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Edição #22

Outubro 02

Nesta edição

Drummond

Um poeta faz cem anos. Tanto faz. É Carlos Drummond de Andrade, para muitos o maior dos que cantaram em português.

A sua poesia é um divisor de águas, que tornou possível João Cabral de Melo Neto, e a sua superação.

A sua estréia coincide com uma dessas datas de transição (a Revolução de 30), úteis a professores e estudantes. Mas que nada dizem a alguma poesia que há nas datas.

Drummond gostava das datas e das celebrações. Cantou o cinqüentenário de Manuel Bandeira (porventura a sua maior admiração literária no país), e depois os seus noventa anos imaginários. Aceitou a encomenda de Gilberto Freyre para cantar a sua filha recém-nascida. E também cantou a neta.

Mineiro, hoje está de tal modo incorporado à alma nacional que vários dos seus versos viraram lugares-comuns.

É um desses casos de glória literária em vida. Foi muito louvado. Agora volta a sê-lo, no seu centenário. É justo. Como justas são as palavras do poeta Marcus Accioly, que o louva em “Ó (de) Itabira”:

“Vale a pena cantar (que não te ouça)/ o verme sob o corpo ou a pedra cega/ e a toupeira que cava a sua fossa// vale a pena sonhar – Carlos, sossega/ que as mulheres te amam com seus zelos/ e o verso entregue traz a inversa entrega/ do coração: as carnes e os cabelos/ para dormires entre o meio-sono/ e conhecê-los ou desconhec ê-los”.

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