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Caio Lobo

A arte de reutilizar materiais

TEXTO Maria Eduarda Barbosa

01 de Dezembro de 2015

A cadeira foi elaborada por Caio Lobo, quando ainda morava em Garanhuns

A cadeira foi elaborada por Caio Lobo, quando ainda morava em Garanhuns

Foto Estúdio Clica/Divulgação

Pelas ruas de Olinda, o pernambucano Caio Lobo se deparou com uma madeira velha que, à primeira vista, poderia passar despercebida aos nossos olhos. Mas o “artista de móveis”, como prefere ser denominado, utilizou o objeto para construir uma luminária. Essa, digamos, epifania do artista é um bom exemplo de sua capacidade criativa.

Caio produz móveis manualmente desde 2012, quando fez sua primeira cadeira “por hobby”, pois na época ainda não havia o foco no design. Sem formação na área, apenas com a bagagem de duas disciplinas eletivas em desenho e ergonomia, feitas durante sua graduação em Administração, o pernambucano nascido e criado em Garanhuns carrega as lembranças adquiridas na loja de móveis de sua mãe, localizada nessa cidade agrestina. A madeira é a matéria-prima encontrada na maioria dos seus trabalhos. Sua primeira cadeira foi um sucesso no Instagram e a repercussão deu impulso a que ele continuasse produzindo.


A Cadeira Marionete Clássica foi apresentada no Design Weekend.
Foto: Tiago Salgueiro/Divulgação

Os anos se passaram e Caio foi aperfeiçoando sua técnica. Mudou-se para a capital paulista para fazer cursos e, agora, pretende tornar-se designer. “Quando fui pra São Paulo, me dediquei mesmo ao design”, conta. Ele ressalta que suas referências também estão nas artes plásticas. “Eu me considero mais artista do que designer. Tenho mais contato com essa área”, complementa Lobo.


Os produtos da linha Contra são feitos com matérias-primas consideradas inapropriadas pelo mercado. Foto: Espaço em Branco/Divulgação

Entre suas obras, destaca-se um rack feito com uma placa de cimento utilizada na construção de um mezanino. Para o Festival de Inverno de Garanhuns de 2015, Caio produziu uma cadeira em uma semana e a expôs na Casa Galeria Galpão. “Não finalizei do jeito que eu queria”, conta. O móvel apresenta a mesma estética de outros produzidos pelo artista. Dessa vez, ele usou ferro enferrujado, madeira e lona reutilizada de caminhão. Já no Design Weekend, que ocorreu em agosto, em São Paulo, Caio expôs três cadeiras iguais, mas feitas com diferentes materiais. Um dos assentos foi produzido com uma grade que tinha a função de proteção de motor. “Uma é de couro com madeira e a outra, de madeira com palhinha”, completa.


No rack, o designer utilizou vergalhão e metal-moeda. Foto: Espaço em Branco/Divulgação

Outra vez, Caio estava andando pelas ruas da zona norte do Recife, quando encontrou uma placa de cimento e pensou em criar algo com aquele material. Ele conta que pegou a placa, mas não sabe ainda o que fazer, porque são necessárias outras dessas. “Eu gosto de trazer peças diferentes, de dar outra função a elas”, ressalta Lobo, que mostra, durante a entrevista, um anel produzido com porca de parafuso comprada em loja de construção civil.


A luminária feita com madeira de demolição foi o primeiro
objeto criado por Caio. Foto: Espaço em Branco/Divulgação

Em entrevista à Continente, Caio fala que procura fugir do óbvio. “A quantidade de produção de móveis é muito grande. E, aí, para fazer diferente, eu uso esses materiais”, explica. Para o futuro, ele pretende se dedicar à sua produção e viver dela. Um pouco tímido, conta que desejaria incentivar outras pessoas em Pernambuco. “Quero mostrar que é possível trabalhar com marcenaria e criar coisas diferentes. Que podemos ser artistas também de móveis.” 

MARIA EDUARDA BARBOSA, estudante de Jornalismo e estagiária da Continente.

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