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Bicicleta Sem Freio

Hedonismo visual

TEXTO Thiago Lins

01 de Março de 2011

As mulheres predominam no mundo hedonista retratado pelo trio

As mulheres predominam no mundo hedonista retratado pelo trio

Imagem Reprodução

Se você já esteve no festival Abril Pro Rock, no Recife, conhece a arte do Bicicleta Sem Freio. Se já esteve no Goiânia Noise ou em algum evento do atuante coletivo de iniciativas culturais Fora do Eixo, também conhece o trabalho de Renato Reno, Douglas de Castro e Victor Rocha.


Ilustração criada para a boate goiana El Club. Imagem: Reprodução

Mas a rock art do Bicicleta Sem Freio, que os rapazes gostam de resumir no slogan “Muito fetiche e belas mulheres”, já rompeu as barreiras do instável circuito alternativo. Gigantes corporativos como Sony, Nike e Converse não resistiram ao hedonismo que o coletivo estampa em seus trabalhos.


Cartaz foi o primeiro desenho feito em conjunto pelos artistas.
Imagem: Reprodução

Os três goianos se conheceram em 2003, na Faculdade de Artes Visuais da UFG. Organizaram o grupo, dois anos depois, quando estiveram reunidos num congresso estudantil, e hoje fazem parte de um “estúdio de criação focado em animação e ilustração”, segundo Renato Reno. Ele, Victor e Douglas não têm um modo de operar pré-estabelecido. “O importante é sair bem-feito e com nossa identidade, depois de muita conversa fiada, rabiscos e mesa de luz”, detalha Reno. Assim, os meninos soltam suas cores num improviso: é jazz gráfico. Ou rock gráfico.


A pin-up foi desenhada para um estúdio de tatuagem goiano.
Imagem: Reprodução

É que dois terços do coletivo (Douglas e Victor) ainda arranjam tempo para integrar a Black Drawing Chalks, banda que já provou seu poder de fogo no circuito independente nacional e, mais recentemente, tem se arriscado no exterior, versando sobre “tudo o que importa”, na opinião deles: cerveja e mulheres. A temática explorada pelos “gizes negros para desenho” converge com o pequeno mundo de prazer que o BSF costuma retratar.


Trabalho do BSF que teve mais visualizações no Flickr. Imagem: Reprodução

Não por acaso, o trio concebeu a animação de My favourite way (música de trabalho do segundo disco da Black Drawing Chalks), clipe em parceria com o diretor Marck Al, que rendeu uma indicação no Video Music Brasil 2009, a tradicional premiação da MTV. O clipe, que somou mais de 165 mil exibições no Youtube, é um desfile de clichês picantes, com muitas mulheres e pouca roupa.


Ilustração sobre foto para a capa do vinil da banda goiana MQN. Imagem: Reprodução

Os artistas ilustram não apenas as capas de CDs da Black Drawing Chalks, mas também as dos discos de bandas da cena independente nacional, como AMP e Macaco Bong. Tudo com a identidade do coletivo: cores berrantes e os mencionados objetos de desejo, enquadrados em primeiro plano, sugerindo todo tipo de pecado – em excesso cavalar, como reza a cartilha do rock. Alguns desenhos chegam a indicar sadomasoquismo e não faltam olheiras, pupilas dilatadas e traços que remetem à pop art, a filmes B e quadrinhos.


Cartaz levou o maior lance em leilão do N Design,
evento 
nacional e estudantil da área.
Imagem: Reprodução

Os integrantes, inclusive, já fizeram tabelinha com Rafael Grampá, autor da ultraviolenta HQ Mesmo delivery e ganhador do Eisner Award (importante prêmio do universo HQ) de 2008, conquistado com a coletânea 5, da qual é coautor. Mestres dos quadrinhos underground, como Robert Crumb e Charles Burns, são influências decisivas para o Bicicleta Sem Freio. Quando os artistas conseguem deixar um pouco de lado suas sinuosas mulheres, traçam quadros claramente inspirados nos moldes da produção desses artistas, como a sujeira tão familiar à arte de Crumb.

Em meio às vertentes das artes visuais, Renato Reno diz que o foco do trio é desenhar cartazes de pequenos eventos e capas de discos, apesar de vir chamando a atenção de grandes empresas. 

THIAGO LINS, repórter especial da revista Continente.

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