Clique ao lado para visualizar o sumário da nova CONTINENTE.

Arquivo

Maíra Erlich

Clicks de um dia especial

TEXTO Mariana Oliveira

01 de Maio de 2012

Detalhe do sorriso sugere uma noiva feliz

Detalhe do sorriso sugere uma noiva feliz

Foto Divulgação

Maio sempre foi considerado o mês das noivas. Porém essa tradição tem mudado. Atualmente, a maioria dos matrimônios acontece entre os meses de setembro e dezembro. Assim como a data, os álbuns que dela faziam parte, com fotografias posadas que tomavam boa parte do tempo dos noivos e de seus familiares, parecem também estar ficando para trás, dando lugar a imagens mais espontâneas, clicadas antes e durante a festa. É nesse novo formato que se enquadra a produção da jovem fotógrafa Maíra Erlich, cujo trabalho, nos últimos três anos, tem se focado no registro desse tipo de celebração.


As daminhas ganham uma especial atenção da fotógrafa, seja na entrada formal seja nas brincadeiras antes e depois da cerimônia. Foto: Divulgação

Ela diz que começou a se interessar pela fotografia a partir de uma disciplina do curso de Design, na UFPE, que tinha como foco questões teóricas. Decidiu explorar a técnica e, de maneira autodidata, realizou pesquisas, leu e aprendeu o processo básico da fotografia. Os resultados chamavam a atenção de amigos e familiares, mas levou algum tempo para o hobby se tornar profissão. Um traço que começa a se mostrar recorrente, ainda nesses primeiros registros, é a presença humana. “Nas fotos que fiz de viagens, já percebia que eram as pessoas o que mais me interessava”, acrescenta Maíra.


Chega o momento em que os sapatos são abandonados em prol da descontração.
Foto: Divulgação

A entrada no ramo dos casamentos aconteceu de forma acidental. “Minha mãe me chamou para ir com ela a um festa e eu não queria ter que fazer todo aquele processo de produção. Falei que só iria se fosse ‘fantasiada’ de fotógrafa”. Ela foi e registrou, despretensiosamente, cenas de seu “primeiro casamento”. O resultado foi postado na internet e logo chegaram pedidos de orçamento para outras celebrações. Ainda “verde”, Maíra arriscou e fotografou festas de amigos. “Eu tive que entrar nesse mundo, compreender um universo que era distante de mim. Não idealizava, nem sonhava com um casamento”, revela. Hoje, ela está inserida nesse nicho de mercado que conta com muitos profissionais competentes.


O momento mais esperado pelas solteiras que sonham com o casamento, o arremesso do buquê. Foto: Divulgação

Segundo Maíra, é algo muito lisonjeiro ser escolhida para fotografar uma data tão especial para os casais. Mais do que registrar as costumeiras etapas da celebração, a fotógrafa busca captar as emoções em fotos espontâneas. Nos seus registros, portanto, embora não subestime os recortes inevitáveis, há momentos focados nos detalhes, nas sutilezas. Em vez da noiva centralizada, entrando na nave da igreja, apenas o buquê ou os pés que vêm à frente. No lugar do cortejo das daminhas, variadas cenas de bastidores, crianças sendo arrumadas, olhares intrigados, risos e muxoxos. Sim, há a foto incontornável do bolo, mas ele se imiscui às brincadeiras infantis. Aliás, Maíra dedica especial atenção às crianças nesses eventos. Seus enquadramentos vão além do ambiente cercado pelas regras de etiqueta e cerimonial. Ela se coloca como uma especie de espiã que busca aquilo que ninguém vê.


Primeiro momento a sós do casal, depois da festa. Foto: Divulgação

Trata-se de um trabalho de observação, que não se encerra com o fim da festa. Usualmente, seu pacote inclui a feitura do álbum – um segundo momento, talvez tão importante quanto o primeiro. Diferentemente do processo usual, quando a noiva recebe um DVD com as imagens e seleciona aquelas que gostaria de ver impressas, é Maíra quem toma para si a responsabilidade de escolher. “É no álbum que conto a história daquele casamento”, diz. Sua intenção é de que, ao folheá-lo, além de ter em mãos um produto diferenciado, o casal possa reviver algumas emoções desse dia especial. 

MARIANA OLIVEIRA, repórter especial da revista Continente.

Publicidade

veja também

Viajando para viver

A memória da arte circense no Brasil

Strinberg: Inquietação e pessimismo

comentários