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Dança de salão de qualidade

TEXTO Jomar Mesquita

01 de Agosto de 2011

Foto Guto Nuniz/Divulgação

Qual imagem vem à sua mente quando você pensa em dança de salão? Aquela gafieira das novelas? Shows de tango para turistas? Aquele amigo da sua amiga que dá aulas em casa? A dança do Faustão? Refinados espetáculos? Se aprofundarmos um pouco mais a reflexão: você pensa em arte e cultura ou em entretenimento e lazer?

Todas essas referências estão obviamente relacionadas às danças de salão, que abrangem muitas áreas. Entretanto, muitos ainda relacionam bolero, tango, samba e outros gêneros somente a uma certa cafonice e não a espetáculos artísticos de alto nível. Associam a algo possível de se “aprender” em um mês e não a uma técnica que pode ser tão complexa quanto o balé clássico, com a vantagem de ser acessível a corpos de todas as idades e tipos físicos. Culpa do que é retratado na TV? Com certeza a mídia colabora, mas os que se dizem professores de dança sem a mínima formação necessária, os profissionais sem ética e o incontável número de apresentações de dança de gosto discutível e baixa qualidade talvez sejam os principais responsáveis.

Você também colabora para isso quando, ao buscar uma escola ou grupo para contratar para sua festa, se preocupa somente com o preço, sem verificar a qualidade de ensino e formação dos professores, ou o bom gosto e elegância das coreografias. Também, quando pensa que saber dançar significa apenas ensaiar uma coreografia em poucos dias para participar de um concurso. Saber falar inglês vai muito além de conseguir repetir as palavras de um texto. A dança de salão também é um idioma que exige muito conhecimento para atingir a fluência de comunicação com o par – e o prazer que se atinge faz valer a pena.

Dança de salão nem sempre é cafona. Ser popular não significa ser amador ou de baixa qualidade. Existem profissionais, escolas e grupos de dança de excelente nível. Cabe a você aprofundar o seu discernimento estético ao assistir um espetáculo ou apresentação de dança. Cabe a você exigir que a sua aula não seja somente um amontoado de “passos”, mas um momento no qual você também possa extrair conhecimento histórico, benefícios físicos e psicológicos, cultura.

Voltando à mídia, vale citar um exemplo de como o consumidor cultural poderia ser mais beneficiado e informado. Nada contra o futebol, mas por que tanto espaço para esse esporte nas rádios e TVs e tão pouco para a cultura? Ok. Porque a audiência futebolística é enorme. Porém, será que um país que leva milhões de pessoas aos teatros, aos festivais, aos shows musicais, com uma cultura popular de uma riqueza infinita, não teria audiência suficiente para mais programas culturais? Talvez isso já seja assunto para uma outra edição... 

JOMAR MESQUITA, mestre da dança de salão, diretor da Mimulus Cia. de Dança (MG).

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