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Marilyn Monroe

Delicioso pacto com as câmeras

TEXTO Luiz Arrais

01 de Agosto de 2012

Ensaio para a Vogue, um mês antes da morte da atriz

Ensaio para a Vogue, um mês antes da morte da atriz

Foto Reprodução

O primeiro a fotografar a jovem Norma Jeane Mortenson, em 1944, foi David Conover para a revista Spy. E o último a retratar Marilyn Monroe, em julho de 1962, foi Allan Grant, enviado da revista Life. Por 18 anos, Marilyn foi o sonho de cada fotógrafo. Ela demonstrava uma compatibilidade com as máquinas fotográficas que ia ficando mais forte a cada ensaio, a cada teste. Ela realmente era mais do que uma modelo.


O romeno Andre Dienes fez centenas de fotos da estrela quando ela ainda se
chamava Norma Jeane. Foto: Reprodução

Há ensaios com ela assinados por André de Dienes, Milton Greene, Bert Stern, Alfred Eisenstaedt, Robert Frank, Elliot Erwin, Eve Arnold, Richard Avedon. E o fundador da Magnum, Henri Cartier-Bresson, que a fotografou em 1960, confessou candidamente, quando a viu pela primeira vez em carne e osso, que “ela assemelhava-se a uma aparição mágica, saída de um conto de fadas”. A atriz afirmava que seu retrato preferido era um feito pelo inglês Cecil Beaton, em 1956. “Ela brinca, solta gritinhos e pula no sofá”, escreveu o fotógrafo. “Põe o talo da flor na boca, assoprando como um cigarro. É uma perfomance singela, improvisada e contagiosamente alegre. Provavelmente terminará em lágrimas.” Richard Avedon, por sua vez, revelou que ela era a modelo mais bela que havia encontrado.


Marilyn e Tom Ewell na tórrida cena de O pecado mora ao lado 
Foto: Reprodução

Para Philip Hallsman, sem mais nem menos, “era a mais fenomenal deusa do amor da história”. Com alguns fotógrafos, fazia amizades que duravam anos. Para Arnold Newman, que a clicou em 1952 para a Esquire, posou seis vezes. Eve Arnold, que a acompanhou por 10 anos e fotografou o seu cotidiano, sentia-se fascinada: “Era exigente, brilhante, luminosa. Em sua volta, capturava a luz”. Para todos, Marilyn tinha um caso particular com a máquina fotográfica: ela a amava fisicamente.


A pose glamourosa usada à exaustão pela publicidade. Foto: Reprodução

Este ano, ela completaria 86 anos. É difícil supor como seria sua vida hoje. Encarnaria uma velhinha sapeca, levada da breca (vôte!) ou uma esfinge atormentada pelo passar dos anos, tal uma Greta Garbo, vivendo escondida de todos? De todo modo, no imaginário comum, a imagem que ficou é a da loura platinada, linda em todos os ângulos em que era fotografada, no cinema ou no papel, em cores ou em p&b, e que capturou a alma de uma geração inteira.


O norte-americano Alfred Eisenstaedt clicou musa escrevendo em sua casa. 
Foto: Reprodução

Ainda hoje, sua morte, há 50 anos, na madrugada de 5 de agosto de 1962, reverbera de modo desafiador e intrigante. Quer tenha sido acidente, suicídio ou assassinato, comoveu o mundo. Em seu pronunciamento fúnebre, Lee Strasberg, diretor do Actors Studio, foi lúcido: para ele, mais que um ícone do cinema, MM era uma lenda, um símbolo do eterno feminino. De fato, seu sorriso magnético, o cabelo loiríssimo, o olhar ao mesmo tempo inocente e sensual, aliados a seu requebrar (usava saltos de tamanhos diferentes), deixavam os marmanjos com as barbas de molho.


A estrela e, ao fundo, o seu marido, o dramaturgo Arthur Miller. Foto: Reprodução

Desde sua atuação em 30 filmes e seus três casamentos (o primeiro arranjado com um vizinho, aos 16 anos, para evitar que fosse enviada a um orfanato, os outros com duas lendas americanas, o campeão de beisebol Joe Di Maggio e o escritor Arthur Miller), muitos dos eventos de sua vida são pouco claros. Seus biógrafos continuam a falar da identidade desconhecida de seu pai, dos problemas mentais da mãe, das presumidas violências sexuais na adolescência, das tentativas de suicídio e dos namoros com famosos, tais como Yves Montand, Marlon Brando, Frank Sinatra, John e Robert Kennedy.


Bastidores do filme inacabado Something's got to give, sem tradução em português. 
Foto: Reprodução

Em 1999, as revistas Playboy e People a elegeram a mulher mais sexy do milênio. Em 1953, a Playboy já tinha acendido o desejo dos leitores, publicando a famosa foto de Marilyn Monroe nua sobre um lençol vermelho de veludo. Tirada por Tom Kelley quatro anos antes, quando ela era apenas uma jovem modelo desconhecida em busca de notoriedade, tinha rendido míseros 50 dólares de cachê.


A foto preferida de Marilyn, que mandava cópias autografadas para seus fãs. 
Foto: Reprodução

O ator Clark Gable, seu par em Os desajustados, dizia a seu respeito: “É extraordinariamente feminina. Tudo que faz é diferente, estranho e excitante, do modo que fala ao modo que usa o magnifico torso. É como se cada um tivesse uma Marilyn só para si. Faz um homem sentir-se orgulhoso de ser homem”. De sua parte, Jean Negulesco, diretor de Como agarrar um milionário, afirmou: “Marilyn representa para o homem aquilo que todos nós sonhamos intimamente”.


Segunda parte do último ensaio, em que aparece vestida com trajes
Dior, Givenchy e Balenciaga. Foto: Reprodução

Inteligente e determinada, Marilyn dizia que “em Hollywood, a virtude de uma moça é bem menos importante que o penteado. É julgada pelo que aparenta, não pelo que sabe. É um lugar onde te pagam mil dólares por um beijo, e cinco centavos por tua alma”. 

LUIZ ARRAIS, superintendente da criação da Cepe.

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