Clique ao lado para visualizar o sumário da nova CONTINENTE.

Lançamento

Uma vida tendo o livro como eixo existencial

Leia trecho de ‘Tarcísio Pereira – todos os livros do mundo’, de Homero Fonseca, lançado pela Cepe Editora

TEXTO Homero Fonseca

01 de Março de 2022

O livro nos apresenta a vida e o legado de Tarcísio Pereira, vitimado pela Covid-19, em 26 de janeiro de 2021.

O livro nos apresenta a vida e o legado de Tarcísio Pereira, vitimado pela Covid-19, em 26 de janeiro de 2021.

Imagem Arte sobre foto de dilvulgação

[conteúdo na íntegra | ed. 255 | março de 2022]

Assine a Continente 

Capítulo 1 – Odisseia familiar

CENA
Era 1947. Domingo. Do portão principal da Igreja de São Pedro, no bairro popular do Alecrim, em Natal, saem os recém-casados. Dão alguns passos, param um instante a confabular, ela fala, gesticulando com um buquê na mão, ele escuta calado. Recomeçam a andar, viram à direita e sobem a Avenida 9. Avenida só nos projetos da Prefeitura: é uma rua poeirenta, de casas modestas intercaladas por terrenos baldios. Sob o sol tinindo, os noivos seguem de braços dados, num passo quase solene, olhando para a frente. Sozinhos, sem padrinhos, damas de honra, parentes, nada. Chamam a atenção das gentes nas calçadas, na tagarelice dominical na porção sombreada da rua. Do outro lado, atraídas pelo zunzum, cabeças surgem nas janelas e figuras assomam às portas. Espantam-se com a visão. Ela, muito branca em seu vestido igualmente branco, a cauda arrastando na areia, cravada de poeira e gravetos. Ele, um preto atlético, garboso em sua farda de gala branca de cabo da Marinha do Brasil. Alguns mais curiosos se apeiam das calçadas e os acompanham à retaguarda. Meninos empinando papagaios se juntam ao cortejo. Dois soldados passavam resolvem ir atrás ver o que estava acontecendo. Dois ou três bêbados se juntam ao grupo. Da procissão, erguem-se num só rumor os sussurros das pessoas especulando sobre a cena inusitada:

— O que é isso?
— Será mesmo um casamento?
— Aquela não é a filha do barbeiro?
— Noiva branca com noivo preto?!
— Vai ver que é coisa de teatro.
— Vamos ver no que vai dar...

O burburinho forma uma trilha sonora grave, ponteada pelos agudos de uma ou outra risada mais alta.

Após uns 15 minutos de caminhada, os noivos estacam diante de uma casa comum, numa esquina. A pequena multidão silencia. O mistério vai ser resolvido? No silêncio repentino da tarde domingueira, distingue-se, nítida, a voz da noiva, firme apesar de um leve tremor inicial:

— Pai... Sou eu, Tereza. Vim pedir a sua bênção.

Silêncio. Ela repete a fala, um pouco mais alto. Instantes depois, a porta se abre e surge uma mulher, Izabel — madrasta da noiva. Ela olha fixamente para Tereza, relanceia o olhar pelo noivo e encara a multidão. Dá meia volta e entra, fechando a porta atrás de si.

Izabel vai até a rede onde o marido dormia a sesta, acorda-o e diz-lhe algo. O homem faz que não com a cabeça e continua deitado. A mulher repete o gesto e ele segue obstinado. Ela levanta um pouco a voz e diz com firmeza:

— Arreda daí, Zé Pedro. Ela é sua filha. Onde já se viu um pai negar a bênção a uma filha? Olha que Deus castiga.

Zé Pedro, por fim, levanta-se, caminha devagar e abre a porta da rua.

O ajuntamento de curiosos cessa de pronto os cochichos. Os noivos, Tereza Fernandes e cabo Júlio Ribeiro da Silva, que estavam com a vista baixa, aguardando, levantam os olhos. O barbeiro José Pedro Fernandes olha a cena, e, por um instante, passam por sua cabeça o dia em que soube do namoro da filha caçula e rebelde com o marinheiro negro, a proibição terminante que ele impôs, a desobediência de Tereza, a fuga de casa e agora essa reaparição extemporânea, chamando a atenção do povo.

Pai e filha se encaram sob o sol flamejante. Ela repete:

— Pai, vim pedir a sua bênção.

O velho nem tão velho olha unicamente para a filha, como se o noivo não existisse, um olhar com o cansaço do mundo, e fala baixinho, mas com palavras audíveis como se fossem gritadas:

— Se é isso que você quer, está abençoada.

Entra de volta a casa e fecha a porta. Os noivos, após uma breve hesitação, seguem seu destino. A pequena multidão, frustrada com o desfecho pacífico, se dispersa, e as pessoas retornam as suas casas, conversando sobre o insólito acontecimento.

O pai da noiva fora contra o casamento porque o noivo era negro, pobre e chegado a uma birita. Tereza e o cabo Júlio — que seria reformado no posto de tenente — foram morar no Rio de Janeiro, para onde ele foi transferido e onde nasceram seus três filhos — Edson, Francisco e Sebastião. Viveram uma relação intensa, sob o signo da paixão, com as idas e vindas desse tipo de união. O gesto de Tereza, quase menina, determinada e corajosa o suficiente para enfrentar toda sorte de preconceito, tinha um significado de desafio — pelo inusitado da situação e risco de uma negativa — e, ao mesmo tempo, de dever filial, de cumprimento de um rito importantíssimo em termos sociais e religiosos: a bênção paterna.

A cena fora assistida por uma pequena observadora: uma menina de sete anos que, da janela de uma casa a poucos metros de onde pai e noiva travaram o diálogo dramático, acompanhou tudo com as pupilas dilatadas de espanto infantil. Chamava-se Maria Salete e assomou à janela ao ouvir o rumor do cortejo no domingo modorrento da rua modesta. Ao reconhecer os personagens, gritou para dentro de casa:

— Mãe, vem ver. É tia Tereza!

Luzia largou o que fazia na cozinha e correu à janela. Então viu a irmã vestida de noiva, buquê já meio murcho na mão, as faces coradas, parada à porta da casa de Zé Pedro, quase ao lado. Viu o cabo Júlio com a branca farda de gala da Marinha, que realçava sua negritude, imóvel e suado. Viu o pai surgir, muito sério, ligeiramente pálido. Rodeando os três, viu a aglomeração de curiosos, a princípio buliçosa, quedar-se quieta e silenciosa durante o curto diálogo. De cá, em meio ao sólido silêncio, deu para Luzia ouvir o pedido de bênção de Tereza e a resposta do pai, aliviando seu coração.

Na sala, atrás de ambas, o bebê Tarcísio dormia placidamente.

Capítulo 2 – O menino, o rapaz e o mundo

AVIÕES E POESIA
José Tarcísio Pereira nasceu na manhã clara e cálida da terça-feira, dia 11 de março de 1947, numa casa não mais existente, na projetada Avenida 9 — hoje Rua Coronel Estavam —, em Natal, pelas mãos experientes da parteira Maria Xavier. Era o primeiro filho homem do casal, depois de quatro meninas. A casa estava em festa. As gurias esperavam um irmãozinho, pois era notório o desejo do pai de ter um herdeiro. A primogênita Salete lembra que viu o pai sair do quarto onde Luzia estava em trabalho de parto com um urinol. “O que é isso?” — perguntou a menina, do alto da ignorância e curiosidade dos seus sete anos de idade. O pai passou direto para o quintal, onde cavou um buraco, colocou o conteúdo do penico e plantou uma muda de bananeira. Só depois a menina saberia que aquilo era a placenta.

No exato dia do nascimento do futuro livreiro recifense, o Diário de Natal trazia informações interessantes para se captar o panorama econômico e o universo simbólico dos habitantes da cidade. Naquela edição, enquanto um poeta do século XIX ocupava destacado espaço editorial, anúncios espalhados por diversas páginas indicavam que a cidade tinha demanda para artigos de tecnologia de ponta e preços robustos. A poesia ocupava espaço generoso no jornal e anúncios ofereciam aviões ao lado de rádios e máquinas de escrever, com a maior naturalidade. Logo na primeira página, em sua maior parte ocupada pelo noticiário político-eleitoral do país, uma notinha se destacava ao lado da logomarca do matutino, sob o título Um homem da praça pública:

RIO, 11 (Meridional) — O escritor Jorge Amado, falando à imprensa a propósito do centenário de Castro Alves, declarou: “Foi um homem da praça pública, em luta com a polícia imperial escravagista, em comícios, teatros e faculdades”.

A curiosa referência, assim, solta, suspensa no nada, seria entendida ao se chegar à sexta página do jornal, onde se destacava, em três colunas, a notícia das homenagens da Academia Norte-rio-grandense de Letras e do Rotary Clube ao poeta Castro Alves, dali a três dias. A matéria assinalava ser o autor de Navio Negreiro “a primeira e mais alta expressão de nossa poesia, no consenso unânime” e “a primeira voz de intelectual e poeta identificada com os sentimentos, a paixão e a força da sua terra e de seu povo”.

Todo o noticiário jornalístico desnudava uma convivência entre uma dinâmica econômica moderna decorrente do pós-guerra e um imaginário poético do século XIX, uma dicotomia comum ao país não totalmente descolonizado, mas bastante aguda na capital norte-rio-grandense, pelas especificidades já mencionadas. Na edição daquele dia, o diário natalense estava repleto de exemplos.

Ao lado da notícia sobre as homenagens a Castro Alves, figurava um anúncio da firma Paula, Irmãos & Cia. propagandeando motores elétricos, grupos geradores, máquinas de datilografia, receptores de rádios, caixas registradoras, aviões de pequeno porte Paulistinha e Carioca, entre outros itens. Já a Distribuidora Sepan anunciava luz e rádios nas fazendas: cata-vento Windcharger, bateria Atlas e rádio Zenith, com orçamento de cinco mil cruzeiros. A firma Medeiros & Filhos oferecia automóveis das marcas Chrysler e Plymouth. Sob o signo da importação e do consumo sofisticado, a engrenagem econômica girava naquela ponta do Brasil.

Da capa a várias páginas internas, a política — nacional e local — abunda com grande destaque no jornal potiguar. Um pequeno artigo — Opinião pública, de Ademar Vidal, reproduzido da cadeia Diários Associados — revela uma prática eleitoral ainda hoje prevalecente: os interesses entrelaçados entre política e economia, fonte principal da corrupção nacional. Comentando as eleições do ano anterior, o articulista comemora o surgimento de uma opinião pública mais consciente no Brasil, porém ainda claudicante, pois, “em várias partes do país, se deixou levar pelo azinhavre dos capitalistas embuçados em políticos, a fim de poderem, no futuro, tirar dos cofres do povo os juros altos do capital empregado nas eleições”.

Na coluna social, flagramos a evidência de que o transporte aéreo regular — que paulatinamente substituiria a navegação de cabotagem em meados dos anos 1950 — ainda era uma novidade. Tanto que, no registro do retorno de viagem ao Rio de uma senhorita de fina família, informa-se: “em avião da Cruzeiro do Sul”. Uma propaganda de Calciovitamina tem como ilustração um desenho de um casal na praia, a mulher em primeiro plano com um traje de duas peças, seguindo, ainda timidamente, é verdade, a moda bombástica do biquíni , criado no ano anterior pelo estilista francês Louis Réard, mas que só pegaria no Brasil duas décadas depois.

Esse mundo de consumo de luxo e comodidades modernas estava fora do alcance da família sertaneja, que vivia muito modestamente, embora não se computasse entre os muito pobres — os refugiados da seca e os trabalhadores sem qualificação alojados nas precárias periferias poeirentas, distantes e desprovidas de toda infraestrutura, muitas delas localizadas no outro lado das margens do Rio Potengi. A prole dos Pereira sempre estudou em escola pública, nunca teve aula de reforço, de inglês, de piano — esses privilégios das classes médias abastadas — e jamais contou com os serviços de uma empregada doméstica. As meninas dividiam o trabalho do lar com a mãe e, à medida que cresciam, tratavam de arranjar emprego para custear suas despesas pessoais e ajudar no orçamento doméstico. Sileide, a sexta filha do casal, testemunha com serenidade: “Nossa situação financeira não era boa, tínhamos só o necessário”. Entretanto, os apelos publicitários ao consumismo desagregador nunca ameaçaram a coesão familiar, graças à diligência da poderosa figura materna: “A mãe queria os filhos todos dentro de um cesto.”

UMA CASA FEMININA
Tarcísio Pereira cresceria e se tornaria adolescente naquela Natal entre os anos 1940 e 1960, num ambiente que seguia o diapasão das famílias de seu nível econômico no Brasil daquelas décadas, inclusive no tocante aos costumes, à moral, à religiosidade e aos valores. Suely, a irmã mais nova que, como ele, se tornaria uma livreira no Recife, resume a condição familiar:

Éramos pobres. Nunca sonhamos em ter casa própria. Não se falava nisso. Talvez pelo inconsciente cigano do pai. Ele não gostaria de ficar num canto só. Porque houve momentos em que ele estava bem financeiramente, tinha três bares ao mesmo tempo, e não se preocupou em comprar uma casinha que fosse.

Foi da janela da casa de taipa, telhado, quarto e sala onde viviam, a alguns metros da morada do avô, na Avenida 9, que Salete, a primogênita, quando tinha sete anos, presenciara a cena inesquecível: a tia Tereza, vestida de noiva, arrastando a cauda do vestido branco, em plena canícula, braço dado com o noivo marinheiro, acompanhados pelos curiosos. Filha mais velha de Cícero e Luzia, ela viveu a infância do irmão sete anos mais moço, mas não o acompanhou na adolescência. Casou-se ao completar 18 anos e foi morar no Rio de Janeiro.

Quando mocinha, como se repetiria com todas as irmãs e irmãos, começou a trabalhar enquanto estudava. Conheceu o militar Wilson Amorim, da Aeronáutica, que morava numa república de sargentos perto de sua casa. Começaram a namorar, e, seis meses depois, ele foi transferido para o Rio. Deixou uma aliança, a promessa de voltar para casar nas primeiras férias e um espião para vigiar a noiva. Com efeito, voltou em maio de 1958, quando ela acabara de completar de 18 anos; se casaram e foram morar na capital federal. O episódio do espião ela conta sorrindo:

Era o sargento Ananias, colega do meu noivo. Quando Wilson foi para o Rio, o Ananias costumava passar pra lá e pra cá na frente de minha casa nos finais de semana. Nessa época, o penúltimo irmão, João Maria, era recém-nascido. Minha maior distração era embalar o bebê. Ananias então escrevia ao colega dizendo: “ela vive com o irmãozinho nos braços”. Tempos depois, quando Wilson me contou, rimos muito.

Com o pai sempre fora, aquela era uma casa feminina, onde Luzia impunha respeito só com o olhar. Sileide conta um episódio eloquente: “Só falávamos, quando havia visitas, quando ela permitia. Um dia, um visitante sem querer pôs a cadeira sobre meu pé. Fiquei calada, aguentando a dor. Então cochichei pra Tarcísio, que avisou à mãe, e aí ela consertou a situação”.

Sob a batuta firme, mas não tirânica, de Luzia, havia uma rotina raramente quebrada: escola, almoço, dever de casa, às 18 horas todos para dentro. A diversão consistia nas festas de aniversários — quando a casa ficava cheia, retiravam as cadeiras da sala e botavam na calçada, para se dançar — e, eventualmente, idas em grupo à Praia do Meio ou à Ponta Negra.

As meninas mantinham em casa um clima de alegria quase permanente. Mesmo certas situações de disparidades sociais, que na arguta percepção infantil não passavam em branco, eram enfrentadas com estratagemas bem-humorados. Conta Suely, a irmã mais nova:

Minhas irmãs mais velhas eram brincalhonas, formavam uma verdadeira quadrilha. A famosa cantora Ademilde Fonseca morava numa mansão numa rua perto. Uma sobrinha da artista frequentava o mesmo grupo escolar das meninas, então elas inventaram que lá em casa tinha um elevador. Quando a sobrinha de Ademilde, da idade delas, aparecia na rua, Salésia e Socorro ficavam à janela e se abaixavam e levantavam ao mesmo tempo, simulando as subidas e descidas do elevador. Um dia, minhas irmãs arengaram, e a vingança de uma delas foi continuar de pé em frente à janela enquanto a outra se agachava. No dia seguinte, já de bem, e preocupadas com a revelação da fraude, chegaram no grupo escolar e foram logo se justificando para a garota, sobrinha de Ademilde, que não tocara no assunto: “O elevador de casa quebrou”. Até quando chegava um pedinte querendo água — o que era muito comum —, elas usavam um truque: batiam a porta de um baú (para parecer o ruído da porta de um refrigerador fechando) e entregavam o copo.

A BIBLIOTECA
Nada na infância feliz de menino obediente, criado num macio ambiente feminino, aficionado por futebol, tímido com as garotas, sociável sem estardalhaços, estudante bem-comportado no período da manhã e ajudante do pai à tarde nos negócios de comes e bebes, nada do Tarcísio menino de Natal prenunciava o imortal livreiro que, no Recife, faria história.

Na casa da Rua Gonçalves Ledo, na Cidade Alta, última residência dos Pereira na capital potiguar, não havia livros, excetuando-se os didáticos. Como em nenhum dos endereços anteriores da família e como na maioria dos lares brasileiros até hoje. Mas minto. Eventualmente, muito de raro em raro, o pai ou a mãe traziam um de presente, de alguma coleção infantojuvenil. O que quero dizer é que não havia o hábito de leitura. Sequer uma estante integrava o mobiliário.

Certa vez, seu Cícero chegou com um exemplar de A marcha da civilização, de Arthur S. Maxwell, edição ilustrada, muito popular em meados dos anos 1940, e deu-o a Salete. Ela conta o destino da publicação:

Mas eu não li. Recortei o livro e transformei num álbum de figurinhas. Ficou uma imagem: o homem com os pés de ferro, as pernas de bronze, o corpo de prata e a cabeça de ouro — significando a civilização do ser humano.

Tarcísio e sua irmã, Suely Pereira, nos anos 1970, na Livro 7.
Imagem: Acervo familiar

As leituras habituais do filho de seu Cícero eram os gibis, como as dos amigos no seu entorno. Até por volta dos 12 anos, era um aluno dedicado e quieto, apagado mesmo. Um dia, quando estava no 2º ano do curso primário na Escola de Aplicação (Grupo Escolar Augusto Severo), como ele próprio contou em casa ao voltar da escola, ouviu o conselho da professora: “Você é um menino inteligente, mas muito morto. Tem que colocar os pensamentos em ação, tem que ser um menino vivo”. Aquilo, por algum motivo, entrou de chofre em seu juízo e ficou martelando. Era, com certeza, a primeira vez em que tomava conhecimento de si visto de fora. Poucas vezes na vida temos oportunidade de conferir nossa imagem pública que nunca se sobrepõe perfeitamente à nossa autoimagem de forma isenta. Em geral, as pessoas não dizem na cara das outras o que pensam a seu respeito. Quando o fazem, sua fala tende a ser suspeita, contaminada pela animosidade ou pelo afeto. “Oxente, eu sou um menino morto? Morto é quem morreu. Eu quero ser um menino vivo, ora bolas!” Desvelando um aspecto de sua personalidade — a determinação —, ele decidiu agir. Instigado pela provocação da mestra e pelo incentivo caloroso da irmã Lourdes, aluna do curso clássico e interessada em política, começou a se meter nas atividades extracurriculares. Aos poucos, saiu do anonimato e se tornou conhecido e popular. Os colegas gostavam de conversar com ele, sempre atento e educado. As meninas cumprimentavam-no com sorrisos brejeiros. Daí a se candidatar a presidente do grêmio estudantil foi um passo. Tendo a assessoria de marketing político da irmã Lourdinha, assumiu duas promessas de campanha: renovar o acervo da modesta biblioteca da escola e conseguir uma bola e uma rede novas para a quadra. E se elegeu.

Numa entrevista à TV Globo, em 28 de setembro de 2013, ele conta resumidamente o episódio:

Minha história com o livro começou realmente na infância. Eu morava em Natal, e com uns 12 anos, por aí, eu me candidatei a presidente do diretório da Escola de Aplicação. Uma das minhas metas, caso fosse eleito, era aumentar a biblioteca escolar. Fui eleito e logo em seguida comecei a campanha para aumentar o acervo. Consegui. Foi uma festa bonita... Eu não fui pedir na Prefeitura nem no Estado. Fui de classe em classe, convidando os colegas a levarem livros para a escola. Não precisava ser livro novo. “Traga de casa o livro que você já leu, sua irmã, o vizinho, porque eles vão servir a todos os colegas que querem ler.” O acervo era muito pequeno. E fizemos uma festa, com os pais de alunos, a diretora os chamou... E assim foi o meu início com o livro.

Já a bola e a rede, ele conseguiu com contribuições e o apoio da diretoria do colégio.

Esse episódio — na avaliação da primogênita Joana Carolina Pereira, hoje juíza federal em Pernambuco — foi o “divisor de águas” na vida de Tarcísio. “Até ali, ele não tinha brilho, nem carisma. Foi a chacoalhada da professora que despertou nele todo seu potencial.”

Capítulo 3 – Seu Sete

A RUA DAS LIVRARIAS
A família Pereira transferiu-se definitivamente para o Recife em junho de 1963. Quando Cícero e Luzia chegaram com sete filhas e filhos (as mais velhas, Salete e Salésia, haviam casado), foram morar por um breve tempo na casa do irmão dele, Anesiano, no Ibura, bairro popular da zona sul, distante do centro. Logo se mudaram para a Boa Vista, bairro de residência e comércio na área central, onde estavam as oportunidades de trabalho e estudo. Encontraram acomodação no terceiro andar de um velho sobrado, no n.º 201 da Rua da Imperatriz — uma localização que traçaria o destino de Tarcísio.

A Rua da Imperatriz, nos seus parcos 300 metros de comprimento, juntamente com a Rua Nova, com a qual se une pela Ponte da Boa Vista, foi um dos lugares mais sofisticados do centro do Recife até os anos 1970. A partir daí, sofreu um lento e corrosivo processo de degradação, como toda a área central da cidade, mas permanece com um intenso comércio popular. Nos tempos áureos — fins do século XIX —, seus belos sobrados abrigavam, no térreo, as mais chiques lojas e, nos andares de cima, algumas das mais ilustres famílias da cidade. No de n.º 147, por exemplo, nasceu o político, diplomata e escritor Joaquim Nabuco, em 1849.

Nas primeiras décadas do século XX, muitas famílias de imigrantes judeus se instalaram no bairro da Boa Vista, formando uma colônia numerosa e, com o tempo, bastante prestigiada. Entre elas, os Berenstein, cujo patriarca Jacob fundou em 1930 a Livraria Imperatriz, a mais importante da cidade por mais de quatro décadas. Ficava no n.º 17, bem no início da rua, ao pé da Ponte da Boa Vista, num magnífico imóvel cor de goiaba onde ainda hoje resiste, juntamente com mais cinco filiais espalhadas pelo Recife e uma em Caruaru. No mesmo ano, mudou-se para aquela rua outra família judia, os Lispector, primeiramente para o sobrado nº 173 e, depois, para o nº 21, vizinho à livraria. Pedro Lispector, imigrante ucraniano com mulher e três filhas, exercia a profissão de mascate. A filha mais nova, Clarice, desde pequena gostava de ler, imaginar e escrever histórias. Sempre que podia se enfiava na livraria dos Berenstein e se punha a namorar aqueles objetos de papel repletos de sonhos e fantasia. Se tornou amiga da filha do dono, Reveca, da sua idade, a qual — segundo os biógrafos da escritora — inspirou a malvada personagem do conto Felicidade clandestina, uma celebração da literatura parelha à dissecação dos meandros da alma humana. A pequena Clarice Lispector vivia a brincar com palavras e com o seu número secreto, o 7.

A Rua da Imperatriz era o eixo do comércio de livros no Recife. “Na época, quando se falava em livro, você pensava logo na Rua da Imperatriz. Ali era uma espécie de gueto. Tudo que era livraria no Recife estava ou na Imperatriz ou numa transversal. Numa rua só, você tinha a Livraria Imperatriz, a Acadêmica, a Nacional — que depois se tornou Companhia Editora do Nordeste —, a Muzar, a Columbo, a Pio XII — numa transversal — e a Boa Vista, que era logo ali na Rua do Hospício”, conta Tarcísio Pereira.

O ápice naquele eixo era a Livraria Imperatriz, que logo ganhou o respeito da intelectualidade recifense, que passou a frequentá-la. Foi lá que Gilberto Freyre lançou Casa-grande & senzala, em 1933, e — dizem — Celso Furtado teve a ideia de escrever Formação econômica do Brasil.

Tão logo se acomodaram na Rua da Imperatriz, como de hábito, os membros mais crescidos da família logo procuraram emprego. Lourdes se engajou na Burroughs, onde chegaria à supervisora. Depois, casou-se com um irmão do marido de Salete e, como ela, foi morar no Rio. Tarcísio, rapazola de parco buço, arranjou um emprego numa sapataria perto de casa.

De tanto passar em frente da fervilhante Livraria Imperatriz, Luzia alimentou a ideia de ver o filho mais velho trabalhar naquele ambiente tão distinto, frequentado por gente ilustre. Um dia, animou-se e procurou o dono. Falou do rebento — esforçado, inteligente, respeitoso —, e Jacob concordou em empregá-lo por experiência. Tarcísio trabalharia lá por seis anos — de 1964 a 1970 —, fazendo sua graduação e doutorado práticos em livro, até sair para fundar seu próprio negócio. Ao longo da vida, em palestras, depoimentos e entrevistas, Seu Sete repetia testemunhos afetivos sobre a experiência:

Tive a sorte de trabalhar com Jacob Berenstein, o dono da livraria, tido naquela época como o melhor livreiro do Brasil. Aprendi com ele a amar o livro, ou seja, amar a mercadoria que você vende, que você faz o melhor possível para botar na mão daquele cliente. Nada melhor do que alguém pedir uma sugestão ao livreiro, ele sugerir um livro e a pessoa vir depois agradecer. Isso é uma premiação ao seu trabalho.

Começou como aprendiz de balcão, como está anotado em sua carteira profissional, e gravou na memória a primeira tarefa. Era o dia 31 de janeiro de 1964, as vendas de material didático para o ano letivo estavam a todo vapor — a Imperatriz era, e ainda é, livraria e papelaria. Ele foi orientado a descarregar de uma camionete da firma os pacotes do primeiro livro que passou em suas mãos profissionalmente: Vamos estudar?, cartilha do curso primário, de Theobaldo Miranda. No início, trabalhava meio expediente e estudava. O garoto seria promovido a faz-tudo, depois a vendedor e, por fim, a encarregado da sessão de livros. Sorvia com admiração os ensinamentos do velho Berenstein e observava atentamente o comportamento e as falas dos clientes. Chegava a ir voluntariamente nas manhãs do domingo — seu dia de folga —, quando a livraria funcionava internamente, com poucos empregados, somente para conversar com seu Jacob enquanto ajudava na arrumação dos livros.

Exatamente três meses após começar a trabalhar na Imperatriz, o adolescente viu da porta da livraria uma cena insólita: em vez do tráfego habitual de ônibus e automóveis, rolava um desfile militar fora de época, com tanques de guerra ladeados por fileiras indianas de soldados armados com fuzis. Era 1º de abril de 1964.

RETRATO DE UM LIVREIRO
Se fosse um personagem, Tarcísio Pereira teria saído das páginas do livro de Sérgio Buarque de Holanda: era um homem cordial. Maneiro. Quem o conhecia não economizava adjetivos: gentil, amável, afável. Era um ser relacional, movido a afetividade: gostava de gente, apreciava a companhia dos terráqueos, empenhava-se em fazer amigos. Passava o dia entre livros e clientes, sem se entocar no escritório. Aquela afabilidade permanente seria máscara profissional? O fato de sempre parecer interessado nas pessoas seria genuíno ou apenas uma estratégia de sedução para fisgar cliente? Uma história talvez ilumine isso. Em 1989, um dos locais indicados para receber as inscrições ao Prêmio Mauro Mota de Poesia, promovido pela Fundarpe, foi a Livro 7. Tarcísio não se limitara a pregar o cartazete e esperar burocraticamente os manuscritos, como conta Dione Barreto:

Quando eu lhe disse que não pretendia concorrer, porque tinha um poema longo na cabeça, mas só umas estrofes esboçadas, e ainda precisava botar tudo no papel numa estrutura formal eu trabalhava na Fundaj e estava sem tempo de aprontar o livro , ele azucrinou muito o meu juízo. Toda vez que ele me via, cobrava. Eu sentia falta de um verso inicial, que desse a partida. Na véspera do fechamento das inscrições do tal concurso, passei na livraria, como fazia quase diariamente, e ele: “Dione, é amanhã!”. De alguma maneira, aquilo ficou remoendo. No dia seguinte bem cedo, eu estava fazendo xixi quando o verso inicial veio. Então liguei para o trabalho e justifiquei que não podia ir. O dia todinho passei escrevendo esse poema, uma ode a Fernando Pessoa, com 365 versos. Fiz a inscrição de última hora. Resultado: o livro, intitulado Do amor e suas perversidades, ficou com menção honrosa e foi impresso pela Cepe. Está nele a dedicatória: “A Tarcísio Pereira, por uma amizade ‘vertiginosamente azul’”.

Fica claro: o interesse pelas pessoas era real. Por conta de demonstrações dessa espécie, o homem exalava confiança. Algumas amigas mais vulneráveis até elegeram-no seu diretor espiritual. Continua Dione:

Ele também era muito discreto. Não falava mal de ninguém, e quando escutava, guardava bem guardadinho. Virou confidente de muita gente, muita mulher. Eu, por exemplo, era uma mulher entre homens. Mas tinha algumas pessoas que me protegiam, uma delas foi Tarcísio. Ele era, naquele tempo, como um irmão mais velho. Às vezes, se ele via que eu estava entrando numa querela, ele chamava de lá: “Dione, venha aqui. Tenho um livro para lhe mostrar”.

No âmbito do trabalho, os depoimentos convergem num ponto: “Tarcísio tratava todo mundo igual, do presidente ao porteiro” — garante Germana Siqueira, que trabalhou na livraria entre 1981 e 1987. Havia famílias com vários funcionários empregados, como dona Helena, Davinci e Vagner. A filha do livreiro e funcionária, Juliana, lembra que, ao longo dos anos, nada menos que cinco casamentos se realizaram entre o pessoal. Segundo o fiel escudeiro Valfredo Sena, o chefe tinha atitudes paternalistas: “ele sempre ajudava nas festas das famílias, fossem casamento, batizado ou enterro”.

Muitos o definiam como “o livreiro por excelência”. Para isso, manejava vários atributos. Tinha uma rara capacidade de ouvir. Quando alguém se aproximava, anunciando uma novidade, emitia um característico “Sim?”, equivalente à antiga expressão “Sou todo ouvidos”. A disposição para escutar, além de agradar os interlocutores, era poderosa fonte de informação, sendo ele do tipo que adquire conhecimento mais pelos ouvidos do que pelos olhos. Tinha uma memória impressionante, repositório de nomes, fisionomias, temas e gostos das pessoas. Cauteloso, evitava tomar atitudes polêmicas. Todos sabiam sua tendência à esquerda, mas ele nunca verbalizava isso e, sobretudo, acreditava ser prejudicial misturar negócios e política. Dotado da energia imprescindível ao êxito profissional, era um workaholic capaz de imaginar jogadas de marketing enquanto se divertia numa praia. Sedutor, criativo e astucioso, maquinava eficazes estratégias mercadológicas. Como elas correspondiam, em geral, a seu ser íntimo, soavam sinceras e espontâneas.

O método tarcísico de abordagem é captado neste trecho de texto do escritor Ronaldo Correia de Brito, então estudante de medicina:

O livreiro Tarcísio Pereira, usando a tradicional camisa de brim azul, calça jeans e boina, se aproxima e põe em minhas mãos, com a delicadeza que também era sua marca, um volume de A arqueologia do saber, de Michel Foucault.

O livro que você queria acabou de chegar. É esse mesmo?

Olho Tarcísio, correspondo ao sorriso e digo que, na verdade, eu havia procurado romances de Faulkner. Ele sofrera um deslizamento, coisa típica da psicanálise: deslizara de Faulkner para Foucault.

Ou seria artimanha de livreiro, que nos induz a gostar de livros que nem cogitávamos ler? Já que fui cooptado, aproveito para iniciar-me no filósofo e pensador em moda naquela época. Compro Foucault e o leio aos solavancos, da maneira que lia Lacan em minha formação psicanalítica.

Já conhece Antonin Artaud?

Li O teatro e seu duplo, mas basta por hoje. Não sou compulsivo nas compras como Abel Menezes e Jomard Muniz de Britto.

Não fale mal dos seus amigos.

Uma acurada observação sobre a imagem pública e pessoal de Seu Sete é de autoria do poeta e romancista Pedro Américo de Farias, amigo de longa data e, por uns tempos, dono de um sebo na Rua da Roda, no centro da cidade:

Tarcísio Pereira talvez tenha sido, entre pessoas famosas do Recife, a que mais se aproximou da condição de unanimidade, da sabedoria da melhor convivência com todos os segmentos sociais e políticos. Gentil homem, no melhor sentido da expressão. Não pretendo me referir à vida dele, mas à vida que ele criou, diria melhor, o que ele criou nesta vida e dividiu com a gente, nos ajudando a viver mais criticamente, com maior inteligência e prazer. Tantos amores, casamentos, divórcios, trabalhos intelectuais, grupos de delírio, viagens, passeios terão acontecido envolvendo pessoas que se conheceram e estreitaram relações de amizade ao calor dessa convivência. Uma livraria não é para ser um armazém de livros. Tarcísio Pereira entendia assim e instalou a sua livraria à imagem e semelhança de si mesmo.

Um vislumbre muito nítido daquela quase unanimidade apontada pelo poeta pôde ser percebida quando o falecido dono do Café Burle Marx, Miguel Ferraz, promoveu o evento Vamos abraçar Tarcísio, no dia 11 de março de 2000. Havia apenas um ano, ele perdera tudo: sua gigantesca obra ruíra por terra no ano anterior, seus bens haviam sido confiscados e levados a leilão para pagar dívidas e até consentira, num duro golpe em seus brios pessoais, que a irmã Suely organizasse uma lista de doações para adquirir um computador. Resiliente, ele tentava se levantar, montando uma loja virtual, a Livro Site. Entre os organizadores da homenagem estavam Alberto da Cunha Melo, Ana Maria Ferraz, Anselmo Alves, Ésio Rafael, Marcelo Mário de Melo, o próprio Miguel Ferraz, Sevy Madureira e o locutor que vos fala. A festa lotou o café e contou com participações luxuosas, como a de Cavani Rosas, com gravuras expostas em varais; dos violeiros Antônio Lisboa e Edmilson Ferreira; e de Anselmo Alves, autor de vídeo, exibido num telão, sobre o personagem. Houve ainda performance de Jomard Muniz de Britto e canjas de cantores e instrumentistas amadores, como os fregueses habituais do café Ari do Acordeão e o médico Reginaldo, ao sax alto. Por fim, uma enfiada de poetas recitou seus poemas — a lista é enorme. O secretário estadual de Cultura, Carlos Garcia, assinou simbolicamente um documento fazendo a concessão por comodato de uma sala do Espaço Pasárgada, da Fundarpe, para Tarcísio instalar a Livraria do Escritor Nordestino.

Ele se orgulhava de ter vivido toda a vida tendo o livro como eixo existencial. No curta-metragem O cheiro azul do livro, de 2010, da cineasta Tuca Siqueira, ele abriu sua alma livreira:

O livro foi e é, para mim, uma ponte, um elo, um trampolim, tudo. Praticamente as grandes amizades que fiz na minha vida, foi o livro que me trouxe. (...) Quando você apresenta um livro a uma pessoa, você tem que saber quem é aquela pessoa, ter uma noção do pensamento dela. Nada pior do que um livro na mão errada. Porque (...) se o livro não interessar àquela pessoa, você, em vez de estar fazendo de uma pessoa um leitor, você está ao contrário. Ela vai pegar aquele livro e encostar. (...) Sou partidário da coexistência entre o livro impresso e o digital. O livro tem aquela coisa do fetiche, de pegar, de cheirar, de marcar a página, a dedicatória... O livro impresso vai ficar. (...) O livreiro tem que ser um enciclopedista. Não precisa aprofundar, mas tem de ter uma iniciação em tudo.

Quando se comemorava o 15º aniversário da livraria, em 1985, ao ser perguntado qual seria o segredo do seu sucesso, Tarcísio disse, com a singeleza de sempre:

É fazer o que gosto. Eu gosto tanto de livro quanto você de jornalismo. Então, é preciso se dedicar àquilo de que se gosta. Dar ao cliente um tratamento especial, porque o próprio cliente de livraria é especial. Ficar no balcão, não se esconder atrás de um birô. Conhecer e descobrir o que o cliente gosta. E fazer todo esse trabalho com muita sinceridade.


O “livreiro legendário” foi figura central da cena
cultural 
pernambucana. Imagem: Reprodução

HOMERO FONSECA é pernambucano, escritor e jornalista. Foi editor da revista Continente, tendo passado pelas redações dos principais jornais do Estado. É autor de O computador que queria ser gente (2013), Tapacurá: viagem ao planeta dos boatos (2011), Roliúde (2007), Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades (2006/2007), entre outros.

Publicidade

veja também

Magiluth: maduro e sem medo de ousar

O que há de cinema numa alvura que não cessa?

Presença feminina na fotografia brasileira