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“Junto com o skate, o surf é o esporte que mais influencia jovens”

O surfista pernambucano Carlos Burle, um dos principais nomes com reconhecimento no exterior, fala sobre sua trajetória e em como o esporte se consolidou entre a juventude

TEXTO Marcelo Sá Barreto

01 de Setembro de 2012

Carlos Burle

Carlos Burle

Foto Divulgação

[conteúdo vinculado ao especial | ed. 141 | setembro 2012]

Carlos Burle é um dos surfistas brasileiros
de maior reconhecimento no exterior. O pernambucano, que é adepto das ondas gigantes, dá palestras motivacionais pelo Brasil e fora dele. É uma espécie de guru do esporte. Prestes a se aposentar das competições realizadas em condições extremas, ele conversa com a Continente sobre o esporte que o projetou.

CONTINENTE Você começou a surfar no início dos anos 1980. Imaginava que um dia o esporte estivesse tão inserido no cotidiano das pessoas?
CARLOS BURLE Comecei a surfar em 1981. E nunca pensei que o surf fosse estar tão bem-resolvido socialmente. Não é só a questão de ser aceito. O surf, junto com o skate, são os dois esportes, fora dos tradicionais, que mais têm influência sobre os jovens e os adolescentes. O surf vive uma realidade que nunca tinha imaginado.

CONTINENTE Na sua análise, quais os motivos que levaram o surf a conquistar um lugar cativo entre outros esportes, inclusive falando dos mais tradicionais?
CARLOS BURLE O surf é um esporte que tem um contato muito forte com a natureza. Além disso, carrega valores de qualidade de vida, saúde, felicidade, superação, contracultura, entre outros. Foi justamente com esses aspectos da rebeldia e da contracultura que ele se identificou. E ainda se identifica fortemente entre os jovens. Os jovens de ontem são o público e os consumidores dos dias atuais. E os de hoje são os do futuro. Com isso, o surf se consolidou como um dos grandes esportes do país.

CONTINENTE Hoje, o surf tem projeção midiática, entre outras situações positivas. Qual a sua sensação diante do fato de que seu exemplo ajudou na inserção do esporte?
CARLOS BURLE Até hoje, esse aspecto transformador é o meu maior estímulo. Tenho a sorte de gostar de desafios. O surf foi e tem sido um terreno muito fértil para o exercício das minhas habilidades dentro e fora d’água. Poder mostrar o lado profissional desse esporte e de realmente sermos atletas são meus agentes motivadores. Amo muito o surf e vê-lo inserido em campanhas ou projetos que estão além dos da mídia especializada me dá muita satisfação.

CONTINENTE O surf ainda é um esporte segmentado. De que forma é possível torná-lo mais popular?
CARLOS BURLE Talvez eu seja tendencioso nesse meu argumento, mas, para mim, o surf de ondas gigantes tem mais chances de levar o nosso esporte para fora da segmentação. É simples fazer manobras radicais em ondas pequenas. É muito legal para quem pratica ou acompanha o esporte. Mas as ondas gigantes, com suas imagens impressionantes, e o aspecto do homem encarando a natureza, chamam a atenção de todos.

CONTINENTE Aonde o surf pode chegar como esporte?
CARLOS BURLE Fala-se do surf nas Olimpíadas. Eu não acredito nisso, pelo aspecto de ser um esporte que depende muito da natureza e, principalmente, por ser subjetivo em seu julgamento. Talvez trace o mesmo caminho das Olimpíadas de Inverno, nas quais são amparados o ski na neve e o snowboard. Mesmo assim, acho que o grande valor do surf sempre vai ser esse enigma em torno da sua prática. É aí que – mais uma vez – o surf de ondas gigantes se sobressai. O time que envolve homens que enfrentam tempestades, ondas gigantes, preparados física e psicologicamente para essa situação, é um forte apelo. 

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