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Santiago Calatrava

Um plano urbanístico para o século 21

TEXTO Fernando Monteiro

01 de Fevereiro de 2013

A Ciudad de las Artes y las Ciencias é uma de suas obras mais impactantes

A Ciudad de las Artes y las Ciencias é uma de suas obras mais impactantes

Foto Divulgação

Santiago Pevsner Calatrava Vall formou-se em Arquitetura em sua cidade natal, Valência, em 1974, ao mesmo tempo em que frequentava os cursos de Urbanismo e Belas-Artes. Concluídos os cursos, o jovem arquiteto mudou-se da Espanha para a Suíça, a fim de estudar Engenharia Civil em Zurique, licenciando-se em 1979 e concluindo o doutorado em 1981. Provavelmente, essa formação integral viria a capacitá-lo para uma gama de empreitadas, desde interiores até grandes infraestruturas como a Ponte de Alamillo, em Sevilha, um dos seus primeiros projetos estruturais, concluído em 1992.


Arquiteto utiliza configurações dinâmicas, frequentemente assimétricas. Foto: Divulgação

Talvez um dos seus projetos mais impactantes, roçando os limites da incredulidade, seja a Ciudad de las Artes y las Ciencias, erguida às margens do Rio Túria, em Valência. As formas do século 21 são aterrissadas com leveza, força e funcionalidade na mesma Espanha arrojada de Gaudí. A obra de ousadia indiscutível faz “virar” a página das inovações arquitetônicas catalãs e também atinge, no cerne daquelas formas, uma espécie de medula nova, artisticamente falando, pelo desdobramento da ligação com a natureza.


O Museu de Ciências Príncipe Felipe, que faz parte do complexo construído em Valência, lembra um casco de animal. Foto: Divulgação

Hoje, são mais de 200 trabalhos – entre estações, aeroportos e projetos de ordenação urbanística na Suíça, em Portugal, Itália, Suécia, Grécia, Argentina etc. – que levam a assinatura desse homem ainda jovem, com atenção extrema ao pormenor material e dotado de visão estrutural poderosa.


O edifício se tornou cartão-postal da cidade espanhola de Tenerife. Foto: Divulgação

Há, nas suas concepções maiores, a predominância de valores cinético-dinâmicos que conseguem “dar a volta” a um certo imobilismo quase inevitável em projetos que implicam grandes massas arquitetônicas. Ele é um “estruturista” vocacional, e gosta de conciliar solidez tecnológica com elementos figurativos que fogem de todo formalismo, talvez pela via das conotações organicistas sempre presentes no seu traço de artista.


A Ponte de Alamillo é um dos seus primeiros projetos estruturais,
concluído em 1992, em Sevilha. Foto: Divulgação

Pode parecer estranho trazer a palavra surrealismo para este terreno, porém essa seria uma das chaves de análise do “estilo calatraviano”, que também vai buscar inspiração nas lições da natureza, patentes nos seus equilíbrios de articulações-rótulas, tendões-cabos e outras harmonias antropomórficas aludidas em construções que não nos desconcertam.


Calatrava fez o projeto do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, que deve ser inaugurado em 2014. Foto: Divulgação

Aqui, no Brasil, Santiago Calatrava terá a sua primeira obra erguida no Píer Mauá, na área do Porto Maravilha, do Rio de Janeiro. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2014, trata-se do Museu do Amanhã, que faz parte dos projetos museológicos da Fundação Roberto Marinho, e constitui um complexo de 12,5 mil metros quadrados, orçado em R$ 130 milhões e para o qual o arquiteto espanhol foi uma escolha natural, segundo os diretores da fundação carioca. Entrevistado na apresentação dos esboços, em 2011, Calatrava disse que o visitante do museu “não vai apenas apreciar um espaço museológico. Ele também vai ter a experiência da luz, da vida, da natureza, e poderá contemplar, entre outras paisagens, o Dedo de Deus”.


Foi construída pelo arquiteto para as Olimpíadas de 1992. Foto: Divulgação

Esse dedo passa pelas formas naturais aprendidas da Natureza, segundo o espanhol eleito, em 2005, pela revista americana Time, como “uma das 100 pessoas mais influentes do planeta”. Tanto que o museu adotará o uso da energia solar e está sendo construído com materiais recicláveis, de acordo com as especificações do arquiteto, que diz ter se inspirado inicialmente na bromélia, para os estudos prévios de concepção da forma desse museu de denominação um tanto vaga, convenhamos. 

FERNANDO MONTEIRO, escritor e cineasta.

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