriais relacionadas à Caatinga, utilizando performance, instalação, fotografia, pintura, desenho, objetos e land art. Em 2021, recebeu Prêmio de Aquisição na Bienal de Arte Contemporânea do Sesc Paraíba. Em 2025, foi indicada ao Prêmio PIPA e venceu o PIPA Online, votação popular da premiação.

SERVIÇO
ECÓTONO, exposição coletiva dos artistas Danielly Guerra, Gerson Ipirajá, Géssica Amorim e Yasmin Formiga, com curadoria de Lucas DiLacerda
Onde: Arte Plural Galeria - Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife, Recife, PE
Quando: De 15 de outubro de 2026 até 29 de janeiro de 2027. Segunda a sexta, das 9h às 18h. Sábados, das 14h às 18h
Quanto: Entrada: gratuita

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