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Quando Tóquio cruzou a ponte do Pina

TEXTO Fernando Athayde

01 de Abril de 2014

Banda Team.Radio acaba de gravar o primeiro disco, 'Ranma', tendo os japoneses como referência

Banda Team.Radio acaba de gravar o primeiro disco, 'Ranma', tendo os japoneses como referência

Foto Divulgação

[conteúdo vinculado à reportagem de "Sonoras" | ed. 160 | abril 2014]

No Brasil, país com a maior população nipônica fora de sua terra natal, a imigração japonesa começou e teve seu ápice na primeira metade do século 20. Ainda assim, 90% desses imigrantes restringiam-se ao estado de São Paulo, o que acabou gerando o icônico Bairro da Liberdade, na capital paulista. Apesar disso, a geração de brasileiros nascidos no período compreendido entre as décadas de 1980 e 90 certamente viveu uma época singular em relação à inserção da cultura pop do Japão em sua vida.

Durante a infância e a adolescência, essa geração teve, através da televisão aberta nacional, o contato com o tokusatsu e o anime, gêneros televisivos japoneses, cuja popularidade chegava a desbancar até as famosas telenovelas da Globo em pontos de audiência. Além disso, destacava-se a desenvolvedora de games da Nintendo que, com sua segunda geração de consoles, se tornou febre no Brasil, consolidando o video game quase como um eletrodoméstico básico. Enfim, até mesmo a chegada dos mangás às bancas de jornal, no início dos 2000, e a popularização do sushi como “comida chique”, podem ser apontadas como fatores determinantes para que, traduzindo esse contexto para o Recife, algo muito peculiar viesse a acontecer.

Hoje, é nítido o aparecimento de uma frente de artistas pernambucanos que, de terem crescido sob o fascínio da cultura pop nipônica, transgrediram o caminho do maracatu, do frevo e de quaisquer ritmos regionais. Assim, sob a influência da música japonesa contemporânea do Toe e no trabalho de compositores como Yasunori Mitsuda e Nobuo Uematsu, é que bandas locais estão fundamentando uma alternativa à tradicional música pernambucana.


Dinâmica de criação do grupo Kalouv é caracterizada pelas parcerias.
Foto: Bruna Monteiro/Divulgação

A Team.Radio, que acaba de gravar seu primeiro disco, Ranma, é a mais antiga delas. Iniciada em 2008, lançou os EPs White Tokyo, de 2010, e Summertime, de 2011, que serviram de ponte para a já duradoura parceria com o selo paulista Sinewave, voltado para a música experimental. O quinteto, que já passou por algumas mudanças de formação, demonstrou competência desde sua estreia, ousando se transformar completamente de um lançamento para o outro.

Também parte do catálogo da Sinewave, a Kalouv é outra banda pernambucana do segmento. Em 2011, lançou o disco Sky swimmer, cuja repercussão levou o quinteto a palcos de Maceió ao Rio Grande do Norte. Em 2012, apresentou-se no festival Play The Movie, em que a banda tocava ao vivo frente a uma projeção cinematográfica. “As trilhas sonoras japonesas são influências diretas em mim”, conta o pianista Bruno Saraiva, que cita o compositor nipônico Kenji Kawai como uma referência importante para o som do grupo.

A Kalouv, que lançou recentemente seu segundo disco, Pluvero, destaca-se por fechar parcerias. Se toda a sua concepção visual foi pensada pelo coletivo de artes visuais Imarginal, a produção de seu álbum ficou a cargo do músico Roberto Kramer, integrante-fundador da Team.Radio. “Ele demonstrou ser um ótimo produtor e se tornou um grande amigo”, pontua o baterista Rennar Pires. 

FERNANDO ATHAYDE, estudante de Jornalismo e estagiário da Continente.

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