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Amparo 60 inaugura nova exposição de José Patrício

Abertura de A dança matemática das cores, com curadoria de Diego Matos, acontece na sexta (9), marcando o retorno do artista a uma grande individual no Recife desde 2017

06 de Outubro de 2026

Foto Divulgação

A Galeria Amparo 60 inaugura, na sexta-feira (9), A dança matemática das cores, nova exposição de José Patrício, com curadoria de Diego Matos. A abertura marca o retorno do artista a uma grande individual no Recife desde 2017, quando apresentou Precisão e acaso, no Museu do Estado de Pernambuco.

A exposição reúne 12 obras inéditas que atravessam os últimos cinco anos de produção do artista, sem perder a ponte com suas práticas anteriores. Seis delas são feitas com botões, de séries já conhecidas do público (Espirais cromáticas e Progressões cinéticas) além de um grupo novo, da série Interações espaciais. As outras seis são peças únicas, feitas com quebra-cabeças, que reúnem as séries Espirais tonais, Circuitos tonais, Formas em sequência numérica tonal e Conjuntos em progressão tonal.

“Várias obras apresentam um viés cinético, aspecto que vem sendo abordado por mim ao longo da minha carreira. O meu trabalho lida com a ocupação de espaços e esta tem sido a minha principal referência ao criar novas obras. Em várias séries existe uma estrutura imutável, um grid, que serve de base para novas configurações abstrato geométricas, que se mostram sempre únicas na sua aparência”, comenta o artista.

Interações espaciais n8, botões e esmalte sintético sobre madeira, 162,5x162,5cm. Foto: Foto Robson Lemos/Divulgação

Para o curador, Patrício traz para seus trabalhos uma preocupação e uma consciência territorial, política e simbólica do lugar de onde ele vem, Pernambuco. “Ele guarda esse lugar não só com carinho, mas como ponto de partida conceitual da sua produção", explica. Colecionador de objetos e artefatos da artesania pernambucana, José Patrício se utiliza de elementos de forte apelo popular — muitos deles descartes, não pensados originalmente como objetos de arte — e os transforma numa linguagem, fazendo uso de valores racionais de composição plástica.

A relação entre dança e matemática, proposta no título da mostra, não tem um caráter de oposição. "A dança, apesar da aparência de fluidez, embute um raciocínio, um domínio às vezes até projetual. E a matemática, sempre vista como algo mais rígido, mantém sua solidez, mas pode ser extremamente lúdica", diz Diego Matos. O curador cita como exemplos a operação sequencial que Patrício faz com jogos de dominó, botões e peças de quebra-cabeça, construindo sequências que tendem ao infinito, seja por movimento espiral, seja por progressões crescentes ou decrescentes. 

“As obras são literalmente construídas a partir de princípios matemáticos, com maior ou menor rigidez no que diz respeito às intervenções que envolvem aspectos da ordem e do acaso na distribuição das unidades componentes. É um jogo onde as regras podem ser flexibilizadas e a interrelação entre os elementos (botões, peças de quebra-cabeças e outros) se dá de maneira objetiva mas envolve, em algumas obras, escolhas e aproximações cromáticas e dimensionais que são de caráter subjetivo, bem como composições onde a objetividade não deixa margem para o improviso”, detalha o artista.

Espirais cromáticas série 2 n 8, botões e esmalte sintético sobre madeira, 116,5x226,5cm. Foto: Robson Lemos/Divulgação

A distribuição das obras na expografia se dá em dois núcleos. O primeiro com trabalhos que seguem jogos sequenciais e uma racionalidade de movimento, marcada por escalas tonais que vão do branco ao preto, passando pelo cinza. Os demais, que evocam uma organização mais caótica — como a movimentação de formigas, a disposição das estrelas no espaço ou os estudos da teoria do caos —, ocupam o segundo.

“A espiral, um movimento que está presente em grande parte da minha produção, atua como um eixo para a estruturação das obras. Atualmente há um movimento no desenvolvimento do processo criativo que insere nas composições uma distribuição dos elementos de modo a criar campos cromáticos que escapam ao movimento espiralar. Esta é uma tendência que está aos poucos se afirmando”, comenta Patrício. 

Em seu texto de curadoria, Diego Matos escreve: “cada painel-objeto, que também tem sua condição escultural, enseja um movimento sistemático que nos oferece uma diversidade infindável de formas, cores e tons. Em síntese, ao final, cada obra parece conter uma irradiação modular própria, o que nos evoca o universo micro da dança das partículas atômicas, da dança da complexa estrutura numérica da programação computacional, da dança corporal nos espaços da vida, até o macro a intangibilidade do espaço cósmico”. Segundo ele, essa condução e movimento realizados pelo artista em sua poética pode ser generosamente observada nessa mostra. E completa: "em tempos tão exacerbados, de uma era de extremos, ele nos presenteia com a poética do inesgotável e do nosso eterno desejo de infinitude".

A galerista Lúcia Costa Santos ressalta a importância de realizar uma individual do artista neste momento. “Patrício é um artista cuja trajetória é consolidada nacional e internacionalmente. Para nós, é sempre especial receber seus trabalhos em nosso espaço. Esta exposição, inclusive, vai estar em cartaz durante a realização da ArtPE 2026, quando todos os olhares do mundo das artes no Brasil vão estar voltados para o Recife. Temos certeza que será muito importante estar com essa exposição, com trabalhos inéditos desse grande artista neste período”, conclui.

SERVIÇO
JOSÉ PATRÍCIO | A DANÇA MATEMÁTICA DAS CORES, com curadoria de 
Diego Matos
Onde: Galeria Amparo 60 - No 3º andar da Dona Santa (Rua Professor Eduardo Wanderley)
Quando: Abertura na quinta-feira (8), às 19h (exclusiva para convidados). Visitação: de 9 de outubro a 28 de novembro de 2026. Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 15h

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