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Biografias: personagens de histórias marcantes

Em julho serão lançados três títulos da 'Coleção Memória', em que as figuras públicas Armando Monteiro e Pelópidas Silveira e o jornalista Carlos Garcia são retratadas

TEXTO Marina Moura

01 de Junho de 2016

Retratos históricos de Armando Monteiro, Pelópidas Silveira e Carlos Garcia

Retratos históricos de Armando Monteiro, Pelópidas Silveira e Carlos Garcia

Fotos Reprodução

Um dos objetivos do gênero biográfico é resgatar a história de indivíduos que, a despeito de terem vivido trajetórias socialmente relevantes, de algum modo se diluíram no imaginário nacional. Para suprir certa lacuna entre personalidades pernambucanas que se destacam em suas respectivas áreas, a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) idealizou a Coleção Memória, lançando luz sobre essas pessoas, em suas dimensões pública e privada. Iniciado com uma biografia de Magdalena Arraes, o projeto tem continuidade com mais três obras a serem lançadas este mês, cujos atores são: Armando Monteiro Filho (1925), Carlos Garcia (1934) e Pelópidas Silveira (1915–2008). A escolha dos autores das biografias passou pela familiaridade deles com o universo dos biografados e, sobretudo, pelo fato de serem todos jornalistas, pois, para tomar de empréstimo a fala de Fernando Morais a respeito das biografias, “há minúcias que só o jornalista vê”.

Armando Monteiro Filho – Flashes da vida e do tempo é de autoria de Mario Helio. A obra se organiza em uma espécie de reportagem biográfica, ou, nas palavras do autor, “revelações de um testemunho”. E é possível ver as faces geométricas de Armando, para além do empresário e político que iniciou a carreira em 1950, como deputado estadual. O livro, na verdade, vai na contramão do que acreditava Ortega y Gasset, quando dizia que o homem é a sua circunstância. Vemos todos os caminhos percorridos por Armando, não só nos diversos momentos da República, mas nas tentativas de se tornar atleta, contendas familiares ou no desenvolvimento de uma lógica política pouco atrelada à sua situação de menino de engenho. Assim, fragmentos compõem de modo lúcido um amplo painel do que tem sido sua vida.

Escrito por Homero Fonseca, Carlos Garcia – Um mestre no meio do redemoinho, conta, entre outras coisas, a história daquele que, sendo chefe da sucursal do Estadão no Recife, na década de 1970, foi responsável por guiar uma geração de jornalistas expressivos, como Cristina Tavares, Geneton Moraes Neto e Xico Sá. Ao todo, há 19 depoimentos, entre repórteres, amigos e familiares, sobre Garcia e suas lições, nas quais muitas vezes aproximava o ofício à literatura – “Acho que jornalista deveria ler Graciliano Ramos todo dia”, diz em uma delas. A obra passa ainda pelo terrível momento em que Carlos Garcia foi preso e torturado pelo regime militar.

Duas vezes prefeito do Recife (1955 e 1963), secretário do governo do estado e articulador político, a trajetória do engenheiro Pelópidas Silveira é um símbolo da rara união entre “ética e política”, escrevem os autores Evaldo Costa e Aquiles Lopes. Em Pelópidas Silveira – O homem que amou demais uma cidade, temos o retrato de um pioneiro em gestões públicas, que sempre privilegiou as classes menos favorecidas, e por isso também sofreu grande rejeição dos que o consideravam um “prefeito comunista”. Sua biografia aposta no visionarismo urbanístico de Pelópidas, um dos pioneiros do Brasil ao estimular a criação das associações de bairro, fiscalizar, do ponto de vista sanitário, as feiras livres, além de calçar ruas e já naquela época atentar para a fluidez no tráfego.

Os três livros serão lançados no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), em julho próximo. Outras obras da Coleção Memória estão no prelo e devem ser publicadas ainda este ano. É o caso das biografias da pintora Tereza Costa Rêgo (1929), do cantor Claudionor Germano (1934) e do artista multimídia e poeta Montez Magno (1934). 

MARINA MOURA, estudante de Jornalismo e estagiária da revista Continente.

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