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Resenha

Africanidades do período colonial brasileiro

TEXTO Samanta Lira

01 de Dezembro de 2018

Trecho de 'Cumbe', uma das novelas gráficas que serão adotadas em sala de aula em 2019

Trecho de 'Cumbe', uma das novelas gráficas que serão adotadas em sala de aula em 2019

Imagem Reprodução

[conteúdo exclusivo para assinantes | ed. 216 | dezembro de 2018]

Uma página cortada em dois quadros. No primeiro, observamos de longe uma árvore de caule grosso, cercada por arbustos e outras árvores de caules mais finos. Miramos o olhar para um pequeno símbolo cravado nela, até então, indecifrável. Apesar da distância e de seu tamanho insignificante diante de toda aquela mata, destaca-se. Logo desconfiamos ser esse o foco de abertura da história. Quase que simultaneamente, pulamos os olhos para o segundo quadro. Dessa vez, o símbolo que agora percebemos ter um formato de “H” – que contorna pontos dispostos linearmente formando a letra – está num plano fechado, confirmando nossa constatação inicial de foco.

É um ideograma proverbial quioco (etnia que habita áreas da República Democrática do Congo, na África Central). Ideogramas desse tipo são riscados em areias ou árvores, em corpos ou couros, e há séculos acompanham ou antecedem contações de histórias, contribuindo para o ensinamento de valores ligados à economia e ao ambiente comunitário. Assim se inicia o conjunto de histórias que retratam de forma inovadora a luta contra a escravidão no Brasil colonial do século XVII, sob o olhar dos próprios negros escravizados. As narrativas integram a HQ Cumbe (2014), do professor, artista plástico, mestre em História da Arte, ilustrador e quadrinista Marcelo D’Salete, natural de São Paulo.

Vencedora do Eisner Awards 2018 – na categoria de melhor edição americana de material estrangeiro –, o mais importante prêmio de quadrinhos do mundo, oferecido anualmente durante a Comic Con San Diego (Califórnia), a obra já foi publicada nos Estados Unidos, França, Portugal, Áustria, Alemanha e Itália. Uma conquista encarada como parte do momento singular da arte dos quadrinhos feita no país, e que demonstra o interesse crescente do público estrangeiro em compreender a formação histórica e cultural da sociedade brasileira.

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