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Curtas

Esquartejada

Aninha Martins apresenta seu novo álbum

TEXTO Erika Muniz

02 de Outubro de 2017

A cantora Aninha Martins traz para seu disco solo o caráter performático de suas apresentações

A cantora Aninha Martins traz para seu disco solo o caráter performático de suas apresentações

Foto Beiro Eiras/Divulgação

[conteúdo na íntegra (degustação) | ed. 202 | outubro 2017]

Em agosto de 2013, foi comum o compartilhamento nas redes sociais, pelos frequentadores da cena cultural pernambucana, do vídeo do Youtube Faz ideia, vigorosa interpretação da cantora Aninha Martins (veja AQUI). Gravado pela produtora pernambucana Ostra Monstra, foi uma das primeiras apresentações solo da pernambucana, que também integrava a banda Sabiá Sensível, Malvados Azuis, D Mingus e Grupo Varal. “O show começou de um convite de Juvenil Silva para eu fazer o festival Desbunde Elétrico. No começo, não acreditei muito nessa história, mas rolou e gostei do resultado”, relembra a artista. Na ocasião, estavam alguns produtores da cidade, o que colaborou para a visibilidade de seu talento entre público local, tanto é que um dos shows seguintes já foi no palco do festival Recbeat.

Depois de vários shows – entre eles, a participação do projeto Dois Sons, organizado pela revista Outros Críticos em 2014, no qual dividia o palco com a cantora Isaar –, Aninha sentiu necessidade de reorganizar e trabalhar os sons que queria fazer, sempre com repertório em torno de metal, anos 1970 e MPB. Foi aí que a ideia de gravar um disco surgiu e, tempos depois, a alternativa de croudfunding. “No princípio, eu achei que poderia criar memória a partir do espetáculo mesmo. Só que, para música, hoje em dia, acho que é importante datar a história, até para mudar de fase”, explica Aninha, em entrevista à Continente. As primeiras gravações foram no estúdio Casona, em Candeias, e depois no estúdio Base. “Só que ele foi assaltado e levaram metade das coisas da gente. Tivemos que regravar tudo.” Com a campanha de financiamento coletivo através da plataforma Benfeitoria, a colaboração do público – finalizada no início de setembro – foi bem-sucedida, chegando à quantia necessária para o lançamento do disco Esquartejada ainda este ano. Aninha conta que vem fechando apresentações em outros estados para o próximo ano.

Sobre o título do trabalho, sugerido para o show pelo jornalista Queops Negrão, a cantora confessa: “Fiquei em dúvida, porque é um nome muito pesado, mas reorganizei-o. Entendi a energia de fragmentações como mulher, negra e as dificuldades de nossa comunicação. Na verdade, cada música do show representa uma micropotência que trago no meu corpo. A grande energia do título é a junção dessas coisas, as conexões que fazem com que as potências se tornem um corpo”.

Dona de uma voz visceral, a presença cênica de Martins é inesquecível. Suas apresentações carregam muito da linguagem do teatro e da performance para a música, ou seja, não há como dissociar sua voz de seu corpo. Buscando prepará-lo, fez Contato e Improvisação (CI), além de frequentar a oficina Arte do Presente, com o grupo teatral Magiluth. “Isso me trouxe a (ideia de uma) presença cênica que é ser você mesmo, mas também poder ser outras pessoas ao mesmo tempo. Tenho uma partitura, pensada para o que vou executar a cada música, só que nunca é da mesma forma, está aberta para o tempo estabelecido e para que o acontecimento viva dentro desse curto espaço de tempo que é cada show”, explica.

Extra: ouça ao vivo uma das faixas do disco



O disco Esquartejada conta com arranjos desenvolvidos em conjunto pela banda que é formada por Hugo Coutinho (teclado e voz), Victor Giovanni (baixo), Iezu Kaeru (bateria), Aline Borba (flauta) e Rodrigo Padrão (guitarra). As participações são de Vinícius Paes, Isadora Lubambo, Natália Meira Lins e Jonathas Onofre, todos na voz. Com referências pré-estabelecidas, contudo sem tanta rigidez, eles foram construindo a sonoridade. Contam que parceria e afetividade regeram os caminhos da produção. “Muitas vezes, Padrão chegou com um arranjo totalmente diferente do que eu pensava e acabei gostando. É um coletivo que se autoproduziu. Iezu é melhor comunicador. Hugo trabalha com vídeo, Padrão ficou mais com os arranjos e eu mais com a voz e em tentar conciliar esse relacionamento amoroso entre nós todos”, afirma a cantora.

A capa tem design assinado por Moacyr Campelo e foto de Diogo Condé. “Quando ele mostrou, me emocionei muito. Fiz um curso de voz e movimento num tempo em que perguntavam qual era a idade da nossa voz. No dia em que eu tinha respondido a isso, Moca chegou com uma pedra vulcânica na capa. Minha voz é da Idade da Pedra. Meu corpo é limitado, mas a voz se perpetua em várias encarnações.”

ERIKA MUNIZ, formada em Letras, estudante de Jornalismo e estagiária da Continente

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