Clique ao lado para visualizar o sumário da nova CONTINENTE.

Lançamento

Jagunços do ‘Grande sertão: veredas’

Leia trecho de um dos capítulos do livro ‘Políticas de Riobaldo — a justiça jagunça e suas máquinas de guerra’, editado da Cepe

TEXTO Renan Porto

02 de Agosto de 2021

O segundo capítulo do lançamento 'Políticas de Riobaldo' analisa o julgamento do personagem Zé Bebelo, de Guimarães Rosa

O segundo capítulo do lançamento 'Políticas de Riobaldo' analisa o julgamento do personagem Zé Bebelo, de Guimarães Rosa

Ilustração Pixabay

[conteúdo na íntegra | ed. 248 | agosto de 2021]

contribua com o jornalismo de qualidade

O TRIBUNAL JAGUNÇO E A JUSTIÇA GUERREIRA
Neste segundo capítulo, analisaremos a cena do julgamento de Zé Bebelo e abordaremos a dimensão espectral de indecidibilidade que envolve uma decisão. Principalmente a espectralidade do campo de forças conflituais em que uma decisão intervém reconfigurando suas relações e antagonismos. Este conceito de indecidibilidade apresentado por Jacques Derrida no livro Força de lei será articulado em relação com o conceito de espectro desenvolvido pelo mesmo autor em sua obra Espectros de Marx. Livros que foram publicados quase na mesma época, sendo este publicado um ano antes daquele. Para Derrida, toda decisão é assombrada pelo indecidível (Derrida, 2010, p. 48). Independente do quanto de informações que se tenha disponível para lhe assegurar o cálculo, uma decisão terá sempre uma margem de virtualidade que a envolve de imprevisibilidade. Nessa dimensão temporal que a decisão não pode controlar nem prever seus resultados, há sempre espectros das forças que compuseram a tensão do seu ato. Derrida diz que um espectro é sempre um retornante, que não se pode controlar suas idas e vindas e que está sempre por retornar (Derrida, 1994, p. 27), e dentre os muitos fantasmas que assombram uma decisão, abordaremos neste capítulo o insistente retorno do fantasma dos antagonismos sociais e conflitos políticos que mantêm ativa a tendência dispersiva das formas sociais.

Para tanto, primeiro abordamos a relação da literatura com a dimensão virtual do tempo e da memória que não se esgota no plano empírico e atual da História — a literatura como máquina de invocar fantasmas e conjurar seus espectros; e como o Grande sertão: veredas opera essa contraefetuação da história brasileira ao atualizar e fazer atuar a memória de violência e guerra que marca a vida nas regiões periféricas do Brasil. Em seguida, depois de apresentada a cena do julgamento de Zé Bebelo e os conflitos que emergem a partir daí, fazemos uma caracterização dos bandos jagunços como comunidades guerreiras a partir de um paralelo com a Sociedade contra o Estado descritas por Pierre Clastres e com o conceito de máquina de guerra de Gilles Deleuze e Félix Guattari em Mil platôs — considerando que nos interessa mais a reinvenção estética do jagunço operada por Rosa e o que isto nos permite pensar do que uma descrição empírica da jagunçagem em sua imagem histórica. É o jagunço roseano em sua extemporaneidade que nos interessa. Dessa figura que já não existe mais, invocamos seu fantasma em sua positividade. Por fim, questionamos como a justiça pode ser possível quando a guerra é uma tendência interna ao funcionamento das sociedades? Qual conceito de justiça pode ser possível diante desta contínua tendência de desconjuntamento do corpo social? Buscaremos pensar uma justiça que faça desse desajuste seu movimento, como questionou Derrida, “e se o desajuste fosse, ao contrário, a condição da justiça?” (Ibidem, p. 37). Uma justiça pensada com o mundo girando fora do eixo tal como o verso do Hamlet de William Shakespeare com que Derrida começa a discutir sobre os espectros: “the time is out of joint”. Uma justiça pensada a partir do desequilíbrio, conflituosa e diferencial, que os personagens do Grande sertão: veredas em sua travessia pelo incerto e contingente espaço sertanejo deixam o rastro ou fazem eclodir seu som em suas batalhas.

Autor Renan Porto Capa do livro traz título em vermelho sobre fundo branco.

ESTÓRIAS DE GUERRA ENTRE OS FANTASMAS DA HISTÓRIA
Entre os dentes carcomidos das engrenagens sociais se insinuam os fantasmas da guerra. Engrenagens que vão perdendo seu poder de tração, mas insistem em forçar-se umas contra as outras estraçalhando tudo que se passa entre elas. Catracas desconjuntadas girando fora de seus eixos, ameaçando a todo instante se descarrilhar. No canto a palo seco do ferro contra o ferro, o riso trincado de uma besta se insinua. De épocas em épocas, a violência desregrada volta a assombrar a boa ordem civilizada. Violência esta, que sempre fora tolerável enquanto fosse mantida longe dos espaços em que Narciso, apaixonado com sua própria imagem, se autoproclama como modelo para o mundo, com suas demarcações conscientes, seu fascínio com a própria racionalidade monolítica ordenadora do caos, cego para a violência em que se sustenta negando vários outros modos de ordenação possíveis. Narciso agora assombrado, pois é o mundo mesmo enquanto conceito que é cindido pelo Diabo com seu poder de duplicação e sua ambiguidade enganadora; sua língua agora contaminada pela multiplicidade babélica, incapaz de se autocompreender. Inutilmente, ele se agarra em seus marcos e referências tentando se salvar de uma multidão que ele julga sem razão e que lhe quer devorar.

O Grande sertão: veredas começa com este riso relinchado nos dentes de um bezerro que ria feito pessoa, nem humano nem animal, “cara de gente, cara de cão”, transparecendo uma outra coisa sem forma e vazia de presença no mundo, o rastro do demônio, que rondará toda a estória. Riso que desponta entre os anúncios de tiros, que também traçarão as malhas de composição do romance. Entre o Diabo e a guerra começa a emergir a paisagem sertaneja e suas populações. O movimento se duplica também numa imersão na realidade dessa multidão feroz que vivia para a guerra: os jagunços. Rosa desenvolveu a partir deles uma investigação sobre os modos de orientação subjetiva num mundo desconhecido e imprevisível e em confronto com uma experiência marcada pela violência e pela força, em que oposições bem determinadas entre valores éticos como bem e mal não se garantem por nenhuma moral dada de antemão.

A primeira palavra do livro: “nonada”. Como se não houvesse nada dado antes da escrita; como se estivesse tudo ainda por criar. Na medida que o romance se desenvolve, a linguagem é reinventada concomitante ao mundo que ela constitui. Na sua entrevista a Günter Lorenz, Rosa afirma ter como lema que linguagem e vida são uma coisa só. Ele diz que “quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive; e como a vida é uma corrente contínua, a linguagem também deve evoluir constantemente” (Rosa apud Lorenz, 1991). Portanto, homem, linguagem e mundo vão se constituindo concomitantemente no mesmo processo. Existem em correlação e se transformam reciprocamente. Em um dos primeiros ensaios críticos sobre o Grande sertão, O homem dos avessos, de Antonio Candido, publicado primeiro com o título O sertão e o mundo, na revista Diálogo, em 1957, já era observada essa possibilidade de reinvenção da imagem do homem e do mundo na literatura:

Para o artista, o mundo e o homem são abismos de virtualidade, e ele será tanto mais original quanto mais fundo baixar na pesquisa, trazendo como resultado um mundo e um homem diferentes, compostos de elementos que deformou a partir dos modelos reais, consciente ou inconscientemente propostos. Se o puder fazer, estará criando o seu mundo, o seu homem, mais elucidativos que os da observação comum, porque feitos com as sementes que permitem chegar a uma realidade em potência, mais ampla e mais significativa (Cândido, 2002, p. 122).

Recusando qualquer redução do romance de Rosa a uma imagem regionalista e circunscrita à historicidade, esta análise de Antonio Candido destaca o processo de criação pelo qual a ficção transmuta o material da realidade histórica em reflexões que colocam em questão a própria existência humana e sua relação com o mundo. Questões que foram bastante destacadas pelo próprio Rosa, que expôs suas preocupações metafísicas e filosóficas em entrevistas como aquela citada acima em diálogo com Lorenz. O interesse filosófico do autor também aparece em textos como Aletria e hermenêutica, no prefácio ao livro Tutameia — Terceiras estórias, em que são citados autores como Platão, Hegel e Bergson, e que começa com a afirmação de que “a estória não quer ser história. A estória, em rigor, deve ser contra a História” (Rosa, 2009).

O plano de virtualidade que Antonio Candido destaca é a via por que a História é sacudida e contraefetuada em sua atualidade. Numa estória é possível experimentar outros modos de encadeamento dos eventos no tempo e resgatar um rastro da intensidade que só é possível no processo de duração da experiência, reabrindo os acontecimentos para virtualidades que não se extensificaram — não se efetuaram em formas consolidadas no plano empírico da realidade — enquanto marcos e monumentos a partir dos quais a História traça uma relação de causalidade para explicar ou justificar o presente. Rosa diz que a estória às vezes quer ser mais parecida com a anedota, funcionando como catalizador ou sensibilizante ao não prosaico, ou seja, ao que não se reduz ao lado material e prático da vida.

“Não é o chiste rasa coisa ordinária; tanto seja porque escancha os planos da lógica, propondo-nos realidade superior e dimensões para mágicos novos sistemas de pensamento”; um pouco mais a frente ele dirá que “o não-senso, crê-se, reflete por um triz a coerência do mistério geral, que nos envolve e cria. A vida também é para ser lida. Não literalmente, mas em seu supra-senso” (Rosa, 2009).

Com seu gracejo, a anedota pode brincar com a verdade, sem compromisso de ser verdadeira ou falsa, mas colocando a verdade em algum lugar, como é próprio da ficção (Piglia, 1990; Saer, 2009). O ato de narrar pode ser umas das formas mais antigas de se configurar uma teia de relações entre elementos distintos, tornar inteligível o caos da realidade e dar sentido à experiência. A ficção é um modo de racionalização do tempo e uma forma de criação de sentido a partir da imaginação, da invenção da linguagem e da produção de imagens de outras realidades possíveis, que pelas suas diferenças nos fazem perceber coisas antes inexistentes para nós sobre nossas realidades atuais. Criando uma realidade em potência, a ficção cria outros regimes de visibilidade, quero dizer, do modo como a realidade se configura para nossa percepção enquanto uma rede de relações carregada de sentido; alterando a inteligibilidade de como se configuram essas relações entre os elementos da realidade, o discurso e os enunciados que tentam explicá-la também são transformados ao mesmo tempo que participam da sua constituição, reconfigurando também os regimes do que é dizível, do que pode ser expressado, descrito e narrado em determinado momento histórico.

Na introdução ao seu livro O fio perdido — Ensaios sobre a ficção moderna, Rancière explica a ficção da seguinte forma:

[...] já se sabe desde Aristóteles que a ficção não é uma invenção de mundos imaginários. Ela é, em primeiro lugar, uma estrutura de racionalidade: um modo de apresentação que torna as coisas, as situações ou os acontecimentos perceptíveis e inteligíveis; um modo de ligação que constrói formas de coexistência, de sucessão e de encadeamento causal entre os acontecimentos e confere a essas formas as características do possível, do real ou do necessário. Ora, essa dupla operação é exigida em toda parte onde se trata de construir um certo sentido de realidade e de formular a inteligibilidade (Rancière, 2017, p. 11-12).

Cabe destacar o fundo comum compartilhado entre romance e história: o romance em seu surgimento enquanto forma da literatura moderna e a história na sua constituição como ciência moderna. Em seu livro Os nomes da História — Um ensaio de poética do saber, Jacques Rancière se dedica a este problema e observa que para a história “sair do dilema desesperado entre a ilusão do epos popular e os rigores do número ou as minúcias do cotidiano, era necessário ligar-se às lógicas novas inventadas pela literatura” (Rancière, 1994, p. 106). O romance oferece à história um modo de narrar que a torna possível como discurso da verdade (Ibidem, p. 60). Para a história dotar de sentido seu material composto de documentos e gráficos foi necessário explorar os poderes da linguagem e seus encadeamentos; fazer uso dos procedimentos pelos quais a língua comum produzia e fazia circular o sentido (Ibidem, p. 107). Portanto, historiadores e sociólogos precisam também fazer escolhas sobre os modos de narração do material que pretendem demonstrar e sobre como encadear os eventos apresentados numa causalidade carregada de lógica. A literatura, por sua vez, podendo narrar e ficcionar sobre materiais empíricos ou não, pode experimentar diferentes formas da narração, da textualidade e da composição dos textos tensionando as suas possibilidades de construção lógica; na maioria das vezes exigindo uma transformação da própria percepção para as virtualidades que atravessam o material exposto.

Na imensa fortuna crítica já publicada sobre o Grande sertão: veredas, dentre as diferentes formas de abordagem da crítica, há um interessante debate sobre este livro como retrato alegórico do Brasil, que passa pelas obras de pesquisadores como Willi Bolle, Ettore Finazzi-Agrò e Heloisa Starling, que colocam a obra literária em diálogo com a filosofia política, a história e a sociologia brasileira. Para Bolle, este romance é revelador do funcionamento das relações de poder no Brasil, analisando a partir de uma perspectiva interna a estas relações os modos de funcionamento do poder. Pretendemos levar à sério a problematização feita por ele de que o Grande sertão tem um potencial igual, e talvez superior, aos das teorias já conhecidas sobre o Brasil, mas que ainda precisa ser decifrado (Bolle, 2004, p. 123).

No Grande sertão: veredas, o Brasil é destrinçado em forças do passado que mesmo depois de apagadas em sua presença histórica, como a jagunçagem, ressoam seu sentido sobre a atualidade, pois essas forças se reatualizam em novas tendências e se reconfiguram em novas relações de poder. Rosa evoca a memória do coronelismo enquanto modo de configuração das relações políticas entre fazendeiros, bandos de jagunços e milícias no sertão brasileiro durante a República Velha, e antecipa problemas que o desenvolvimentismo e sua promessa de modernização iriam causar (Vasconcelos, 2002).

É uma interessante coincidência que o romance tenha sido publicado em 1956, que é o mesmo ano que Juscelino Kubitschek assume a presidência do Brasil com seu ousado plano de aceleração do desenvolvimento nacional de 50 anos em cinco. Um grande dilema do desenvolvimentismo em toda sua história é que nunca conseguiu integrar e organizar as comunidades faveladas, ribeirinhas, sertanejas e indígenas e sempre produziu muita violência contra esses povos. O Grande sertão é a face avessa e monstruosa desse processo de modernização unidimensional. Ali a cidade é interpelada a partir do sertão. No monólogo de Riobaldo está implícito um diálogo com um doutor da cidade que vem visitá-lo e ouve suas histórias. O mundo urbano marcado pelo desenvolvimento é exposto em sua alteridade, no que lhe é exterior, mas uma exterioridade que também lhe é íntima em sua ausência sempre presente. Afinal, a produção desse mundo sempre se deu por meio da inclusão dessas margens e suas populações enquanto excluídas. Ao mesmo tempo que este espaço excluído é fagocitado, tendo sua energia e vitalidade criativa sugadas e seus corpos castigados pelo trabalho. O romance de Rosa antecipou os sinais da dilaceração social que o projeto desenvolvimentista causaria sobre populações que nunca couberam nesse projeto de nação e sobreviveram nas suas margens absorvendo a violência a que eram expostas, reproduzindo-a no interior de suas comunidades e territórios.

Esse projeto de modernização e desenvolvimento nacional nunca superou estruturas arcaicas das relações de poder que governam o Brasil baseadas no coronelismo e nas relações entre políticos e máfias. Trouxe consigo um modo de gerir os conflitos políticos em que sempre se conservam as relações de poder e seus privilégios e um modo de distribuição espacial da violência bastante desigual e marcado pelo racismo. Para Sandra Vasconcelos, a disseminação dos bandos de jagunços e a violência desencadeada por eles eram o corolário das relações políticas vigentes desde a proclamação da República:

Proclamada a República, a manutenção da estrutura econômica do país, baseada no latifúndio, e o desmantelamento da ordem escravocrata colocaram em disponibilidade um contingente de homens livres que, sem terra e sem trabalho, foram encontrar no banditismo uma forma de sobrevivência, seja como capangas — homens assalariados a serviço de um fazendeiro que formava assim seu exército privado —, seja como cangaceiros — homens independentes que se organizavam em bandos sob a direção de um chefe prestigioso. Os conflitos entre parentelas, entre fazendeiros e chefes políticos, agravados por movimentos milenaristas como Canudos, na Bahia, o Contestado, em Santa Catarina, e o Caldeirão, no Ceará, fizeram do sertão uma zona conflagrada, no primeiro período republicano (Vasconcelos, 2002).

No Grande sertão: veredas, o Brasil é narrado a partir dessas margens onde a guerra se atualiza sem ser percebida como uma ameaça ao projeto institucional moderno. Este fantasma ainda persiste no presente, se reatualizando em novos conflitos nas regiões periféricas do Brasil. O livro poderia ser reescrito hoje a partir dos conflitos entre facções que controlam as favelas, que assim como os bandos jagunços, cooptam negros e pobres para seus exércitos. Bandos que existiam sempre em relação — na maioria das vezes numa relação de serviço — com líderes políticos, fazendeiros e coronéis. Riobaldo seria hoje um moleque da favela abandonado pelo pai e com sua mãe falecida, que tentou estudar, mas abandona os estudos e, de repente, sem muita alternativa para sobreviver, se vê inserido numa facção, com uma arma na mão e posto diante de uma guerra que não era sua e que, além da morte, só poderia lhe oferecer o prestígio de ser um guerreiro. Ele passa um bom tempo lidando com conflitos morais sobre a violência e a brutalidade que seu grupo e ele mesmo promovem, até que assume um pacto diabólico que lhe faz afirmar isso como destino; consegue se tornar líder do seu bando e promotor direto da guerra, tendo a infame fortuna de terminar a vida como fazendeiro, que é sua condição como narrador no livro.

O Grande sertão conta a passagem da guerra à institucionalização da propriedade, da lei e de um novo comando sobre a terra; do nomadismo da vida jagunça de Riobaldo à sua sedentarização como fazendeiro, proprietário de terra, fixado nos limites de suas fronteiras. Estas duas experiências distintas de habitar e distribuir o espaço, que serão apresentadas aqui não como identidades fixas e absolutamente exteriores entre si, mas como dois polos que indicam tendências e inclinações que perpassam a vida daqueles personagens. Não queremos fazer dessa oposição uma luta do bem contra o mal, pois esconderíamos assim as barbaridades praticadas pelos jagunços, mas queremos entender o modo como cada um desses lados se apresenta, como funciona a relação de cada um com o espaço, com o coletivo social e com o poder. O jagunço nômade experimenta a terra como espaço de navegação sem fronteiras determinadas — “Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos” (Grande sertão: veredas, p. 8). O jagunço experimenta o sertão como espaço liso numa experiência de variação contínua e se distribui no espaço habitando-o em movimento. Enquanto o fazendeiro distribui o espaço, converte-o em propriedade, delimitando suas fronteiras num processo de estriamento. Riobaldo produz uma posição ambígua: um fazendeiro narrando suas memórias da jagunçagem. O que é apenas uma das muitas ambiguidades que podemos encontrar na obra de Guimarães Rosa. Porém, Riobaldo continua sendo assombrado pelo fantasma da guerra, e para se proteger distribuiu quinhões de sua propriedade entre outros jagunços que protegiam suas terras:

Chegassem viessem aqui com guerra em mim, com más partes, com outras leis, ou com sobejos olhares, e eu ainda sorteio de acender esta zona, ai, se, se! É na boca do trabuco: é no té-retê-retém... E sozinhozinho não estou, há-de-o. Pra não isso, hei coloquei redor meu minha gente. [...] Deixo terra com eles, deles o que é meu é, fechamos que nem irmãos. Para que eu quero ajuntar riqueza? Estão aí, de armas areiadas. Inimigo vier, a gente cruza chamado, ajuntamos: é hora dum bom tiroteiamento em paz, exp’rimentem ver [...] (Grande sertão: veredas, p. 24).

A literatura de algum modo faz a experiência de conjurar fantasmas. Invocando imagens da presença de uma memória que insiste em assombrar o presente e antecipando os sinais de passagem do que vai dando lugar ao porvir. O que estamos chamando de fantasmas aqui é a espectralização da presença de algo que já não está mais aí, mas que insiste enquanto memória ou hábito ou uma repetição compulsiva e não voluntária das formas de algo que já não é mais presente. Portanto, o fantasma é também uma falha da ausência. Esta noção de fantasma ou espectro nos conduz a atenção para um nível virtual da realidade em que as fronteiras da diferença que delimitam os seres se borram, multiplicando ao infinito o efeito gradiente que se passa entre diferentes categorias ou identidades, havendo compenetração recíproca entre elas. Logo, a identidade aqui passa a ser uma tendência de diferenciação do ser, seu grau de atualização mais contraído e não sua essência. O fantasma indica a insistência da memória — embora não se confunda com ela — na temporalização do ser e sua diferenciação no tempo de modo que o passado coexista com o presente. Cabe destacar, que o espectro não se confunde com o virtual, mas se dá entre o virtual e o atual, pois possui um nível mínimo de inscrição na realidade.

Consideraremos a guerra como uma memória da civilização, como fantasma que assombra o tecido social e tende a lhe esgarçar, abrindo brechas e arrebentando linhas que carregam tendências diversas e se atualizam para além das formas institucionais estabelecidas. A guerra será considerada numa dimensão virtual que permeia a sociedade e desterritorializa o campo social liberando linhas de fuga. Todas as sociedades para se constituírem inventaram formas de conjurar esse fantasma e conter a violência de sua inscrição na realidade. No Grande sertão: veredas encontramos uma abordagem deste problema na cena do julgamento do líder jagunço Zé Bebelo. A instauração de um tribunal no meio do sertão, suspendendo uma guerra em curso, foi, ali, um modo de contenção da violência. Porém, a decisão que encerra o julgamento não esgota de uma vez por todas a virtualidade do conflito, mas, sim, reatualiza o campo de forças em que isto se dá.

O JULGAMENTO DE ZÉ BEBELO E A ECLOSÃO DO ANTAGONISMO ENTRE DUAS ORDENS JAGUNÇAS
Para Luiz Roncari, num ensaio dedicado à análise desta cena, o julgamento de Zé Bebelo é um ponto de inflexão no romance que traz à tona o embate entre civilização e barbárie, ordem e desordem, instituição e costume etc. (Roncari, 2001). É um ponto alto da narrativa em que culminam os encadeamentos dispersos que compõe seu percurso até aí. Roncari propõe a figura de um trapézio como a forma geral da arquitetura do romance. Embora seja esta uma forma demasiada simples para uma narrativa tão complexa e labiríntica que parece mais uma rede com contornos abertos e delimitações porosas, permitindo a diversidade de leituras e interpretações que já existem sobre esta obra, a figura do trapézio é acertada em dois pontos apontados por Roncari. O primeiro é que há uma curva ascensional dos fios narrativos que compõem a obra e se coagulam nesta passagem, como no lado esquerdo do trapézio, em que se traça uma linha diagonal da esquerda para a direita e debaixo para cima.

Este primeiro movimento envolve um conjunto de estórias e memórias do narrador a partir do que se vai constituindo a paisagem sertaneja, a beleza de sua geografia e seu povoamento de figuras místicas, a sordidez da vida na aridez do sertão e a violência das guerras jagunças, criando o cosmos em que emergem os personagens. É aí que na encruzilhada de estórias embaralhadas se tece a história de Riobaldo, passando pela sua infância e seu encontro com o menino Diadorim na travessia do Rio São Francisco (Grande sertão: veredas, p. 102), sua fuga da fazenda de Selorico Mendes quando descobre que este era seu pai (Idem, p. 122), sua estadia na fazenda de Zé Bebelo quando Riobaldo foi seu professor de letras (Idem, p. 128), sua iniciação na jagunçagem e sua fuga do bando de Zé Bebelo depois de ficar chocado com a brutalidade dos jagunços (Idem, p. 135), o reencontro com Diadorim e a aproximação com o bando de Joca Ramiro (Idem, p. 138), com quem Riobaldo permanecerá até a guerra contra o bando de seu ex-chefe Zé Bebelo e o momento em que este é capturado e julgado pelos jagunços (Idem, pp. 256-281). Um dos motivos deste julgamento acontecer é justamente porque num momento em que Zé Bebelo estava prestes a ser fuzilado, Riobaldo grita, dizendo que Joca Ramiro o queria vivo — o que não era verdade. Riobaldo faz isso por causa de sua relação passada com Zé Bebelo e porque tinha uma inclinação a gostar dele — suas primeiras descrições dele são bastante elogiosas, por exemplo — e ficou intrigado com a possibilidade dele ser morto no meio da guerra. Zé Bebelo é então capturado e exige um julgamento, que acaba sendo concedido por Joca Ramiro. Assim, a cena do julgamento é um ponto em que culminam as diversas linhas de evolução da narrativa e onde já há um conjunto de alianças constituídas entre os jagunços, como é o caso da relação tão próxima e apaixonada de Riobaldo com Diadorim, que é um dos eixos principais de composição do romance.

O segundo movimento apontado por Roncari é que, depois de um breve período de maior serenidade posterior ao julgamento, a narrativa passa a se inclinar numa descida cada vez mais profunda ao interior do sertão, numa escalada de intensidade da violência e do confronto com a própria geografia sertaneja. Agora, com acontecimentos mais concentrados e temas mais constantes, como a busca pela vingança da morte de Joca Ramiro, que foi assassinado por Hermógenes, um líder jagunço de ar assombroso e maligno e que foi contrário à absolvição de Zé Bebelo. É nesta segunda metade do romance que também ocorrem momentos marcantes na trajetória de Riobaldo, como o pacto diabólico, a assunção da liderança do bando, a travessia do Liso do Sussuarão — que até então nenhum líder jagunço tinha conseguido cruzar —, até culminar na batalha final contra o bando do Hermógenes. Para Roncari, o que houve naquele julgamento não foi apenas uma troca de bandos e chefias em conflito, mas uma mudança no próprio teor e significado das lutas (Roncari, 2001).

Quais eram os reais conflitos que motivaram aquele julgamento? Antes do seu início, o personagem Sô Calendário exclama: “Julgamento! É isto! Têm de saber quem é que manda, quem é que pode” (Grande sertão: veredas, p. 256). O que mostra que havia uma questão política envolvida ali, que era o reconhecimento ou não de Zé Bebelo enquanto liderança jagunça, a definição de quem exerce uma posição de comando; o que define uma relação elementar do poder. Zé Bebelo estava sentado num tamborete, com as mãos amarradas, no meio do círculo de jagunços e diante das principais lideranças daquele universo, como Titão Passos, Sô Calendário, Hermógenes, Ricardão e Joca Ramiro, sendo que este último exercia ali uma função mais central, dirigindo a reunião e tomando a decisão final. Interessante observar que o julgamento não aconteceu em qualquer lugar. Os bandos se deslocaram até a Fazenda Sempre-Verde, do doutor Mirabô de Melo, e se ajuntaram diante da Casa-grande. Como Roncari destaca, a Casa-grande era o totem da sociedade patriarcal brasileira e do sistema coronelista das relações de poder (Roncari, 2001). O lugar escolhido por Joca Ramiro era um símbolo de autoridade e tradição que devia ser respeitado. Toda a composição física e corporal na instituição deste tribunal problematiza o modo de assimilação de uma instituição moderna por uma sociedade arcaica, colocando em cena um processo de atualização da memória na produção de uma diferença, que forja a emersão de algo novo em tensão com os hábitos adquiridos. O comentário de Roncari nos aponta isso:

Na montagem do julgamento, somente o réu tinha uma posição previamente estabelecida, devendo ficar no centro do círculo formado pelos demais, exposto e sujeito ao olhar daqueles que iriam julgá-lo. Todo o restante estava por ser definido, o que vai acontecendo espontaneamente, sem um plano discutido e sem que se precisasse fundamentar a função de cada agente. Deixavam-se levar por um movimento circular, que distribuía as pessoas e os papéis, aceitos naturalmente por todos, como se cada um estivesse ocupando o seu lugar adequado e nada parecesse forçado ou imposto. Desse modo, o novo, a instituição legal da cidade não era assimilada pelo costumeiro como só um arcabouço formal e abstrato imposto de fora; ela sofria adaptações, ia se acomodando às hierarquias e valores reconhecidos, adquiria com isso organicidade e aparecia como uma gestação dos próprios homens do lugar, sem os constrangimentos que os fariam reagir contra o que se estava inaugurando (Roncari, 2001).

Assim que começa a interrogar o réu, Joca Ramiro senta-se ao chão, se colocando à altura dele, e faz a seguinte acusação: O senhor veio querendo desnortear, desencaminhar os sertanejos de seu costume velho de lei...” (Grande sertão: veredas, p. 260). A lei que é invocada não é a lei positiva, o código normativo sob tutela do Estado, mas a lei costumeira de uma tradição local. Zé Bebelo é acusado por ameaçar a conservação de uma tradição. Como líder, pretendia se tornar deputado, tendo um projeto de desenvolvimento e modernização do sertão — “Dizendo que, depois, estável que abolisse o jaguncismo, e deputado fosse, então reluzia perfeito o Norte, botando pontes, baseando fábricas, remediando a saúde de todos, preenchendo a pobreza, estreando mil escolas” (Idem, p. 131), e vivia a elogiar a Lei, dando vivas ao governo, prometendo coisas republicanas, afirmando que tudo seria nacional (Idem, p. 133). Portanto, seu projeto implicaria a intervenção de um poder externo aos valores e relações tradicionais que configuravam a realidade sertaneja e contrário ao poder do mandonismo local. Para tanto, deveria exercer uma violência ainda maior que aquela dos jagunços, mesmo que fosse em nome da lei e do progresso (Roncari, 2001).

No entanto, não sendo parte do costume a instituição de tribunais para julgar condutas desviantes, a instalação do tribunal dependia de uma decisão soberana que contrariasse o costume, mas que também fosse magnânima, pois tal decisão implicaria que o Chefe abdicasse de uma parcela do seu poder sobre a vida e a morte e aceitasse limites sobre sua autoridade (Ibidem, 2001). É Joca Ramiro quem poderá fazer isso, descrito por Riobaldo como um “imperador em três alturas”, que nem o nome se podia dizer à toa (Grande sertão: veredas, p. 179). Diferente de todos os outros líderes jagunços, Joca Ramiro é um personagem imponente, composto por um ar de seriedade, tendo sua autoridade reconhecida por todos — “[...] por que era que todos davam assim tantas honras a Joca Ramiro, esse louvo sereno, com doado?” (Idem, p. 231) — e sempre comparado a uma realeza:

Joca Ramiro chegando, real, em seu alto cavalo branco, e defrontando Zé Bebelo a pé, rasgado e sujo, sem chapéu nenhum, com as mãos amarradas atrás, e seguro por dois homens. Mas, mesmo assim, Zé Bebelo empinou o queixo, inteirou de olhar aquele, cima a baixo. Daí disse:

— “Dê respeito, chefe. O senhor está diante de mim, o grande cavaleiro, mas eu sou seu igual. Dê respeito!” (Grande sertão: veredas, p. 255).

Nesse encontro entre Joca Ramiro e Zé Bebelo, o costume e a tradição sertanejos são confrontados explicitamente. Zé Bebelo, o personagem que vem de fora com um projeto modernizador — que mais a frente fica evidente que não passa de um discurso de autopromoção —, confronta o líder máximo dos jagunços com irreverência e insubordinação, exigindo respeito, mesmo estando na condição de prisioneiro e sob o risco de ser executado. Em seguida, Joca Ramiro dispõe a oportunidade para os outros líderes se posicionarem sobre o caso. Eles ficam divididos entre aqueles que exigiam a execução imediata de Zé Bebelo, como Hermógenes e Ricardão, e aqueles que votavam pela absolvição, como Titão Passos, Sô Calendário e João Goanhá. É exatamente aí que começam a aparecer as verdadeiras oposições que estavam em jogo. Rosa irá nos mostrar uma outra qualidade da jagunçagem. O jagunço guerreiro de Rosa difere dos jagunços a serviço dos coronéis. Aparece então uma oposição entre duas ordens diferentes: aquela dos jagunços guerreiros, que afirmavam a jagunçagem como esteio de suas vidas, e aquela de jagunços que estavam a serviço de outros interesses, como o de fazendeiros e coronéis, explicitado no discurso de Ricardão:

Relembro também que a responsabilidade nossa está valendo: respeitante ao seo Sul de Oliveira, doutor Mirabô de Melo, o velho Nico Estácio, compadre Nhô Lajes e coronel Caetano Cordeiro... Esses estão aguentando acossamento do Governo, tiveram de sair de suas terras e fazendas, no que produziram uma grande quebra, vai tudo na mesma desordem... A pois, em nome deles, mesmo, eu sou deste parecer. A condena seja: sem tardança! Zé Bebelo, mesmo zureta, sem responsabilidade nenhuma, verte pemba, perigoso. A condena que vale, legal, é um tiro de arma. Aqui, chefe — eu voto!... (Grande sertão: veredas, p. 268)

Nisto se torna evidente a oposição entre o nomadismo jagunço e a ordem política sertaneja sob comando de coronéis e fazendeiros com seus capangas. Os jagunços que aderem à vida nômade não se mostram preocupados com interesses alheios à sua própria vontade e afirmam outra ordem de valores. Para a justiça guerreira dos jagunços, não havia nenhum crime em questão e o que era afirmado era a própria possibilidade do combate, do conflito, da luta. A lei que os regiam era aquela da liberdade e a afirmação dos riscos que ela traz. Para eles, estava suspensa qualquer lei exterior ao próprio modo de vida que era constituído na experiência nômade pelo espaço sertanejo. O discurso do personagem Sô Calendário demonstra o acolhimento da guerra como algo habitual e constitutivo da vida jagunça, além da diferença sobre o que regrava a conduta deles:

Crime?... Crime não vejo. É o que acho, por mim é o que declaro: com a opinião dos outros não me assopro. Que crime? Veio guerrear, como nós também. Perdeu, pronto! A gente não é jagunços? A pois: jagunço com jagunço — aos peitos, papos. Isso é crime? Perdeu, está aí feito umbuzeiro que boi comeu por metade... Mas brigou valente, mereceu... Crime, que sei, é fazer traição, ser ladrão de cavalos ou de gado... não cumprir a palavra... (Grande sertão: veredas, p. 266).

Trair, roubar, não cumprir a palavra... Atos que violavam as relações de lealdade e hombridade que orientavam a vida destes jagunços que perseguiam a vida nômade e guerreira sertão adentro. Para eles, também estavam suspensas as leis do Estado. Mais que isso, a experiência dos bandos jagunços afirmava uma certa indiferença em relação ao Estado. Como numa cena em que Riobaldo conta que seu bando estava sendo perseguido por soldados do governo e, sob o comando de Medeiro Vaz, eles recusaram guerrear contra o Estado, “[...] porque nossas armas guardavam um destino só, de dever. Escapulíamos, esquipávamos.

Vereda em vereda, como os buritis ensinam, a gente varava para após” (Grande sertão: veredas, p. 57). Estabelecendo então uma existência política e uma ordem de valores irredutíveis às leis do Estado, os jagunços afirmavam uma guerra de natureza totalmente diferente daquelas empreendidas pelo Estado; uma guerra que não tinha como objetivo a subjugação de um grupo ou a tomada de um território, mas sim a afirmação da experiência guerreira, do seu ser para a guerra. Foi assim que Titão Passos se posicionou em relação ao caso de Zé Bebelo:

O que eu acho é que é o seguinte: que este homem não tem crime constável. Pode ter crime para o Governo, para delegado e juiz-de-direito, para tenente de soldados. Mas a gente é sertanejos, ou não é sertanejos? Ele quis vir guerrear, veio — achou guerreiros! Nós não somos gente de guerra? Agora, ele escopou e perdeu, está aqui, debaixo de julgamento. A bem, se, na hora, a quente a gente tivesse falado fogo nele, e matado, aí estava certo, estava feito. Mas o refrêgo de tudo já se passou. Então, isto aqui é matadouro ou talho?... Ah, eu, não. Matar, não. Suas licenças... (Grande sertão: veredas, p. 269).

Depois de ouvidos os outros líderes jagunços, Joca Ramiro decide por absolver Zé Bebelo, sob a condição de que ele deveria ir para longe e nunca mais voltar. Tomada a decisão, ainda resta a sombra deste antagonismo que emergiu naquela assembleia. Os bandos retomam suas jornadas, se distribuem em direções diversas, e não demora para que de repente chegue a notícia de que Joca Ramiro foi covardemente assassinado por Hermógenes em conluio com Ricardão. O antagonismo se torna então central, e a partir daí os bandos se reconfiguram sob uma tensão que se manterá vibrante até o desfecho de toda a narrativa: o combate final contra os hermógenes. Naquela decisão, os dados foram relançados e as peças foram redistribuídas no tabuleiro. Tão logo se instalam os meios de controlar e estabilizar um conflito e isto logo vaza por outra via fazendo insistir os fantasmas da guerra, que em seu retorno faz repetir um processo de diferenciação, reatualizando o campo social e suas composições de alianças.

RENAN PORTO cresceu no povoado de Florestal, na Bahia. Tem formação em Direito e se dedica à pesquisa interdisciplinar desde a graduação, explorando campos como Direito, Literatura, Filosofia e Antropologia. Vive em Londres, onde faz doutorado em Direito na Universidade de Westminster como bolsista integral. É autor do livro de poesia O cólera A febre (Urutau, 2018).

Publicidade

veja também

Vânia Debs e sua presença no cinema pernambucano

Marina Lima, um ‘songbook’ para a obra

Carta ao pai ausente