Perfil

Arquiteto de emoções e sensações

Antonio Cláudio Massa se expressa nas mais diversas técnicas de desenho e pintura, levando às artes plásticas um método que vem do trabalho com plantas arquitetônicas

01 de Abril de 2026

Foto Leopoldo Conrado Nunes

O escritório de arquitetura com vista panorâmica para a Praia de Tambaú, em João Pessoa, não dá nenhuma pinta de ateliê. A não ser pelos quadros, cuja assinatura denuncia o artista visual que vive dentro do artista-arquiteto paraibano Antonio Cláudio Massa, 65 anos.

De espátula em punho, Antonio Cláudio mistura o laranja e o amarelo de têmpera guache e começa a pintar diretamente no papel acomodado em um cavalete de metal. A luz natural se mistura com a luz funcional, clara e neutra, típica de salas comerciais. O dresscode também é de arquiteto: camisa de manga comprida e calça. Nada na aparência remete a um pintor em plena atividade, ou seja, naturalmente sujo de tinta.

Amante de várias técnicas, o arquiteto-artista é leal a todas elas: ora é do nanquim, do bico de pena e do grafite, ora do giz, do pastel, e da tinta acrílica. Esta não quer diluição alguma. Deseja formar texturas craqueladas quando misturada com a tinta a óleo, que não se mistura. Daí o efeito.

 O método que criou ajuda na manutenção da intimidade técnica diversa. “Sou muito de marcar tempo. Então, um mês me dedico à técnica de bico de pena; um mês para o carvão, outro para a aquarela. Sou metódico. Isso é coisa de arquiteto. Aí o arquiteto entra no artista. Se eu ficar muito tempo nas telas, o desenho enfraquece, entende?”

Entendemos, Antonio. Só para ter mais uma ideia desse método, em 2017 ele se propôs um desafio: fazer uma caricatura por dia ao longo de todo aquele ano. Foram 360. Entre os caricaturados, amigos próximos, atores famosos e cantores como Zé Ramalho e Sivuca.

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