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Quinteto Violado: Ensaio para a folia

Grupo lança 'Eu disse FREEEEVO!', álbum temático, encartado nesta edição da Continente, que reúne clássicos do gênero musical e novas composições

TEXTO Luciana Veras

01 de Fevereiro de 2014

Foto José Marcos/Divulgação

Folião que se preza sabe bem que Carnaval, quando cai em março, não implica atraso nos festejos, e, sim, uma antecipação que se insinua em novembro, engata em dezembro, incendeia janeiro e espreme fevereiro, para explodir logo em seguida. Em 2014, vai ser assim: o terceiro mês do ano abre logo com o Sábado de Zé Pereira. As comemorações, porém, há muito começaram, e foi pensando nelas que o Quinteto Violado, 43 anos de estrada e muitos carnavais no currículo, concebeu o novo álbum, Eu disse FREEEEVO!, encartado nesta edição como brinde aos assinantes e leitores da Continente.

A decisão da Cepe Editora de oferecer o novo registro fonográfico do Quinteto Violado junto com a revista está em consonância com a diretriz de difundir a cultura pernambucana. “A qualidade e o prestígio da Continente têm tudo a ver com a importância que o Quinteto Violado possui, algo que depois de mais de 40 anos é reconhecido pelos pernambucanos”, ratifica Marcelo Melo, voz, viola, violão e um dos fundadores do grupo.

Para ele, o disco chega “no momento certo”. “São músicas inéditas e outras canções com propostas novas. O que pensamos foi apresentar uma leitura do frevo com o pique do show, da rua, com a pegada do Carnaval. E, chegando um pouco antes, as pessoas já vão estar com as músicas incorporadas nas apresentações, já vão saber cantar”, observa Marcelo, que, na banda, é acompanhado por Ciano Alves (flauta), Dudu Alves (teclados), Roberto Medeiros (bateria e voz) e Sandro Lins (contrabaixo).

Gravado no estúdio Carranca, com arranjos e produção da própria banda, Eu disse FREEEEVO! faz jus ao título exclamativo em suas 16 faixas. Ao lado de ícones tocados por todas as orquestras nas prévias, bailes e desfiles na rua, a exemplo de Banho de cheiroFrevo mulherOh bela! e Me segura senão eu caio, surgem peças inéditas, como Pernambuco doce e Pula frevo. “Da primeira, vamos fazer um clipe, que será uma homenagem a Pernambuco, pois a música fala da beleza do Carnaval e de quitutes como tapioca, quebra-queixo, caldo de cana”, adianta.

Já Pula frevo apresenta as familiares vozes de André Rio, Marrom Brasileiro, Gustavo Travassos e o Som da Terra, nomes que há muito se revezam na interpretação de hits que atravessam anos no cancioneiro momesco e são as participações especiais do disco. O critério para convidá-los foi a representatividade que possuem diante e durante o Carnaval. “Como são artistas de muita expressão e talento, quisemos trazê-los para uma parceria”, resume Marcelo.

Outro destaque citado pelos membros do Quinteto Violado são os arranjos de sopro e sua execução precisa. “O naipe de metais que a gente colocou é de primeira qualidade. Pernambuco é berço dos grandes instrumentistas de sopro. Nossos músicos são excelentes e agregaram muita qualidade ao trabalho”, elogia o vocalista, aludindo a Geony Melo (trombone), Derisax (sax alto e tenor), Gedmerson Netto (trompete 1) e Wanderley Cruz (trompete 2).

O que não falta, também, são as orquestrações instrumentais que definem o Quinteto Violado desde sua gênese. Frevo na primavera é uma composição deixada por Toinho Alves (1943-2008), fundador e contrabaixista original da banda. A partir de Freviola, instrumental que Marcelo Melo esboçara anos atrás, nasce Freviolando, com letras do poeta José Mauro de Alencar, o Júnior do Bode. “Ou seja, é uma coisa nova que vem de algo que já existia, o que é um pouco a ideia central do disco”, explicita Marcelo Melo.

Para ele, o Carnaval é porção crucial da trajetória quintetiana. Dessa forma, Eu disse FREEEEVO! é uma compilação que reúne a essência da banda, com sua proposta de equilíbrio harmônico entre a velocidade do frevo, a doçura da flauta e a potência do contrabaixo. E, embora o show vá ser apresentado em teatro, com cenário e linguagem específicos, seu repertório se encaixa no que os pierrôs, arlequins, colombinas e outras figuras carnavalescas esperam ouvir nas noites do Bairro do Recife ou nas ladeiras de Olinda. “O Carnaval sempre foi presente em nossos momentos. Antes dos trios elétricos, já saíamos com o Bloco Azul, levando orquestras para as ruas. Trabalhamos com Duda, Zé Menezes e vários maestros clássicos do frevo. Faz parte da nossa história”, arremata Marcelo Melo. 

LUCIANA VERAS, repórter especial da revista Continente.

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